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São Cléofas

Identificação

São Cléofas — um dos dois discípulos que caminhavam de Jerusalém para Emaús na tarde do dia da Ressurreição, quando o Senhor Ressuscitado se juntou a eles no caminho e lhes explicou as Escrituras, sendo por fim reconhecido na fração do pão (Lc 24,13-35). O Martirológio Romano comemora-o em 25 de setembro como “discípulo do Senhor”.

Vida

Segundo o Evangelho de São Lucas (24,13-35), no dia da Ressurreição dois discípulos caminhavam de Jerusalém para uma aldeia chamada Emaús, a sessenta estádios de distância, conversando sobre os acontecimentos recentes da Paixão. Jesus Ressuscitado aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles, mas seus olhos estavam como que fechados, e não o reconheceram. Um deles, chamado São Cléofas, respondeu à pergunta do Senhor contando o que se passara em Jerusalém — a condenação e morte do “varão profeta, poderoso em obras e em palavras”, e o relato das mulheres que haviam encontrado o sepulcro vazio. Jesus então lhes explicou as Escrituras, começando por Moisés e por todos os profetas. Chegando perto de Emaús, os dois discípulos constrangeram o caminhante a ficar com eles, “porque se faz tarde e o dia declina”; à mesa, quando ele tomou o pão, o abençoou e o partiu, “abriram-se os seus olhos, e reconheceram-no” — e ele desapareceu de sua vista. Foi então que perceberam: “não sentimos abrasar-se-nos o coração, quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém para anunciar aos Onze que haviam visto o Senhor ressuscitado.

A tradição antiga identifica esse discípulo com o São Cléofas citado por martirológios mais antigos que o Martirológio Romano atual — cujo resumo é reproduzido pelo Padre Rohrbacher — como morador de Emaús, ali morto pelos judeus, na própria casa em que recebera Jesus, por ter confessado a Cristo, e sepultado numa tumba logo venerada como gloriosa. Autores antigos divergem sobre sua identidade exata: alguns o tomam por tio do Senhor; outros associam o discípulo anônimo que o acompanhava a Simão (segundo Orígenes); e há ainda quem confunda São Cléofas com o Simeão que sucedeu São Tiago como bispo de Jerusalém e morreu mártir no ano 107 — confusão que, segundo Rohrbacher, fez com que São Cléofas “tenha passado por mártir desde muitos séculos, pelo menos a partir do século VI ou VII” (citando o testemunho de Adon, em 860, e de Teodósio, no seu Guia da Terra Santa, do século VI). O Martirológio Romano, mais prudente, comemora São Cléofas apenas como discípulo do Senhor, sem afirmar formalmente o martírio.

Elogio do Martirológio

Comemoração de São Cléofas, discípulo do Senhor, que, seguindo em viagem com outro discípulo, sentiu arder-lhe o coração quando Cristo, na tarde da Páscoa, lhes apareceu no caminho e lhes explicava as Escrituras e depois, na povoação de Emaús, reconheceu o Salvador na fracção do pão. — Martirológio Romano, 25 de setembro

Fontes

  • Bíblia, Evangelho de São Lucas 24,13-35 (episódio dos discípulos de Emaús).
  • Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — dia 09-25, ordem 1, elogio PT/IT/LA.
  • Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 16 PG 432-438 — “São Cléofas, discípulo do Senhor” (1º século): narra o episódio bíblico de Emaús na íntegra, discute a tradição do martírio (citando Adon, 860, e Teodósio, séc. VI) e reproduz o resumo de um martirológio antigo sobre a morte de São Cléofas em Emaús. Fonte pré-1900 — sem pesquisa web, por regra do projeto.

Backlinks

  • Dia litúrgico: ../por-data/09-setembro/25
  • Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004
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