Beato Miguel Kusuriya
Também conhecido como Michael Kusuriya, Bom Samaritano de Nagasáki
Identificação
Beato Miguel Kusuriya (†1633) foi leigo casado, boticário de ofício e responsável pela Confraria da Misericórdia em Nagasáki, no Japão. Por sua dedicação aos doentes e necessitados, é lembrado como o “Bom Samaritano de Nagasáki”. Morreu queimado vivo na colina de execuções de Nishizaka, em Nagasáki, a 28 de julho de 1633, cantando o “Laudate Dominum” até o fim. O Martirológio Romano — numa adição posterior à edição típica de 2004 — o comemora nesse mesmo dia, seu dies natalis. Integra o grande grupo dos 188 Mártires do Japão, beatificados por Bento XVI em 2008.
Vida
Restam poucos dados biográficos precisos sobre o Beato Miguel Kusuriya: viveu em Nagasáki durante a grande perseguição movida pelo xogunato Tokugawa contra os cristãos do Japão, no início do século XVII, e era leigo, casado. O próprio nome pelo qual é conhecido, “Kusuriya” (薬屋), significa em japonês “boticário” ou “loja de remédios” — é provável que tenha ficado registrado por esse nome de ofício, e não por sobrenome de família, como acontecia com frequência entre leigos japoneses convertidos daquele tempo.
Segundo os documentos da causa de beatificação, redigidos em latim nos Acta Apostolicae Sedis (Acta Benedicti Pp. XVI), Miguel Kusuriya era “curator Sodalicii Misericordiae” — isto é, responsável pela Confraria (ou Santa Casa) da Misericórdia de Nagasáki, associação leiga de caridade introduzida pelos missionários portugueses para socorrer doentes, órfãos e pobres. Foi essa dedicação silenciosa aos necessitados que lhe valeu, nas fontes que tratam de sua beatificação, o título de “Bom Samaritano de Nagasáki”.
Preso na perseguição movida contra os cristãos da região, foi condenado a morrer queimado vivo — um dos suplícios impostos pelos magistrados de Nagasáki aos cristãos que se recusavam a apostatar. Ainda vivo nas chamas, em 28 de julho de 1633, foi ao martírio cantando o salmo “Laudate Dominum” (“Louvai ao Senhor”). No mesmo local — a colina de Nishizaka — e nos dias e meses seguintes também padeceram o irmão jesuíta Nicolau Keian Fukunaga, supliciado na cova (suplício conhecido como ana-tsurushi) entre 28 e 31 de julho de 1633, e o padre jesuíta Julião Nakaura Jingoro, torturado até a morte em outubro do mesmo ano; os três formam, nos documentos da causa, o grupo dos “Mártires da colina de Nishizaka, diocese de Nagasáki”.
Miguel Kusuriya foi beatificado por Bento XVI em 24 de novembro de 2008, numa cerimônia celebrada em Nagasáki, junto com outros 187 mártires japoneses mortos entre 1603 e 1639 — grupo encabeçado pelo padre jesuíta Beato Pedro Kibe Kasui. Dos 188 beatificados naquela ocasião, quase todos leigos, muitos morreram decapitados, crucificados, queimados vivos ou escaldados em água fervente, em ódio à fé cristã.
Elogio do Martirológio
Em Nishizaka, localidade de Nagasáki, no Japão, o Beato Miguel Kusuriya, mártir. — Martirológio Romano, adição pós-2004, 28 de julho (fonte vaticana: AAS 102 [2010], 601)
Fontes
- Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana), adição pós-2004 — entrada de 28 de julho, ordem 10; elogio PT via liturgia.pt; fonte vaticana AAS 102 (2010) 601.
- Acta Benedicti Pp. XVI, Acta Apostolicae Sedis (cache local
aas_monthly_10_2010.txt) — decreto/rol de beatificação de Pedro Kibe Kasui e 187 companheiros, grupo M “Martyres e colle Nishizaka, Nagasakii, dioecesis Nagasakiensis”, entrada n. 183: “Michael Kusuriya, pharmacopola, curator Sodalicii Misericordiae, adhuc vivens combustus die xxviii mensis Iulii anno MDCXXXIII, ad martyrium accessit simul canens «Laudate Dominum».” - Cobertura jornalística da beatificação de 24 de novembro de 2008 em Nagasáki (188 Mártires do Japão), incluindo o apelido “Good Samaritan of Nagasaki” e a informação de que era leigo casado — cf. Archdiocese of Baltimore, “188 Japanese martyrs beatified at Mass in Nagasaki”; All Saints Catholic Blog, “Martyrs of Japan”.
