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Cotidiano

O TRABALHO DIGNIFICA?

Ao longo do tempo e do turbilhão de novos significados que damos a tudo, perdemos muito da sabedoria que só pôde surgir com a experiência. Hoje nossa relação com o trabalho é tão disfuncional que a máxima “o trabalho dignifica o homem” é completamente rechaçada sem mais, nem menos.

De fato, o trabalho pelo trabalho não dignifica o homem. A nossa concepção de trabalho – basicamente emprego ou profissão – está longe de ser origem de dignidade para o ser humano; tampouco as nossas motivações para tal o são. Querer a riqueza, o sucesso ou a fama definitivamente não estão na lista de “dignificadores”.

dignĭtas

Dignidade vem diretamente do latim, dignĭtase podemos encontrar seu significado como valor, nobreza ou merecimento; faz referência ao que sou digno de receber;

Toda a nossa dignidade emana de Deus e a Ele deve se direcionar. Portanto, sob esse aspecto, não é o trabalho que nos dignifica, mas o objetivo e a oblação. Olhando pelo viés humano, psicológico, podemos dizer que a dor e o esforço nos dignificam ao passo que nos ensinam a valorizar, a entender a dignidade de cada parte da criação.

Miramos no céu!

Será, então, que o meu trabalho me torna uma pessoa melhor? alguém digno do céu? alguém digno do amor de Deus e do próximo? Talvez a melhor resposta seja a de que nunca seremos plenamente dignos – e é disso que se trata o amor, como já falamos em outros textos – mas que ser mais santo passa, invariavelmente, pela busca de ser plenamente dignos. Miramos no céu como se pudéssemos alcançá-lo, ainda que tendo a certeza de que somente a mão de Deus pode nos levar até lá.

Portanto, o trabalho empregado com esforço e com o objetivo de agradar a Deus é o trabalho que dignifica. E isso não tem nada a ver com profissão, remuneração e formação acadêmica, necessariamente – ainda que possa envolver qualquer um desses.

Empreenda para Deus, volte os seus esforços para Ele e todo o trabalho terá valor.


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TL
Thi Lacerda
Colunista do Hub Católico

Texto recuperado do arquivo histórico do Hub Católico (publicado originalmente em 9 de março de 2020). Importação fiel ao original.