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São Múmulo

Também conhecido como São Mumolo, São Mumolino de Fleury, Mommolin de Fleury, Mommole

Identificação

São Múmulo (também grafado Mumolo, Mumolino ou, em latim, Mummolus) foi o segundo abade do mosteiro beneditino de Fleury — atual Saint-Benoît-sur-Loire, na França — no século VII. Ficou conhecido sobretudo por ter promovido, ainda em vida, a trasladação das relíquias de São Bento de Núrsia (e de Santa Escolástica, sua irmã) de Montecassino para Fleury, gesto que deu ao mosteiro e à vila que o cerca o nome que ainda hoje carregam. Morreu em Bordéus, na Aquitânia, onde foi sepultado e venerado como santo desde então. O Martirológio Romano o comemora em 8 de agosto.

É santo pouco documentado fora da tradição da própria abadia de Fleury e do culto local de Bordéus: não há entrada dedicada a ele em Rohrbacher, a fonte hagiográfica de referência deste projeto, e as fontes disponíveis (Wikipedia, santoral Nominis) divergem entre si nas datas, como registrado acima.

Vida

Segundo a tradição retomada pela abadia de Fleury, Múmulo governou o mosteiro como seu segundo abade por cerca de trinta anos — período situado, conforme a fonte, entre 632 e 663. Foi sob seu abaciado, por volta de 660, que Fleury enviou uma expedição a Montecassino, na Itália, então ameaçada pelas invasões lombardas, para resgatar as relíquias de São Bento de Núrsia; a missão teria sido liderada pelo monge Aigulfo (mais tarde também venerado como santo), com o apoio de monges de Le Mans. As relíquias de Santa Escolástica, irmã de São Bento, teriam ficado em Le Mans, enquanto as de São Bento chegaram a Fleury — dando origem à devoção que rebatizaria o lugar como Saint-Benoît-sur-Loire.

Uma tradição bordalesa mais tardia, atribuída ao monge e historiador Dom Jean Darnal (Santa Cruz de Bordéus, obra de 1618), afirma que Múmulo teria nascido na região de Orléans, filho de pais piedosos, e entrado ainda adolescente no mosteiro de Fleury — mas trata-se de relato hagiográfico sem data nem confirmação independente.

Já idoso, Múmulo peregrinou a Santiago de Compostela. No caminho de volta, exausto, teria parado em Aureilhan, na Gasconha, onde a tradição local lhe atribui o milagre de ter feito brotar uma fonte de água. Chegou então a Bordéus, sendo acolhido pelos beneditinos da abadia de Santa Cruz; ali adquiriu fama de santidade e morreu pouco depois. Foi sepultado na igreja de Santa Cruz, que se tornou por séculos local de peregrinação e um dos cultos mais populares de Bordéus.

Elogio do Martirológio

Em Bordéus, na Aquitânia, também na atual França, São Múmulo, abade de Fleury. — Martirológio Romano, 8 de agosto

Fontes

  • Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — entrada de 08-08, ordem 7 (elogio PT/IT/LA; marcador MR2004* — typica 2004, sem índice; ano 678).
  • Rohrbacher, Vidas dos Santos — sem entrada própria localizada nos 22 volumes digitalizados. A única ocorrência do nome nos volumes (vol. 3, a propósito da vida de Santo Amando) é a de São Mommolin de Noyon, bispo, personagem histórico distinto, citado apenas de passagem como participante de uma cerimônia — não se trata do mesmo santo.
  • Wikipedia (inglês), “Mummolus of Fleury” — biografia (segundo abade de Fleury, c. 632-663; trasladação das relíquias de São Bento de Núrsia por volta de 660; peregrinação a Compostela; morte em Bordéus em 678/679).
  • Nominis (nominis.cef.fr), “Saint Mommole” — biografia alternativa (morte em 8 de agosto de 643; culto centrado na igreja de Santa Cruz de Bordéus; festa local em 9 de agosto).
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