Santo Antônio Maria Gianelli
Também conhecido como Antonio Maria Gianelli, Anthony Mary Gianelli, Antoine-Marie Gianelli
Identificação
Santo Antônio Maria Gianelli (1789–1846) — sacerdote e bispo italiano da diocese de Bóbbio, pregador apostólico, fundador da Congregação das Filhas de Maria Santíssima do Horto (Irmãs Gianellinas) e dos Oblatos de Santo Afonso. Notável pela ação missionária e educacional na Ligúria no período da Restauração. Canonizado em 21 de outubro de 1951 por Pio XII.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Piacenza, na Emília-Romanha, região da Itália, o passamento de Santo Antônio Maria Gianélli, bispo de Bóbbio, que fundou a Congregação das Filhas de Maria Santíssima do Horto e resplandeceu pelo empenho e luminoso exemplo de dedicação à Igreja.
Vida
O pregador e educador genovês
Antônio Maria Gianelli nasceu em 12 de abril de 1789 em Cerreto, fração do município de Carro, na então província de Gênova (atual La Spezia), na Ligúria. Era filho de Giacomo Antonio e Maria Gianelli, camponeses humildes e profundamente cristãos. Era o mais velho de uma numerosa família; sua mãe, mulher de fé sólida, ensinou-lhe os primeiros rudimentos da doutrina cristã.
A inteligência do menino chamou a atenção do pároco local, que lhe providenciou instrução elementar na escola paroquial de Castello a partir de 1795. Mais tarde, a viúva Nicoletta Assereto — proprietária de terras na região — custeou seus estudos superiores, permitindo-lhe ingressar no Seminário de Gênova em novembro de 1807, aos 18 anos.
A formação seminarística foi sólida e progressiva. Foi ordenado subdiácono em setembro de 1811, diácono em março de 1812 pelo cardeal Giuseppe Maria Spina, e finalmente presbítero em 24 de maio de 1812, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Gênova — recebendo dispensa de idade pela maturidade espiritual reconhecida pelos superiores.
Nos primeiros anos de sacerdócio, Santo Antônio Maria Gianelli atuou como vice-pároco da Igreja de São Mateus em Gênova (1813) e como docente de retórica no colégio dos Padres Escolápios em Carcare (1815–1817). Em 1814 integrou a Congregação dos Missionários Suburbanos de Gênova, tornando-se pregador itinerante pelas paróquias rurais da Ligúria. Seu estilo oratório, ao mesmo tempo doutrinalmente rigoroso e pastoral, granjeou-lhe grande reputação como missionário popular.
O arciprete de Chiavari e as fundações
Em 21 de junho de 1826 Santo Antônio Maria Gianelli foi nomeado arciprete e vigário foraneo de Chiavari, cidade costeira ao leste de Gênova, com jurisdição sobre mais de 110 paróquias. O cargo exigiu dele energia administrativa e zeal pastoral incomuns: reorganizou a catequese, promoveu retiros espirituais para o clero e multiplicou as missões populares nas aldeias do interior.
Consciente da carência de estruturas estáveis de formação e assistência, fundou duas obras:
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Os Oblatos de Santo Afonso (1827) — grupo de sacerdotes missionários inspirados na espiritualidade redentorista de Santo Afonso de Ligório, para missões paroquiais e exercícios espirituais. A congregação, de vida curta como instituição autônoma, foi absorvida por outras estruturas após sua morte, mas frutificou na mentalidade pastoral que ele imprimiu ao clero local.
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As Filhas de Maria Santíssima do Horto (fundadas em 12 de janeiro de 1829) — congregação feminina dedicada à educação de crianças e jovens pobres e ao cuidado de doentes. O nome refere-se à devoção local a uma imagem de Nossa Senhora venerada no Horto (Hortum), arrabaldes de Chiavari. As religiosas, conhecidas como Irmãs Gianellinas, receberam aprovação diocesana e se espalharam progressivamente pela Itália, depois pela Europa, Américas e Ásia.
O episcopado de Bóbbio
Em 12 de fevereiro de 1838 o Papa Gregório XVI nomeou Santo Antônio Maria Gianelli bispo de Bóbbio, diocese histórica do norte da Itália, fundada segundo a tradição por São Columbano no século VII. Consagrado em 6 de maio de 1838 pelo cardeal Plácido Maria Tadini, tomou posse de uma diocese em situação difícil: clero pouco formado, estruturas educacionais precárias, vida religiosa popular marcada por décadas de turbulências napoleônicas.
Nos oito anos de episcopado, Santo Antônio Maria Gianelli empreendeu uma reforma pastoral metódica: realizou visitas pastorais a todas as paróquias, promoveu sínodos diocesanos, reorganizou o seminário, incentivou sociedades de instrução religiosa para os fiéis e restaurou a devoção a São Columbano, patrono da diocese. Sua prioridade era a formação do clero e a catequese sistemática do povo.
Morte e glorificação
Nos últimos anos de vida, Santo Antônio Maria Gianelli sofreu de tuberculose progressiva. Em viagem para a cidade de Piacenza — onde ia tratar de negócios da diocese — faleceu em 7 de junho de 1846, com 57 anos. Seu corpo foi transladado para a catedral de Bóbbio.
O processo canônico foi aberto rapidamente, dado o consenso popular sobre sua santidade. Em 1920 o Papa Bento XV declarou-o Venerável. Aos 19 de abril de 1925 o Papa Pio XI o beatificou em Roma. Finalmente, em 21 de outubro de 1951, o Papa Pio XII o canonizou, inserindo-o no calendário universal da Igreja com celebração em 7 de junho, data de seu óbito.
As Filhas de Maria Santíssima do Horto (Irmãs Gianellinas) continuam ativas no século XXI, com presença na Itália, nos Estados Unidos, na América Latina e na Ásia, dedicadas à educação e à pastoral da saúde, segundo o carisma fundacional do seu fundador.
Referências
- Martirologio Romano, Editrice Vaticana, 2004 (edição típica latina) — 7 de junho.
- Wikipedia italiano: Antonio Maria Gianelli — consultado em 2026-05-28.
- Catholics Saints Info: Saint Anthony Mary Gianelli — consultado em 2026-05-28.
- Fontes indicadas em inglês (Catholics Saints Info) e italiano (Wikipedia it); Wikipedia pt inexistente na data de consulta.

