São Guilherme de Gellone
Também conhecido como Guilherme de Aquitânia, Guilherme de Orange, Guilherme I de Tolosa
Identificação
São Guilherme de Gellone (c. 755 – 28 de maio de 812), conde de Tolosa e duque de Aquitânia a serviço de Carlos Magno, é venerado pela Igreja como monge e confessor. Após uma vida inteiramente dedicada à guerra e ao governo no coração do Império Carolíngio, retirou-se do mundo para o mosteiro que ele próprio havia fundado em Gellone, onde viveu e morreu como monge obscuro. A Igreja celebra sua memória em 28 de maio.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
No mosteiro de Gellone, na Gália Narbonense, também na atual França, São Guilherme, monge, que, depois de ter sido uma personagem de grande prestígio na corte do imperador, estimulado pela sua grande simpatia por São Bento de Aniane, tomou o hábito monástico que honrou com exímia virtude.
Vida
Origem e ascensão na corte carolíngia
São Guilherme nasceu por volta de 755 no norte da França. Era filho do conde Thierry e de Aude, filha de Carlos Martel — o que fazia de São Guilherme primo de Carlos Magno pelo lado materno. Criado na órbita da corte franca, cedo demonstrou as qualidades militares e de governo que o tornariam indispensável ao imperador.
Em 790, Carlos Magno confiou-lhe o condado de Tolosa e o ducado de Aquitânia, região de fronteira que exigia um governante capaz tanto de combater as incursões muçulmanas vindas da Hispânia quanto de manter a paz interna num território de populações diversas. São Guilherme correspondeu à confiança do primo: entre suas ações militares mais célebres está a reconquista de Barcelona em 803, consolidando a Marca Hispânica carolíngia ao sul dos Pirenéus.
Amizade com São Bento de Aniane e fundação de Gellone
No exercício do poder, São Guilherme cultivou uma amizade profunda com São Bento de Aniane, o grande reformador do monaquismo beneditino no Ocidente, cujo mosteiro ficava nas proximidades de Tolosa. Essa convivência transformou interiormente o duque guerreiro: sob a direção espiritual de São Bento de Aniane, São Guilherme foi gradualmente atraído pela vida monástica.
Em 5 de dezembro de 804, São Guilherme fundou o mosteiro de Gellone, num vale solitário do Languedoque próximo à localidade de Aniane, confiando-o à direção de São Bento de Aniane e dotando-o generosamente. A fundação refletia tanto a sua piedade pessoal quanto o ideal carolíngio de renovação religiosa que Carlos Magno promovia ao longo de todo o Império.
Conversão e vida monástica
Após obter de Carlos Magno a aceitação de sua renúncia aos cargos militares e civis, São Guilherme tomou o hábito monástico na festa dos Santos Pedro e Paulo, no ano de 806, ingressando como simples monge no mosteiro que ele mesmo havia fundado.
A conversão foi radical e sem retorno ao prestígio anterior. Rohrbacher registra que São Guilherme desejava viver apagadamente, anseando que todos se esquecessem do que havia sido no século — homem considerável e procurado. Passou a assistir ao ofício como todos os demais monges, trabalhava na padaria do mosteiro e servia a comunidade como cozinheiro quando lhe cabia a vez. Mortificava-se com duros jejuns, flagelava-se continuamente e passava a maior parte das noites em oração, ajoelhado no oratório de São Miguel.
Morte e veneração
São Guilherme faleceu em 28 de maio de 812, no mosteiro de Gellone. Segundo Rohrbacher, foi imediatamente venerado como santo pelos que o conheceram. A canonização formal ocorreu em 1066. Ainda nos dias de Rohrbacher, a diocese de Montpellier lhe prestava culto solene. O mosteiro de Gellone — hoje localidade de Saint-Guilhem-le-Désert — tornou-se destino de peregrinação medieval e preserva seu nome até hoje.
A figura de São Guilherme exerceu também enorme atração sobre a imaginação popular medieval: a partir do século XII, tornou-se personagem central de um ciclo épico de chansons de geste francesas, o «Ciclo de Guilherme de Orange», que glorificava suas batalhas contra os mouros. A lenda poética, porém, deve ser distinguida cuidadosamente da vida histórica do santo.
Referências
- Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 9 (28 de maio — «São Guilherme de Gellone, confessor»).
- Martirológio Romano 2004, 28 de maio (Editrice Vaticana).
- Verbete Guilherme I de Tolosa, na Wikipédia em português.
