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Santo Otão de Bamberg

Também conhecido como Otto de Bamberg, Otão, Apóstolo da Pomerânia

Identificação

Santo Otão de Bamberg (c. 1060–1139) — oitavo bispo de Bamberg (1102–1139), chanceler do imperador Henrique IV, mediador na Questão das Investiduras e evangelizador dos povos eslavos da Pomerânia. Conhecido como o Apóstolo da Pomerânia, realizou duas missões à região báltica (1124–1125 e 1128), fundou mais de trinta mosteiros e hospitais entre a Caríntia e a Saxônia, e foi canonizado em 1189 pelo Papa Clemente III.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Bamberg, na Francónia, na hodierna Alemanha, Santo Otão, bispo, que evangelizou com grande zelo os Pomeranos.

Vida

O chanceler e o bispo de Bamberg

Santo Otão nasceu por volta de 1060 na Suábia, de família nobre com recursos modestos. Orfão de pai ainda jovem, cursou humanidades e filosofia sem que a família pudesse custear os estudos superiores. Para não ser encargo dos seus, partiu para a Polônia, onde os homens de letras eram raros: abriu uma escola, aprendeu o idioma local e fez-se estimar por nobres e príncipes pela vida irrepreensível e pelo talento diplomático. O duque da Polônia serviu-se dele como intermediário com o Sacro Império Romano-Germânico. Apresentado assim ao imperador Henrique IV, foi retido na corte imperial e nomeado chanceler (c. 1101), função em que se destacou ao dirigir as obras da Catedral de Speyer.

Em 1102, Henrique IV nomeou-o bispo de Bamberg. Consciente do espinhoso contexto da Questão das Investiduras — em que a nomeação de bispos por príncipes seculares estava no centro do conflito entre o papa e o imperador —, Santo Otão recusou por duas vezes o cargo antes de aceitar a terceira indicação. Escreveu imediatamente ao Papa Pascoal II, declarando que não manteria o bispado se o pontífice não o investisse canonicamente. O papa recebeu com alegria aquela atitude rara num reino em que poucos bispos prestavam a devida obediência a Roma. Após três anos de espera — devidos à confusão política na Alemanha — Santo Otão foi a Roma, onde Pascoal II o sagrou bispo pessoalmente em Pentecostes de 1106, dispensando-o do juramento de costume, sinal de singular confiança apostólica.

A mediação na Questão das Investiduras

Sagrado em condições canônicas impecáveis, Santo Otão governou Bamberg com autoridade e prudência. Em 1121, no Congresso de Würzburg, atuou como principal mediador entre o papa e o imperador Henrique V, negociando o acordo que resultaria na Concordata de Worms (1122) — tratado que encerrou formalmente a Questão das Investiduras ao distinguir a investidura espiritual (reservada ao papa) da investidura temporal (reservada ao imperador). Para o episcopado alemão, foi o documento que restaurou a paz eclesiástica depois de décadas de cisma e guerra.

Durante os vinte anos que antecederam as missões à Pomerânia, Santo Otão governou sua diocese como pastor zeloso, favorecendo intensamente a vida religiosa. Fundou quinze mosteiros e seis priorados em sua diocese e em outras da Alemanha (as fontes ocidentais, incluindo a Wikipedia en, falam de mais de trinta instituições entre mosteiros e hospitais espalhados entre a Caríntia e a Saxônia). Transformava os bens do bispado em esmolas e hospitais para os pobres.

As missões à Pomerânia e a conversão dos eslavos

A Pomerânia — região eslava à margem do Mar Báltico, correspondente ao nordeste da atual Alemanha e ao noroeste da atual Polônia — permanecia pagã quando o Papa Calixto II e o duque Boleslau III da Polônia solicitaram a Santo Otão que fosse evangelizá-la. O pedido chegou-lhe como voz do céu; ele consultou seu capítulo, pediu a bênção papal e o beneplácito imperial, e em maio de 1124 comunicou à dieta reunida em Bamberg o início dos preparativos.

Primeira missão (1124–1126): Partindo no dia seguinte a São Jorge — 24 de abril de 1125 —, Santo Otão atravessou a Boêmia e a Polônia acompanhado de sacerdotes, intérpretes e provisões abundantes. O duque da Polônia recebeu-o com honra e forneceu-lhe guias. Cruzando a fronteira, entrou na Pomerânia e batizou os primeiros trinta neófitos ainda no caminho para Piritz (Pyrzyce), onde quatro mil habitantes reunidos para uma festa pagã terminaram por pedir o batismo. Ficou em Piritz cerca de três semanas, catequizando e batizando aproximadamente sete mil pessoas. Passou depois a Camin (Kamień Pomorski), onde o próprio duque Vratislau renunciou publicamente às concubinas, e a Stetin (Szczecin), capital da Pomerânia, onde encontrou resistência inicial mas acabou por passar três meses instruindo e batizando a população inteira, que destruiu os próprios ídolos. Regressou a Bamberg antes do Domingo de Ramos de 1126, após quase um ano de ausência.

Segunda missão (1128): Partes da Pomerânia haviam recaído no paganismo. Com a bênção do Papa Honório II e o beneplácito do rei Lotário III, Santo Otão partiu novamente na Quinta-Feira Santa de 1127, desta vez pela Saxônia, evangelizando populações que não visitara antes. Chegando a Magdeburgo, foi recebido com honra por São Norberto. Percorreu a diocese de Havelsberg e regiões interiores da Pomerânia. Na assembleia de Uznoim (Usedom), convocada pelo duque Vratislau no dia de Pentecostes, os príncipes e anciãos abraçaram coletivamente a fé cristã, após longa deliberação em que os sacerdotes dos ídolos tentaram em vão impedir a conversão. As cidades de Temin e Hologait foram visitadas por seus capelães. Encerrou a segunda missão regressando a Bamberg na véspera da festa de São Tomás Apóstolo, 20 de dezembro, após converter pela segunda vez a Pomerânia.

No total, as duas missões resultaram no batismo de aproximadamente 22.000 pessoas e na fundação de onze igrejas na Pomerânia. Santo Otão deixou no país sacerdotes formados e uma estrutura eclesiástica nascente. O duque da Polônia nomeou bispo da Pomerânia Alberto, um dos capelães que Santo Otão trouxera.

Morte e canonização

Santo Otão faleceu em Bamberg em 30 de junho de 1139, após quarenta e sete anos de vida pública a serviço da Igreja e do Império — como chanceler, como bispo e como apóstolo. As duas Vitae escritas por contemporâneos seus (Ebo e Herbord) são fontes primárias de excepcional valor.

Em 1189, o Papa Clemente III o canonizou solenemente em Roma, proclamando-o santo da Igreja universal. É venerado como Apóstolo da Pomerânia e figura entre os patronos da Arquidiocese de Bamberg e como copadroeiro da Arquidiocese de Berlim e da Diocese de Szczecin-Kamień — as mesmas terras que evangelizou no século XII.

Referências

  • Vita Sancti Ottonis — Ebo (biógrafo contemporâneo, Acta SS., 2 iulii)
  • Vita Sancti Ottonis — Herbord (biógrafo contemporâneo, Acta SS., 2 iulii)
  • Rohrbacher, R. F. Vidas dos Santos [trad. portuguesa], vol. 12, cap. “Santo Oto — Bispo de Bamberg, Apóstolo da Pomerânia” — fonte principal desta ficha (PT)
  • Martyrologium Romanum (Editio Typica Altera, Libreria Editrice Vaticana, 2004) — elogio em latim e italiano; versão portuguesa via liturgia.pt
  • Wikipedia DE: Otto von Bamberg (DE) — confirmado nascimento c. 1060 na Suábia, episcopado 1102, canonização 1189
  • Wikipedia EN: Otto of Bamberg (EN) — confirmado chanceler c. 1101, Concordata de Worms 1122, missões 1124 e 1128, mais de 30 mosteiros/hospitais, ~22.000 batizados, canonizado por Clemente III 1189
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