Um grande amigo e grande sacerdote dizia sempre: “que vida tu queres ter? Queres ter protagonismo, ou ir pelo lema do Zeca Pagodinho, ‘deixa a vida me levar’?”. Com essa pegada engraçada, em verdade, ele acabava levando aos jovens para quem falava uma questão importantíssima e que deve ser relembrada ao longo da vida. Que vida você quer ter?
“que vida tu queres ter? Queres ter protagonismo, ou ir pelo lema do Zeca Pagodinho, ‘deixa a vida me levar’?”
Pode ser que você acredite que Jesus é Deus, e também que Ele desceu à mansão dos mortos e ressuscitou; talvez você creia que é Ele quem se dá como alimento a cada missa e até tenha fé no auxílio de Nossa Senhora; Mas a fé é a fé e suas obras. São Paulo disse aos Romanos “se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”. Eis aí a fé dentro do coração, aquilo em que verdadeiramente acreditamos, que torna-se ação ao ser proclamada. A fé se concretiza nas obras. E vamos deixar claro aqui: utilizo o termo “obras” justamente para fazer referência ao que diz Tiago em sua carta (Ti 2, 14-26) mas, por obras, não estou querendo dizer – e provavelmente não o queria Tiago – aquelas obras de caridade com moradores de rua, criação de hospitais ou uma imensa obra de evangelização. Não, meus amigos. Por obra, quero dizer TUDO AQUILO QUE É FÉ “materializada”, que é fé feita ação.
Ainda que acredite piamente em cada palavra do Credo, se não fizer dessa fé obras em tua vida, essa vida de santidade estará fadada ao erro. Se não houver um profundo esforço para viver conforme a tua fé, a fé estará morta dentro de ti. Nas palavras do Venerável Fulton J. Sheen, que foi arcebispo de Rochester:
“Se não viveres segundo aquilo em que acreditas, acabarás a acreditar naquilo que vives”.
Ou seja: se as tuas obras não forem resultado da tua fé, elas acabarão por enterrá-la. Enquanto a tua fé estiver restrita aos pensamentos, à oração mental, à participação na missa por obrigação, ela estará correndo sérios riscos de ser sobreposta por aquela fé que você realmente vive.
Por obra, quero dizer TUDO AQUILO QUE É FÉ “materializada”, que é fé feita ação.
Se não a fé católica, que fé você vive? A fé inescrupulosa na ciência? A fé do materialismo? A fé numa sociedade que há de salvar-se a si mesma aqui na terra? A fé na justiça social? A fé na meritocracia? A fé na tecnologia? A fé na profissão como vocação? A fé na faculdade que vai te enriquecer? Qual é a crença que te move?
Pode ser que você não a identifique como crença, mas observe bem os seus atos e diga a si mesmo qual é a razão que te dá esperança, que te faz levantar todos os dias, que te dá a régua moral e que te mostra os objetivos a seguir? Eis aí a tua verdadeira fé. Ainda que você diga e queira crer em Deus uno e trino, se os teus atos, sonhos e relacionamentos são moldados por outra esperança, que não a católica, essa crença há de soterrar a fé católica.
Se não a fé católica, que fé você vive?
Quem converte a quem? A tua fé é que dita a sua esperança e a sua caridade? Ou são os teus hábitos que fazem as tuas obras? Se for a segunda opção, certamente esses hábitos irão não somente ditar as tuas obras, mas mudar a tua fé e depositar a tua esperança em outro lugar.
Quem converte a quem?
Salva a tua fé enquanto ainda é tempo.
Texto recuperado do arquivo histórico do Hub Católico (publicado originalmente em 11 de maio de 2020). Importação fiel ao original.