São Caraúno

Também conhecido como Chéron de Chartres, Chéron mártir, saint Chéron

Identificação

São Caraúno — em francês saint Chéron — é um mártir venerado em Chartres, na antiga Gália Lionense (atual França). O Martirológio Romano 2004 regista-o com extrema brevidade no dia 28 de maio, sem indicar época, circunstâncias ou origem. A documentação histórica é muito escassa: a principal fonte narrativa é uma Vita tardia, de redação provável nos séculos IX–X, cujo valor histórico é limitado. Tudo o que vai além do simples fato do martírio em Chartres pertence a essa tradição posterior.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Chartres, na Gália Lionense, na atual França, São Caraúno, mártir.

Vida

O que a história atesta

Os dados historicamente seguros resumem-se ao elogio do Martirológio: São Caraúno foi mártir, venerado desde época remota em Chartres. Não há fonte contemporânea ao martírio que fixe a data, a origem ou as circunstâncias da morte.

O que a tradição narra

Segundo a tradição preservada na Vita tardia, São Caraúno teria sido natural de Roma. Tendo empreendido uma peregrinação às Gálias — provavelmente em direção a um santuário ou acompanhando uma missão evangelizadora —, teria sido assassinado por salteadores nos arredores de Chartres. A tradição considera-o mártir por ter sido morto em ódio à fé cristã, embora o caráter do crime (assalto de estrada) torne a distinção entre martírio formal e morte violenta de peregrino teologicamente sensível; a veneração popular e o Martirológio resolveram a questão reconhecendo-o como mártir.

A época do martírio não é fixada com certeza pelas fontes; estudiosos modernos propõem, a título hipotético, os séculos IV ou V, período de evangelização intensa da Gália.

Veneração e culto

O culto de São Caraúno em Chartres é antigo e persistente. A ele se deve o topónimo Saint-Chéron — nome de um município do departamento do Essonne, em Île-de-France, assim chamado por uma antiga instituição eclesiástica (mosteiro ou colegiada) dedicada ao mártir. Em Chartres, relíquias foram conservadas e veneradas ao longo da Idade Média. O nome Chéron é a forma francesa corrente de Caraunus / Caraúno.

Referências

  • Martirológio Romano 2004, 28 de maio (Editrice Vaticana) — única fonte canônica segura; elogio brevíssimo.
  • Rohrbacher, «Vidas dos Santos» (22 vols.) — contém apenas entrada de índice onomástico (“CARAUNO, mártir, 28 de maio”), sem texto biográfico desenvolvido.
  • Tradição hagiográfica local de Chartres, transmitida por Vita tardia (séc. IX–X); não editada criticamente em fonte acessível; valor histórico incerto.
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