Santa Catarina de Sena
Também conhecido como Doctor Ecclesiae, Mística do Diálogo, Mãe Catarina
Identificação
Santa Catarina de Sena (1347-1380) — virgem terciária dominicana, mística estigmatizada, doutora da Igreja (1970, Paulo VI — uma das duas primeiras mulheres doutoras junto com Santa Teresa de Ávila). Copadroeira da Itália (1939, Pio XII) e da Europa (1999, João Paulo II). Faleceu aos 33 anos, mesma idade de Cristo. Sua intervenção foi decisiva no retorno do papa Gregório XI de Avinhão para Roma em 1377, encerrando o “Cativeiro de Avinhão” (1309-1377).
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Roma, Santa Catarina de Sena, virgem e doutora da Igreja, que, desde criança, repleta dos dons do Espírito, dedicou-se à oração e à meditação na sua casa de Sena, na Toscana, e, vestido o hábito da Penitência de São Domingos, sustentou pesadas fadigas, em particular em ajuda dos pobres e infermos. Procurou recompor a paz entre os cristãos, consagrando-se com todas as suas energias no defender os direitos e a unidade da Igreja, da qual se fez grande mestra.
Vida
Caterina di Iacopo Benincasa nasceu em Sena (Toscana) em 25 de março de 1347 (Anunciação) — 24ª filha de 25 de Iacopo Benincasa (tintureiro de lã) e Lapa di Puccio. Sua irmã gêmea Giovanna morreu logo após o parto.
Aos 6 anos — primeira visão mística: viu Cristo em vestes pontificais entre Pedro, Paulo e João Evangelista, sobre a igreja de São Domingos. Sorriu para ela, abençoou-a. Caterina desejou desde então consagrar-se a Cristo.
Aos 7 anos — voto privado de virgindade.
12-15 anos — pais tentaram casá-la. Catarina cortou os cabelos e fez jejum prolongado. Acabaram cedendo.
Aos 16 anos (1363) — vestiu o hábito das Mantellate (terciárias dominicanas leigas, viviam em casa, mas com hábito e regra), embora o costume fosse só para viúvas (geralmente recusava-se virgens). Foi exceção.
1363-1366 — três anos de reclusão silenciosa em casa, em quarto pequeno (preservado hoje em Siena), em oração intensa. Aprendeu a ler sozinha (sem instrução formal — milagre tradicional).
1367 (Carnaval) — recebeu desposório místico com Cristo (anel místico visível só por ela), inaugurando a vida apostólica pública.
1367-1380 — Catarina deixou a reclusão e iniciou serviço público: - Cuidados aos enfermos no hospital de Santa Maria della Scala em Sena (epidemia de peste). - Acolheu pecadores notórios, condenados à morte, prostitutas — vários se converteram. - Atraía discípulos — formou-se ao redor dela um cenáculo (a Bella Brigata) de seguidores leigos e religiosos, incluindo o seu confessor e biógrafo Beato Raimundo de Cápua OP.
Atuação política
- 1374 — convocada a Florença para defender-se da Inquisição. Aprovada.
- 1375 — recebeu estigmas invisíveis (visíveis apenas após sua morte) em Pisa.
- 1376 — viajou a Avinhão para mediar entre o papa Gregório XI e Florença em conflito armado.
- 1376-1377 — convenceu Gregório XI a regressar a Roma, encerrando o “Cativeiro de Avinhão” (1309-1377). Depois Roma volta a ser sede papal definitiva.
- 1378-1380 — Cisma do Ocidente (eleição contestada de Urbano VI). Catarina apoiou Urbano VI em Roma. Escreveu cartas urgentes a cardeais e governantes pedindo unidade.
Morte
Faleceu em Roma, 29 de abril de 1380, aos 33 anos, exausta pelas penitências e pelos jejuns extremos (vivia praticamente só com a Eucaristia nos últimos anos).
Obras
Catarina não sabia escrever (apenas no fim da vida aprendeu rudimentos). Ditou as suas obras a discípulos:
- O Diálogo da Divina Providência (1377-1378) — diálogo místico entre Catarina e Deus Pai. Obra-prima da espiritualidade italiana.
- Cartas (mais de 380) — escritas a papas, cardeais, reis, abades, prostitutas convertidas, prisioneiros, terciários. Documento extraordinário de prosa italiana antiga e da diplomacia eclesiástica do séc. XIV.
- Orações (26 colocacionadas em coleção).
Doutora da Igreja
- Canonizada em 1461 por Pio II.
- Copadroeira da Itália com São Francisco de Assis declarada por Pio XII em 18 de junho de 1939.
- Doutora da Igreja em 4 de outubro de 1970 por Paulo VI — junto com Santa Teresa de Ávila (uma semana antes), as duas primeiras mulheres doutoras.
- Copadroeira da Europa declarada por São João Paulo II em 1° de outubro de 1999 — junto com Brígida da Suécia e Edith Stein (todas declaradas no mesmo ato).
Iconografia
- Hábito branco e capa preta dominicano.
- Lírio ou espinho (estigmas).
- Coração de Cristo ou anel do desposório místico.
- Crucifixo.
- Livro (Doutora).
- Cabeça — em Sena conserva-se a cabeça da santa, doada por Roma à cidade natal.
Backlinks
- Dia litúrgico: por-data/04-abril/29
- Século: por-seculo/seculo-xiv
- País: por-pais/italia
- Doutoras da Igreja:
- Copadroeiras da Europa:
- Terciários dominicanos:
- Místicos italianos:
- Cisma do Ocidente:
- Confessor: raimundo de capua
- Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004

