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São Basílio Magno

Também conhecido como Basílio, o Grande, Padre da Capadócia

Identificação

São Basílio Magno (c. 330 – 379), bispo de Cesareia da Capadócia, é um dos três grandes Padres Capadócios — com seu irmão São Gregório de Nissa e seu amigo São Gregório Nazianzeno — e Doutor da Igreja. Pastor, teólogo, organizador da caridade e pai do monaquismo cenobita do Oriente, a Igreja celebra sua memória, junto à de São Gregório Nazianzeno, em 2 de janeiro.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Memória dos santos Basílio Magno e Gregório de Nazianzo, bispos e doutores da Igreja.

Vida

Uma família de santos

Basílio nasceu por volta de 330, em Cesareia da Capadócia, no seio de uma família ilustre que a tradição honra com um número notável de santos. Foi o segundo de dez filhos; entre eles, quatro são venerados como santos: o próprio Basílio; sua irmã mais velha, Santa Macrina, a Jovem; São Gregório de Nissa; e o caçula, São Pedro de Sebaste. Seus pais, Basílio e Santa Emélia, também são contados entre os santos. A avó paterna, Santa Macrina, a Anciã, natural de Neocesareia do Ponto, fora formada na fé por São Gregório Taumaturgo e cuidou da primeira educação do neto, instruindo-o nos dogmas com as mesmas palavras que recebera daquele mestre — benefício de que o próprio Basílio mais tarde se gloriava.

Formação: Cesareia, Constantinopla e Atenas

O pai foi seu primeiro mestre nas letras sagradas e profanas. Distinguindo-se desde cedo pela rapidez dos progressos e pela modéstia, Basílio estudou em Cesareia, depois em Constantinopla — onde o célebre orador Libânio o teve entre os ouvintes e dele guardou alta estima — e, enfim, em Atenas. Ali aprofundou a amizade com São Gregório Nazianzeno: viviam em comunhão de mesa e de ideais, frequentavam apenas os companheiros mais castos e diziam conhecer na cidade somente dois caminhos — o que levava à igreja e aos mestres da fé, e o que conduzia às escolas. A santificação era sua única ambição.

Pai do monaquismo cenobita do Oriente

De volta à pátria, Basílio renunciou às promessas do mundo e abraçou a vida ascética. Percorreu os mosteiros do Egito, da Síria e da Mesopotâmia para aprender com os solitários e, retirado depois para o Ponto, compôs — em diálogo com Gregório Nazianzeno — as regras monásticas que se tornaram o fundamento do monaquismo cenobita no Oriente, vivo até hoje entre os monges basilianos. Chamava aos monges «filósofos» e ao seu estado «filosofia», entendida não como saber abstrato, mas como imitação de Cristo pela prática da virtude. Seus votos — pobreza, castidade e obediência — visavam desprender a alma dos bens, do próprio corpo e da vontade, para uni-la a Deus; e suas regras dispunham com raro equilíbrio pedagógico até sobre a educação das crianças confiadas aos mosteiros.

Sacerdote e bispo num tempo de heresia

Ordenado sacerdote por volta de 361-362 pelo bispo Eusébio de Cesareia, Basílio viveu o tempo agitado em que o arianismo — que negava a divindade do Verbo — dominava a corte. O imperador Valente, cercado de bispos arianos, percorria as províncias perseguindo os católicos. Quando chegou à Capadócia, em 370, Basílio, reconduzido da solidão do Ponto pelo amigo Gregório, pôs fim às divisões entre os católicos, reconciliou-se com o bispo Eusébio e resistiu de tal modo às ameaças e lisonjas do imperador que este e seus bispos foram obrigados a partir sem nada conseguir. Naquele mesmo ano, durante uma fome extraordinária, Basílio distinguiu-se pela caridade, organizando o socorro aos famintos — semente da grande obra de assistência (a «Basiliada»), com hospitais e hospedarias junto a Cesareia. Morto Eusébio, foi eleito seu sucessor como bispo de Cesareia.

O confronto com o prefeito Modesto

Em 371, querendo impor o arianismo como lei do império, Valente enviou o prefeito do pretório Modesto para forçar Basílio a comungar com os arianos ou expulsá-lo. Diante das ameaças de confisco, exílio, tormentos e morte, o bispo respondeu com serenidade memorável: nada tinha a confiscar senão «alguns andrajos e alguns livros»; do exílio não temia, pois toda a terra é de Deus, de quem se dizia «hóspede e peregrino»; os tormentos não alcançariam um corpo já tão frágil; e a morte só lhe seria benefício, abrindo-lhe mais cedo o caminho para Deus. Espantado, Modesto declarou nunca lhe haverem falado assim — ao que, segundo a tradição, Basílio terá observado que talvez ele nunca tivesse encontrado um verdadeiro bispo. Valente não conseguiu dobrá-lo.

Doutor da Igreja e morte

Pastor incansável, Basílio defendeu a fé de Niceia em toda a diocese e no Oriente, escreveu contra os arianos e em defesa da divindade do Espírito Santo, e deixou homilias, regras e uma vasta correspondência. A liturgia bizantina conserva, com seu nome, a Divina Liturgia de São Basílio. Consumido pelos trabalhos e pelas austeridades, faleceu em 379, ainda jovem, chorado por toda a cidade. Sua doutrina e santidade renderam-lhe o título de Magno e o reconhecimento como Doutor da Igreja. No calendário anterior a 1969 sua festa era celebrada em 14 de junho — por isso o Pe. Rohrbacher narra sua vida no volume de junho; a reforma litúrgica transferiu a memória para 2 de janeiro, unindo-a à de São Gregório Nazianzeno.

Referências

  • Rohrbacher, «Vidas dos Santos», vol. 10 (junho) — narrativa extensa, que por sua vez cita os Acta Sanctorum (14 de junho), Tillemont e Dom Ceillier.
  • Daniel-Rops, «História da Igreja de Cristo» — para o contexto da crise ariana no século IV.
  • Martirológio Romano 2004, 2 de janeiro.
  • Verbete São Basílio de Cesareia, na Wikipédia.
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