Festa de Santa Maria Madalena

Também conhecido como Maria de Magdala, Apóstola dos Apóstolos, Madalena penitente, Madalena do alabastro

Identificação

Santa Maria Madalena ou Maria de Magdala — discípula próxima de Jesus, libertada por Ele de 7 demônios (Lucas 8,2; Marcos 16,9). Primeira testemunha do Senhor Ressuscitado (Marcos 16,9; João 20,1-18). Apostola Apostolorum (“Apóstola dos Apóstolos”) — título patrístico (Santo Hipólito Romano, séc. III) reconhecido oficialmente pela Igreja moderna.

Em 10 de junho de 2016, o Papa Francisco elevou a memória obrigatória a FESTA litúrgica (decreto da Congregação para o Culto Divino), igualando-a às festas dos Apóstolos. Razão: ela é a primeira a anunciar a Ressurreição.

Elogio (Martirológio Romano 2004 + reforma 2016)

Festa de Santa Maria Madalena, que, depois de ter sido libertada pelo Senhor de sete demônios, seguiu-O fielmente, esteve presente junto à Sua cruz e mereceu ser a primeira testemunha do Senhor ressuscitado e a anunciá-lo aos Apóstolos. Por esta razão é chamada “Apóstola dos Apóstolos”.

Maria Madalena nos Evangelhos

Discipulado de Jesus

Lucas 8,1-3: Jesus percorria cidades e aldeias com os Doze e algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de doenças: Maria Madalena, da qual saíram 7 demônios, Joana esposa de Cusa, Susana e outras, que com seus bens o assistiam.

— Esta passagem indica: - Mulheres como discípulas itinerantes (caso raro na cultura judaica do tempo). - Madalena curada por exorcismo dos 7 demônios — não há base bíblica para identificá-la como prostituta (essa identificação vem da pregação de Gregório Magno no séc. VI, hoje desacreditada). - Madalena tinha bens (“com seus bens o assistiam”) — provavelmente mulher de classe média-alta de Magdala.

Crucifixão (Mateus 27,55-56 / Marcos 15,40-41 / João 19,25)

Junto à cruz estavam: - Maria, mãe de Jesus. - Maria mãe de Tiago e José (irmãos do Senhor). - Maria de Cleófas / mulher de Cleófas. - Maria Madalena. - Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu. - João Evangelista (único apóstolo presente).

Todos os outros 11 apóstolos haviam fugido (Pedro também, antes da terceira negação). Madalena estava entre as mulheres que permaneceram firmes.

Sepultura (Marcos 15,47)

Madalena viu onde Jesus foi sepultado — testemunha da localização do túmulo.

Ressurreição — primeira testemunha (João 20,1-18)

João 20,1: “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de manhã cedo, ainda escuro, e viu a pedra retirada do sepulcro.”

Correu a Pedro e ao outro discípulo (João), anunciando a ausência do corpo. Pedro e João foram, viram, voltaram.

Maria Madalena permaneceu sozinha junto ao sepulcro chorando. Anjos apareceram. Cristo ressuscitado apareceu pessoalmente a ela — primeira aparição da Ressurreição:

“Disse-lhe Jesus: «Mulher, por que choras? A quem procuras?» Ela, julgando que fosse o jardineiro, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei». Disse-lhe Jesus: «Maria!». Voltando-se, disse-lhe ela: «Rabbouni!» (que quer dizer: ‘Mestre’).*

Disse-lhe Jesus: «Não me detenhas, porque ainda não subi para o Pai. Vai, porém, ter com os meus irmãos e dize-lhes: subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus».” (João 20,15-17)

Maria foi anunciar aos Apóstolos: “Vi o Senhor!” (João 20,18).

“Apostola Apostolorum”

O título Apostola Apostolorum (“Apóstola dos Apóstolos”) foi-lhe atribuído por São Hipólito Romano (séc. III) e usado por toda a tradição patrística. Indica:

  1. Foi a primeira a ver o Cristo Ressuscitado.
  2. Foi enviada por Cristo a anunciar a Ressurreição aos Apóstolos.
  3. Os próprios Apóstolos receberam dela a notícia que precede a fundação da Igreja em Pentecostes.

A Pasqua é anunciada por uma mulher — fato teológico-eclesial fundamental.

Bento XVI disse em 2007: “Maria Madalena foi-nos dada como modelo do encontro pessoal com Cristo Ressuscitado”.

Francisco em 2016 elevou a memória a festa igualando-a aos apóstolos: “a Igreja proclama a sua dignidade como apóstola e a sua missão de anunciar a Ressurreição”.

A confusão histórica

Por vários séculos (a partir da pregação de São Gregório Magno em 591), a tradição ocidental conflou 3 mulheres distintas num único personagem “Maria Madalena”:

  1. Maria de Magdala (curada dos 7 demônios — Lucas 8).
  2. Maria de Betânia (irmã de Marta e Lázaro — Lucas 10, João 11-12).
  3. A pecadora arrependida que ungiu os pés de Jesus (Lucas 7,36-50, sem nome).

Esta identificação tripla criou a figura de “Madalena penitente arrependida” da iconografia medieval e barroca.

Reformas modernas (Vaticano II e estudos exegéticos) desfazem essa identificação: - Maria de Betânia ≠ Maria Madalena (cidades, famílias, contextos diferentes). - A pecadora anônima de Lucas 7 ≠ Maria Madalena (Lucas a apresenta separadamente em 8,2). - Madalena NÃO foi prostituta segundo o texto bíblico.

Reforma de 1969 (Paulo VI) separou as memórias e restaurou a identidade autêntica de Maria Madalena.

Tradições posteriores

Tradição oriental

Maria Madalena viajou com a Mãe de Jesus e São João Evangelista para Éfeso, onde teria falecido. Sepultura em Éfeso. Relíquias trasladadas a Constantinopla em 886.

Tradição francesa medieval

Madalena, com Lázaro, Marta, e outros discípulos, perseguidos da Palestina, chegaram à Provença em barco sem leme. Madalena retirou-se à caverna de La Sainte-Baume onde viveu 30 anos em penitência. Faleceu em Aix-en-Provence. Relíquias na Basílica de Saint-Maximin-la-Sainte-Baume desde o séc. IX.

Vézelay (Borgonha) disputou a posse das relíquias na Idade Média — peregrinação maciça medieval.

Lenda do Ovo

Tradição oriental: Maria Madalena anunciou a Ressurreição ao imperador Tibério apresentando-lhe um ovo branco. Tibério zombou: “Ressuscitou? Tanto quanto este ovo agora ficar vermelho!”. O ovo tornou-se vermelho miraculosamente. Origem dos ovos vermelhos da Páscoa ortodoxa.

Iconografia

  • Manto vermelho ou rosa.
  • Cabelos longos soltos (referência ao gesto de enxugar pés de Jesus — fusão com pecadora de Lucas 7).
  • Pote/jarro de alabastro com perfume (atributo principal — referência à unção em Betânia).
  • Crânio (memento mori — meditação penitente em pinturas barrocas).
  • Crucifixo.
  • Caverna (La Sainte-Baume).

Obras famosas: - Tiziano: várias Madalenas Penitentes (1530-1565). - Caravaggio: Madalena em êxtase (1606). - Donatello: estátua de madeira Madalena Penitente (Florença, 1453-55). - Georges de La Tour: Madalenas (várias). - El Greco, Murillo, Rubens, Velázquez.

Mary Magdalene de Tiziano (1531)

Tiziano popularizou o tema “Madalena penitente arrependida” — modelo seguido por gerações.

Backlinks

  • Dia litúrgico: por-data/07-julho/22
  • Século: por-seculo/seculo-i
  • País: por-pais/israel-palestina
  • Mulheres do Evangelho:
  • Mulheres ao pé da cruz:
  • Apóstolos:
  • Apostola Apostolorum:
  • Marta e Lázaro (não confundir): marta
  • Reformas litúrgicas Francisco 2016:
  • Aparições do Ressuscitado:
  • Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004
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