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Santidade

NEM SALGADO E NEM INSOSSO

É bem provável que você já tenha ouvido Jesus falar sobre sermos sal da Terra e luz do mundo. De fato o evangelista São Mateus narra claramente essa passagem tão conhecida; falar de luz sempre impactante, afinal seja a elétrica, seja a do sol, é sempre visível e pauta o nosso dia. Mas e o sal?

Em tempos idos esse, que hoje é um dos ingredientes mais corriqueiros e fáceis de se ter, foi um dos itens mais caros e necessários – sem refrigeração, por exemplo, o sal era o único meio de manter a carne – o que originou inclusive a palavra salário, como conhecemos.

Mas isso você também já deve ter escutado em alguma homilia, não?

Logo que pensamos nessa passagem concluímos que precisamos nos mexer, oferecer os nossos dons, agir ao máximo. Talvez essa comparação do católico com o sal possa ser algo mais parecido com o que São João escreveu no Apocalipse: Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.

Se de fato a comida insossa é péssima;

É também verdade que a comida muito salgada é intragável. Ora pois, se a vida católica é esse equilíbrio de diversos âmbitos, pensamos nós: que parte da minha vida tenho deixado insossa? E onde tenho salgado demais?

É preciso pensar cotidianamente onde eu sou exagerado e onde eu deixo a desejar. Não, isso não quer dizer, necessariamente, que eu devo me tornar um monge flutuante meditando durante todo dia, mas sim que é extremamente necessário entender o que exige cada situação – se é aqui que devo investir todo meu ânimo ou se acolá é onde deposito o máximo da minha paciência. A tradição da Santa Igreja nos traz a receita, mas a nós cabe acertar a mão no sal. Insosso ou salgado? Espero que nenhum do dos dois.


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TL
Thi Lacerda
Colunista do Hub Católico

Texto recuperado do arquivo histórico do Hub Católico (publicado originalmente em 10 de fevereiro de 2020). Importação fiel ao original.