Santas Perpétua e Felicidade, mártires
Também conhecido como Mártires de Cartago, Vibia Perpetua e Felicitas, Mártires da Anfiteatro
Identificação
Santas Perpétua e Felicidade († 7 de março de 203) — duas mulheres jovens, de classes sociais opostas (Perpétua = matrona romana patrícia jovem mãe; Felicidade = escrava grávida), mártires juntas em Cartago (Norte de África romana, atual Tunísia), com 4 companheiros (Saturo, Saturnino, Revocato, Secúndulo) durante a perseguição de Septímio Severo (202-203). Memória obrigatória universal. Mencionadas nominalmente no Cânone Romano (1ª Oração Eucarística): “Felicitas, Perpetua, Agatha, Lucia…” — entre as 7 santas comemoradas explícitamente toda vez que se reza o Cânone Romano.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Memória das santas Perpétua e Felicidade, mártires, que, em Cartago, na atual Tunísia, sob o imperador Septímio Severo, com Saturo, Saturnino, Revocato, Secúndulo e outros companheiros mártires foram dadas às feras na arena, da qual uma matrona, jovem mãe, e a outra escrava, grávida, alcançaram juntas a coroa do martírio.
Fonte primária — Passio Sanctarum Perpetuae et Felicitatis
A Passio das Santas Perpétua e Felicidade é um dos textos cristãos mais notáveis da Antiguidade:
- Escrita parcialmente pelas próprias mártires — Perpétua escreveu o diário durante o cativeiro, em primeira pessoa.
- Saturo completou com seu próprio relato.
- Editor anônimo (provavelmente Tertuliano) acrescentou contexto e a narrativa do martírio.
Texto fundamental sobre a experiência feminina cristã do martírio. Lido pública nas igrejas africanas até o tempo de Santo Agostinho (séc. V).
Vida e martírio (segundo a Passio)
Cativeiro
203 d.C. — Septímio Severo proibiu novas conversões ao cristianismo. Em Cartago, 5 catecúmenos foram presos logo antes do batismo:
- Vibia Perpetua — matrona romana, 22 anos, casada, com filho de poucos meses (recém-nascido amamentado), de família patrícia influente. Pai ainda pagão.
- Felicitas — escrava de 18-20 anos, grávida de 8 meses.
- Saturo — sacerdote ou catequista (entregou-se voluntariamente para acompanhar os outros).
- Saturnino — catecúmeno.
- Revocato — escravo de Felicidade.
- Secundulo — catecúmeno (morreu na prisão antes do martírio).
Foram batizados na prisão.
Diário de Perpétua
Perpétua escreveu em primeira pessoa, com candura singular, narrando: - Visitas do pai que insistia para que apostatasse: “Pai, vês este vaso aí?… Posso eu chamá-lo de outro nome senão o que ele é? Assim também eu sou apenas o que sou — uma cristã.” - Sofrimento por separação do filho lactente. - Visões espirituais: vê escada de ouro guardada por dragão (Cristo crucificado a ajuda a passar), e o irmão falecido Dinócrates, criança morta em pecado, que ela liberta com orações (texto fundamental para a doutrina do purgatório entre os Padres latinos).
Felicidade dá à luz na prisão
Felicidade tinha temor de não morrer mártir com os companheiros, pois a lei romana proibia executar grávidas. Dois dias antes do espetáculo, deu à luz menina, entregue a uma irmã cristã. Felicidade foi liberada para o anfiteatro.
O martírio (7 de março de 203)
Aniversário do imperador Geta (filho de Septímio Severo) foi celebrado com espetáculos no anfiteatro de Cartago. Os 5 mártires (Perpétua, Felicidade, Saturo, Saturnino, Revocato) foram entregues às feras.
Os mortos
- Saturnino e Revocato: fritado por leopardo depois retornados à arena.
- Saturo: jogado a urso e leopardo, sobreviveu até decapitação.
- Perpétua e Felicidade: jogadas a vaca brava (símbolo de zombaria contra mulheres). Atiradas para o ar várias vezes. Ainda vivas, abraçaram-se em sinal de paz, foram cumpridas com punhal dos gladiadores.
Antes da morte, Perpétua orientou a mão hesitante do gladiador para a sua própria garganta (testemunho impressionante).
Significado
Mulheres como mártires-modelo
A Passio é um dos primeiros textos cristãos centrados em mártires femininas. Mostra: - Igualdade radical diante do martírio: matrona e escrava juntas. - Maternidade conjugada com martírio (caso de Perpétua e Felicidade, ambas mães recentes). - Visões diretas de mulheres comuns como teólogos (paralelas a Padres bispos).
Fontes do Purgatório
O episódio do pequeno Dinócrates (irmão morto de Perpétua, alivada com suas orações) é texto fundamental para a doutrina do purgatório — citado por Santo Agostinho (Confissões IX, 12) e Padres da Igreja.
No Cânone Romano
Estão entre as 7 santas explicitamente comemoradas no Cânone Romano (1ª Oração Eucarística):
“Communicantes… cum sanctis… Felicitate, Perpetua, Agatha, Lucia, Agnete, Caecilia, Anastasia…”
— privilégio de frequência diária da liturgia raramente concedido.
Iconografia
- Duas mulheres jovens lado a lado, abraçadas.
- Uma com manto patrício (Perpétua), outra com vestes simples (Felicidade).
- Vaca brava ou animais selvagens ao pé.
- Palmas do martírio.
- Gladiador com punhal (cena dramática).
Obras: pinturas medievais e barrocas em mosaicos da Capela Arcebispal de Ravena.
Backlinks
- Dia litúrgico: por-data/03-marco/07
- Século: por-seculo/seculo-iii
- País: por-pais/tunisia
- Mulheres mártires da Antiguidade:
- Mártires de Cartago:
- 7 mártires do Cânone Romano:
- Outros do canon: agueda · lucia de siracusa · ines de roma · cecilia
- Passio (texto fundamental):
- Doutrina do purgatório (Dinócrates):
- Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004

