← Blog
Espiritualidade

HOMILIA – SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Queridos filhos, após a solenidade de pentecostes, a sagrada liturgia nos convida a lançar o olhar para o céu e contemplarmos o mistério central de nossa fé, a Santíssima Trindade. Como diz o prefácio desta Santa Missa, contemplamos o “Deus eterno e verdadeiro, adoramos cada u/ma das
pessoas, na mesma natureza e igual majestade”.

As palavras humanas fogem diante deste augusto mistério,

nada pode abarcá-lo completamente ou explicá-lo, mas Deus não é uma ideia a ser retida, antes, deve ser conhecido, amado e adorado.
Não podemos nos esquecer que são Pessoas divinas e que por esta razão, são eterna relação de amor que querem fazer em nós Sua morada, como afirma o catecismo:

Nós somente podemos ter acesso ao mistério trinitário e seu insondável desígnio de amor, porque a encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo nos revela que “Deus é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial ao Pai, isto é, que ele é no Pai e com o Pai o mesmo e único Deus” (CEC 262).

Esta verdade fica evidente quando lemos no evangelho de hoje: “Tudo o que o Pai possui é meu” (Jo 16, 15), em vários momentos nos evangelhos, Nosso Senhor faz menção a unidade existente entre Ele e o Pai. Somente o Verbo eterno de Deus pode contar ao homem o que por sua inteligência, é incapaz de chegar apenas pela luz natural da razão no que se refere ao mistério
divino. Porém, para a compreensão deste mistério é necessária a luz do Espírito Santo, como diz o Senhor: “ O Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará” (Jo 16, 13). Isto revela que o Espírito Santo sonda os mistérios divinos e é com o Pai e o Filho, o Deus único e verdadeiro.

Ouvimos na primeira leitura retirada do livro dos Provérbios,

que a sabedoria estava ao lado de Deus em toda a obra da criação. Porém ela alegrava-se em estar com os filhos dos homens (Pr 8, 31). O papa emérito Bento XVI, comentando esta passagem da Sagra Escritura por ocasião d/esta
solenidade, diz que a sabedoria de Deus se alegrava em estar com os homens porque estes, são feitos a imagem e semelhança de Deus. Cristo, a Sabedoria encarnada, veio restituir pelos méritos infinitos de Sua paixão, morte e ressurreição, esta imagem e semelhança de Deus que o pecado
desfigurou, assim, “justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor Nosso, Jesus Cristo”. (Rm 5, 1).

É pelo batismo que somos regenerados em Cristo, e temos acesso ao Pai pela ação do Espírito Santo. É por este sacramento que a Santíssima Trindade vem habitar
em nós! Que alegria podermos dizer como Santa Elisabete da Trindade: “O céu é Deus e na minha alma Ele está”.

Não deixemos filhos que o pecado mortal nos tire este estado de graça, mas recorramos sempre ao sacramento da confissão para que o céu de nossa alma sempre possa estar habitado por tão grande hóspede que nos santifica.

Finalmente, façamos nossa a oração de Santa Elisabete da Trindade:

“Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente, de mim mesma, para me fixar em Vós, imóvel e calma, como se minha alma estivesse já na eternidade: que nada possa perturbar-me a paz, nem
me fazer sair de Vós, ó meu Imutável, mas que cada instante me leve mais avante na profundidade de Vosso mistério… Ó meu “Três”, meu tudo, minha beatitude, solidão infinita, imensidade onde me perco, entrego-me a Vós como uma presa, sepultai-Vos em mim, para que eu me sepulte em Vós,
enquanto espero ir contemplar em Vossa luz o abismo de Vossas grandezas.”

HC
Hub Católico
Colunista do Hub Católico

Texto recuperado do arquivo histórico do Hub Católico (publicado originalmente em 21 de janeiro de 2020). Importação fiel ao original.