São Pedro Celestino V
Também conhecido como Pietro da Morrone, Pietro Angelerio, Eremita do Morrone, Papa que abdicou
Identificação
São Pedro Celestino V (1215-1296) — eremita italiano dos Abruzos, fundador dos Celestinos (ramo eremítico beneditino), eleito papa octogenário em 1294 e único papa antes de Bento XVI a renunciar voluntariamente (em 13 de dezembro de 1294, após apenas 4 meses de pontificado). Confinado pelo sucessor Bonifácio VIII no castelo de Fumone, onde morreu em paz em 1296. Canonizado em 1313.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Fumone, perto de Alatri, no Lazio, aniversário da morte de São Pedro Celestino, que, depois de praticar vida eremítica nos Abruzos, célebre por fama de santidade e de milagres, octogenário foi eleito Romano Pontífice, assumindo o nome de Celestino V, mas no mesmo ano abdicou do seu cargo preferindo retirar-se na solidão.
Vida
Pietro Angelerio, conhecido como Pietro da Morrone, nasceu por volta de 1215 no Molise (Itália central), 11º dos 12 filhos de uma família camponesa. Aos 17 anos retirou-se à vida eremítica nas montanhas dos Abruzos, primeiro no monte Morrone (donde Pietro da Morrone), depois no monte Maiella.
Em torno dele formou-se uma comunidade de eremitas. Em 1264, o papa Urbano IV aprovou a sua congregação como ramo eremítico beneditino — os Celestinos, com regra de extrema austeridade, jejum quase contínuo, silêncio, oração da noite.
Após mais de 30 anos de vacância parcial do trono pontifício (com Sé Vagante de 2 anos e 3 meses após a morte de Nicolau IV em 1292), o conclave de Perugia estava paralisado. Em 5 de julho de 1294, em circunstâncias confusas, o eremita octogenário foi eleito papa, atendendo a uma proposta de Carlos II de Anjou (rei de Nápoles) e do cardeal Latino Malabranca.
Pietro recebeu a notícia da eleição em sua cela. Aceitou com hesitação, tomando o nome Celestino V. Coroado em L’Aquila em 29 de agosto de 1294 (não em Roma).
O pontificado durou 4 meses. Pressionado por Carlos II, manipulado por cardeais, sem capacidade administrativa para a Cúria, Celestino consultou canonistas sobre a possibilidade de renúncia papal. Em 13 de dezembro de 1294 — convocou consistório, leu sua renúncia formal (precedente jurídico fundamental) e voltou ao hábito eremítico.
O sucessor Bonifácio VIII (eleito em 24 de dezembro de 1294), temendo cisma, mandou prender Celestino e o confinou no castelo de Fumone, onde morreu em 19 de maio de 1296, com 81 anos.
Renúncia papal — precedente
A renúncia de Celestino V criou precedente canônico para a renúncia papal. Bonifácio VIII confirmou a sua validade na Quoniam aliqui (Sexto Livro das Decretais), estabelecendo formalmente o direito do papa de renunciar.
Esse precedente foi citado por Bento XVI em sua renúncia em 11 de fevereiro de 2013 — sete séculos depois.
Dante e o “grande recusa”
Dante Alighieri, na Divina Comédia (Inferno III, 59-60), coloca Celestino entre os pusilânimes do antinferno:
“colui che fece per viltade il gran rifiuto” (“aquele que por covardia fez a grande recusa”)
— interpretação muito disputada na crítica dantesca. Outros leem a referência como sendo a Pôncio Pilatos, não a Celestino.
Canonização
- Canonizado em 5 de maio de 1313 por Clemente V em Avinhão.
- Restos transferidos para a Basílica de Santa Maria de Collemaggio em L’Aquila — onde foi coroado.
- Em 2009, após o terremoto de L’Aquila, Bento XVI deixou seu pálio (manto papal) sobre as relíquias de Celestino — gesto profético prefigurando a sua própria renúncia em 2013.
Backlinks
- Dia litúrgico: por-data/05-maio/19
- Século: por-seculo/seculo-xiii
- País: por-pais/italia
- Papas santos:
- Renúncias papais:
- Eremitas:
- Celestinos:
- Sucessor (perseguidor): bonifacio viii
- Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004
