São Landelino de Crespin
Também conhecido como Landelino, Landelin, Maurosus
Identificação
São Landelino de Crespin (c. 613 – c. 686) — abade e fundador de mosteiros na Gália Merovíngia (atual região fronteiriça entre França e Bélgica). Filho de família nobre franca do Hainaut. Após uma juventude marcada pelo banditismo, converteu-se pela pregação e exemplo de Santo Autberto, bispo de Cambrai. Realizou peregrinação penitencial a Roma e fundou os mosteiros de Lobbes (c. 654), Aulne, Wallers-en-Fagne e Crespin (c. 673), onde morreu e foi sepultado. Venerado pela Igreja como santo desde tempos imemoriais; sua festa é celebrada a 15 de junho.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Crespin, no Hainaut, hoje na França, São Landelino, abade, que, convertido pelo bispo Santo Autberto do banditismo à prática da virtude, fundou o mosteiro de Lobbes, dirigindo-se depois para Crespin, de onde partiu deste mundo.
Vida
A juventude no banditismo e a conversão por Santo Autberto
São Landelino nasceu por volta de 613 numa família nobre franca da região do Hainaut — segundo a tradição, em Vaux ou nas proximidades de Bapaume. Recebeu instrução cristã na infância e foi batizado ainda jovem por Autberto, então clérigo que viria a ser bispo de Cambrai. Nada indicava, portanto, que o jovem Landelino se afastaria tão radicalmente da fé recebida.
Na adolescência, porém, abandonou os estudos e a prática religiosa. Por alguns anos vagou como bandoleiro — o Rohrbacher registra que ficou conhecido pelo apelido de Maurosus (o Sombrio) —, cometendo roubos e violências na região. A tradição hagiográfica refere que a morte súbita de um companheiro de crimes e uma visão aterrorizante o sacudiram profundamente, fazendo emergir a consciência do peso de seus pecados. Por volta de 643, São Landelino apresentou-se ao próprio Santo Autberto — agora bispo de Cambrai —, que o acolheu, o instruiu e o converteu à prática da virtude.
O relato do Martirológio Romano é preciso: foi Santo Autberto quem o “converteu do banditismo à prática da virtude”. Rohrbacher acrescenta que São Landelino, “bandoleiro antes da conversão, quis santificar-se no próprio lugar dos crimes”.
A penitência e a fundação de Lobbes
Após a conversão, São Landelino submeteu-se a um longo período de penitência. Segundo a tradição, peregrinou três vezes a Roma — número que exprime a dimensão de sua reparação. Abraçou em seguida a vida monástica sob a regra rigorosa de São Columbano, própria dos mosteiros irlandeses que então floresciam na Gália Merovíngia.
Por volta de 654, acompanhado dos discípulos Adelino (Adelin) e Domiciano, construiu um primeiro oratório na região do Hainaut, que deu origem ao mosteiro de Lobbes — à beira do rio Sambre, no território da atual Bélgica. Santo Autberto apoiou ativamente a fundação, e o Conde Hidulfo do Hainaut ofereceu seus bens e seu braço secular para o empreendimento, terminando ele próprio os dias no mosteiro, segundo Rohrbacher. Lobbes tornou-se um dos centros monásticos mais importantes da Gália dos séculos VII e VIII.
São Landelino fundou ainda o mosteiro de Aulne (c. 665, em Thuin, atual Bélgica) e o de Wallers-en-Fagne (departamento do Norte, França), sempre atraindo discípulos para a vida contemplativa e penitencial.
O mosteiro de Crespin e a morte
Por volta de 673, São Landelino retirou-se definitivamente para a região de Crespin, no Hainaut — próxima ao atual departamento do Norte da França —, onde fundou o mosteiro que levaria seu nome. Ali viveu os últimos anos de sua vida, entregue à contemplação e à direção espiritual dos monges. O Martirológio Romano situa Crespin “no Hainaut, hoje na França”, indicando que a localidade se encontra no território atualmente francês, embora o Hainaut histórico abranja a atual região belga e a Norte francesa.
São Landelino faleceu em Crespin por volta de 686, como registra o Rohrbacher (“faleceu em 686, na abadia de Crespin”). Sua morte encerrou uma vida que havia percorrido o arco completo da condição humana: da nobreza ao crime, do crime à penitência, da penitência à santidade.
Culto e relíquias
O culto a São Landelino desenvolveu-se sobretudo nos mosteiros que ele próprio fundou e nas regiões do Hainaut e do Norte da França. Suas relíquias — entre elas o maxilar e um braço — foram conservadas em Crespin. Em 836, grande parte das relíquias foi transferida para Boke (atual Delbrück, Westfália, Alemanha), para protegê-las das incursões vikings que então devastavam os mosteiros francos. A translação é testemunho de devoção e da importância que a memória de São Landelino tinha para as comunidades religiosas da época.
O Martirológio Romano 2004 o comemora a 15 de junho, como “abade” — o título que a Igreja lhe atribui —, e o vincula expressamente ao Hainaut e à conversão operada por Santo Autberto. Seus discípulos São Domiciano (que fundou ou governou Crespin e Lobbes) e Santo Hidulfo continuam sua memória no mesmo calendário.
Referências
- Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — Martyrologium Romanum, 15 de junho, entrada 5: “Em Crespin, no Hainaut, hoje na França, São Landelino, abade…” — fonte canônica primária.
- Rohrbacher, René-François — Vidas dos Santos, vol. 10 (ed. PT, Obras Católicas): “São Landelino, abade. Convertido pelo bispo de Cambrai, Santo Autberto, peregrinou a Roma por três vezes. Bandoleiro antes da conversão, quis santificar-se no próprio lugar dos crimes e assim nasceu a abadia de Lobbes. São Landelino, que primeiramente se chamou Morosus, faleceu em 686, na abadia de Crespin.” — fonte secundária PT.
- Rohrbacher, vol. 11: referências a São Domiciano (companheiro de São Landelino em Lobbes e Crespin) e a Santo Hidulfo (co-fundador de Lobbes, séc. VII).
- Wikipedia FR — Landelin de Crespin: dados de nascimento (c. 613), fundações (Lobbes c. 654, Aulne c. 665, Wallers-en-Fagne, Crespin c. 673), translação de relíquias em 836. Língua: francês. Consultada em 2026-05-28.
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