O QUE HÁ DE VERDADE NA TUA FÉ?
No dia em que fazemos memória da entrada triunfal e humilde do Senhor em Jerusalém, podemos também lembrar que
esse mesmo povo que foi saudar com ramos também foi o povo que gritou “Barrabás” e “crucifica-o”.
Pois se na hora do retiro, durante a adoração milimetricamente planejada ou após uma belíssima comunhão você se sente cheio de fé, o primeiro do justos, o santo dentre os santos,
lembre-se que no próximo domingo você pode estar crucificando o seu Deus;
No próximo final de semana é possível que um compromisso ou até a falta dele te faça ficar em casa ao invés de ir na missa – ou, em tempos de quarentena, fazer qualquer coisa em casa ao invés de acompanhar a missa pela tv ou internet; No próximo encontro do seu grupo, talvez você tenha dormido demais ou marcado um cinema. Talvez amanhã mesmo você traia a sua oração.
Essa é a beleza e a dureza do caminho para a santidade: a nossa própria humanidade. Acaso somos mais santos que aquele que primeiro recebeu as chaves do Céu e da Terra? Se São Pedro, que disse que morreria por Jesus logo após proferir a mais bela profissão de fé também negou-O, o que sobra a nós?
Ainda na época do primeiro Papa, outro discípulo compreendeu a lição que se escondera sob a negação de Pedro. Em sua epístola, Tiago exorta-nos: a fé sem obras é morta.
Sim, amigos, a fé sem obras é como o ramo de oliveira que saúda Jesus num dia, mas morre no dia seguinte para então crucificá-lo.
E certamente não dizia Tiago apenas de obras de caridade como costumamos imaginar – dar comida aos pobres, visitar asilos e hospitais, doar agasalhos. As obras da tua fé se concretizam no dia-a-dia, na prática e no hábito. Quando São Francisco dizia que a nossa vida pode ser o único evangelho do irmão, também era disso que falava: a fé se traduz nos atos cotidianos.
Nossa vida é a obra da nossa fé.
Erga os ramos neste domingo, mas erga ainda mais a sua vida em oração.
Leia mais de Thi Lacerda.
Texto recuperado do arquivo histórico do Hub Católico (publicado originalmente em 5 de abril de 2020). Importação fiel ao original.