São Narciso de Jerusalém
Identificação
São Narciso de Jerusalém foi bispo de Jerusalém por volta do ano 195, quando já era um ancião — costume da cidade de escolher candidatos de idade avançada ao episcopado, daí a brevidade relativa de muitos desses governos. É comemorado em 29 de outubro no Martirológio Romano 2004 (entrada nº 2 do dia).
⚠️ Correção de pronome: a ficha-stub original usava “Santo Narciso” — incorreto pela regra fonética (N é consoante → São). O próprio elogio oficial do dia 29 de outubro já usa “São Narciso”, confirmando a correção.
Vida
São Narciso ocupou a sé episcopal de Jerusalém já com idade avançada, segundo o costume local de escolher bispos anciãos — o que também explica a brevidade de muitos episcopados jerosolimitanos daquele tempo.
Conta a tradição relatada por Pe. Rohrbacher que, certa vez, faltando azeite para as lâmpadas da igreja justamente durante a Páscoa — quando os fiéis literalmente tomavam o templo —, São Narciso ordenou aos diáconos que lhe trouxessem água; abençoou-a, e mandou que a usassem nas lâmpadas. Ao ser derramada, a água se transformou em azeite.
Homem de grande santidade, foi também vítima de calúnia: três homens de vida devassa da cidade, irritados por serem severamente repreendidos pelo bispo, urdiram contra ele uma acusação falsa, confirmando-a com juramentos temerários — um declarou que desejava morrer queimado caso mentisse; outro, que fosse coberto pela lepra; o terceiro, que ficasse cego. O povo, que conhecia a origem da acusação, não acreditou na calúnia e permaneceu ao lado do santo bispo — mas São Narciso, que há muito desejava a vida solitária, aproveitou o episódio para deixar a cidade, retirando-se para lugar ignorado. Pouco depois, cada um dos caluniadores foi atingido pela própria maldição jurada: o primeiro morreu queimado no incêndio da própria casa; o segundo cobriu-se da cabeça aos pés de uma única chaga terrível; o terceiro chorou tanto de terror diante desses fatos que ficou cego para sempre.
Tempos depois, São Narciso reapareceu em Jerusalém e foi recebido triunfalmente, retomando o cargo episcopal. Já muito idoso e incapaz de continuar plenamente suas funções, deixou pouco depois o exercício ativo do episcopado.
O elogio do Martirológio Romano acrescenta que São Narciso esteve em pleno acordo com o Papa São Vítor I na controvérsia sobre a data da celebração da Páscoa cristã (controvérsia quartodecimana), afirmando que o mistério da Ressurreição do Senhor só podia ser celebrado num domingo — posição que prevaleceria na Igreja universal.
Não se conhece o ano exato de sua morte, ocorrida em idade muitíssimo avançada; Santo Epifânio situa-a em 222, ou pouco antes.
Elogio do Martirológio
Comemoração de São Narciso, bispo de Jerusalém, digno de louvor pela sua santidade, paciência e fé, que, em pleno acordo com o papa São Vítor acerca da data da celebração da Páscoa cristã, afirmou que o mistério da Ressurreição do Senhor não podia celebrar-se senão no domingo. Aos cento e dezasseis anos de idade descansou piedosamente no Senhor.
— Martirológio Romano 2004, 29 de outubro
Fontes
- Martirológio Romano (Editrice Vaticana, 2004), 29 de outubro — elogio oficial (via
por-data/10-outubro/29.md). - Pe. J. Rohrbacher, História Universal da Igreja, vol. 19 — verbete dedicado “São Narciso, Bispo [de Jerusalém]”, 29 de outubro (episódio do azeite pascal e da calúnia).
Backlinks
- Dia litúrgico: ../por-data/10-outubro/29
- Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004

