São Germano de Paris
Também conhecido como Germano, abade de São Sinforiano, São Germain des Prés
Identificação
São Germano de Paris (c. 496 – 576), monge formado na disciplina dos mosteiros das Gálias, foi abade de São Sinforiano de Autun antes de ser chamado à sede episcopal de Paris. Já bispo, conservou o rigor da vida monástica e tornou-se célebre pela caridade com os pobres e os cativos e pelos muitos milagres atribuídos à sua intercessão. A Igreja celebra sua memória em 28 de maio.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Paris, na Gália, na atual França, São Germano, bispo, que era abade de São Sinforiano em Autun quando foi chamado para a sede episcopal de Paris e, continuando o modo de vida monástica, exerceu com muito fruto o ministério pastoral das almas.
Vida
O menino que escapou da morte
São Germano nasceu no território de Autun, na Borgonha, filho de Eleutério e Eusébia. Ainda no seio materno e depois na infância, escapou de modo prodigioso de duas tentativas contra a sua vida — a última, um envenenamento tramado por uma parenta que cobiçava a herança, frustrado quando os copos foram trocados por engano. Livre desses perigos, foi confiado a um santo sacerdote, seu parente, em cuja casa permaneceu quinze anos, lançando-se ali as primeiras sementes da virtude. Santo Agripino ordenou-o diácono e, três anos depois, sacerdote; e São Nectário, bispo da mesma cidade, atendendo à sua sabedoria e piedade, fê-lo abade do mosteiro de São Sinforiano.
Abade de São Sinforiano
Como abade, São Germano unia grande austeridade — vigílias e abstinência — a uma compaixão sem medida pelos pobres. Certo dia distribuiu aos necessitados todo o pão do mosteiro, e, diante do murmúrio dos monges, fechou-se na cela em pranto e oração; antes de terminada a prece, chegaram à porta dois cavalos carregados de pão, esmola de uma piedosa senhora, seguidos no dia seguinte por um carro de provisões. Desde então atribuiu-se-lhe o dom da profecia e dos milagres: ao rei Teodoberto da Austrásia, encontrado em Châlons, predisse a morte próxima, que de fato sobreveio pouco depois.
Bispo de Paris
Por volta de 555, achando-se junto ao rei Childeberto, São Germano foi eleito bispo de Paris. Na nova dignidade multiplicaram-se as virtudes e os prodígios, atestados por uma testemunha de renome, São Venâncio Fortunato, bispo de Poitiers, que escreveu a vida do santo em verso e em prosa. A caridade de São Germano não conhecia limite: muitas vezes, ficando só com a túnica, cobria com o resto das vestes um pobre despido, padecendo ele próprio o frio; e resgatou tantos cativos que de muitas nações vizinhas — espanhóis, bretões, gascões, saxões, borgonheses — se recorria ao seu nome para a libertação do jugo da escravidão. Quando nada lhe restava para dar, ficava triste e severo; ao receber novos recursos, distribuía-os sem demora, dizendo: «Rendamos graças à clemência divina, porque nos chega algo com que possamos efetuar um resgate.»
Milagres e o testemunho do rei
A vida do santo bispo foi marcada por curas e libertações. Em Avallon, diante de um conde que recusara aliviar os presos, prostrou-se em oração sobre o cárcere até que as cadeias se romperam e as portas se abriram por si sós, e os prisioneiros saíram livres. Curou também o conde Nicásio, ferido de morte, e o próprio rei Childeberto, gravemente enfermo — em sinal de reconhecimento, o rei doou à igreja de Paris a terra onde fora curado. Entre o bispo e o príncipe havia como que uma porfia de caridade: certa vez Childeberto lhe enviou seis mil peças de ouro para os pobres e, sabendo que metade não bastava ao número de necessitados, mandou romper a baixela de ouro e prata para entregá-la também ao santo.
Saint-Germain-des-Prés
O rei Childeberto edificou em Paris uma igreja em honra de São Vicente Mártir, ricamente ornada, cujas chapas de cobre dourado lhe valeram o nome de «São Germano, o Dourado», origem da futura abadia de Saint-Germain-des-Prés. A pedido do rei, São Germano ali estabeleceu uma comunidade de monges, doando para isso muitas terras do próprio patrimônio, e nomeou abade São Drotoveu, seu antigo discípulo de São Sinforiano de Autun, formado segundo as regras de Santo Antão e São Basílio. Childeberto morreu em 23 de dezembro de 558; São Germano consagrou a igreja e celebrou suas exéquias no mesmo dia. O santo bispo de Paris morreu em 28 de maio de 576 e foi sepultado, como havia ordenado, na capela de São Sinforiano, sob a igreja de São Vicente, que com o tempo tomou o nome de Saint-Germain-des-Prés.
Referências
- Rohrbacher, «Vidas dos Santos», vol. 9 (28 de maio — «São Germano, bispo de Paris»).
- Martirológio Romano 2004, 28 de maio.
- Verbete Germano de Paris, na Wikipédia.

