Ainda que em pequena medida, todos somos juízes em decisões cotidianas. Quanto maior a autoridade, maior a abrangência do ato. Se atentarmo-nos à vida de Jesus, desde pequeno Ele desconcertava os judeus. À medida que Jesus crescia em graça e sabedoria, pessoas o acompanhavam. Uma multidão adentrou Jerusalém: era muita gente em constante conversão.
Aqueles que não se convertiam buscavam motivos para condenar Jesus. Arapucas eram montadas, perguntas capciosas buscavam comprometê-Lo. Por medo da multidão, resolveram entregar o filho de Davi aos pagãos, para que julgassem conforme suas leis.
Pilatos não vê mal
Pilatos tem, diante de si, um homem inocente. Atrás dele, judeus enfurecidos. Há também uma multidão que O glorifica como Deus. Que fazer? Ainda que não queira, é obrigado a julgar. Ao interrogar o Cordeiro imolado, Pilatos não vê mal algum naquele homem. Sua esposa o alerta para que não se envolva com o Justo.
Diante disso, manda que açoitem Jesus, com o intuito de livrá-Lo. Diante da insistência para a crucificação, lava as mãos e condena Cristo à humilhação, à morte. Pilatos sabia que era um inocente. Ainda assim, cedeu ao medo e O condenou. O ato de lavar as mãos revela muito de si: ele assinala que se eximia das consequências. Quantas vezes não fazemos o mesmo?
O perigo de ser Pilatos é de ceder ao medo, à escuridão. Lavar as mãos não exime a culpa. Talvez esse ato tenha condenado eternamente a alma do procurador romano.
Deixemos a Graça santificante guiar nossas vidas, para que não sucumbamos ao medo e às dificuldades. Sejamos fiéis a Jesus, sem medo.
Não vale a pena: vale a vida.
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Texto recuperado do arquivo histórico do Hub Católico (publicado originalmente em 20 de abril de 2020). Importação fiel ao original.