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São Sebastião, mártir

Também conhecido como Sebastião de Narbona, Mártir das Flechas, Padroeiro do Rio de Janeiro

Identificação

São Sebastião (c. 256-288) — soldado romano, oficial da Guarda Pretoriana sob Diocleciano, mártir cristão. Tradição: flechado pelos próprios soldados, sobreviveu, foi curado por Santa Irene (mãe de outro mártir), depois enfrentou novamente Diocleciano e foi espancado até a morte com bastões. Padroeiro dos soldados, militares, atletas, esportistas, contra a peste (Idade Média), e principal padroeiro da cidade do Rio de Janeiro.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Memória de São Sebastião, mártir, que, segundo a tradição, oficial da corte imperial de Roma, intrépido na confissão da fé, foi submetido a inumeráveis tribulações pelo imperador Diocleciano e coroado pela palma do martírio.

Vida (segundo a Passio Sebastiani, séc. V)

A Passio é hagiografia tardia (séc. V?), com elementos lendários. Núcleo histórico: soldado romano cristão, mártir em Roma sob Diocleciano, sepultado nas catacumbas que levam seu nome.

Origens

Sebastião nasceu por volta de 256 em Narbona (Gália Narbonense, atual sul da França) — segundo a tradição. Outras fontes indicam Milão. Família patrícia romana cristã.

Carreira militar

Aos 20 anos, alistou-se no exército romano em Roma para servir secretamente os cristãos perseguidos. Distinguiu-se rapidamente: - Oficial da Guarda Pretoriana (elite que protegia o imperador). - Promovido por Diocleciano, sem revelar sua fé.

Apostolado discreto

Encarregava-se de sustentar e encorajar os cristãos presos. Visitou clandestinamente Marco e Marceliano (irmãos cristãos presos, vacilantes diante da execução) — convenceu-os a permanecer firmes. Foram martirizados.

Convertia oficiais romanos: incluindo Cromácio, prefeito de Roma (que se demitiu para abraçar o cristianismo), Tibúrcio (filho de Cromácio), e outros.

Denúncia e martírio

287-288: foi denunciado ao imperador. Diocleciano o confrontou pessoalmente. Sebastião confessou a fé. Sentenciado à morte.

Primeira execução: flechado pelos próprios soldados num campo aberto. Os soldados o atingiram com muitas flechas até considerá-lo morto, mas uma viúva chamada Irene, ao buscar o corpo para sepultar, encontrou-o vivo. Curou-o em sua casa.

Restabelecido, Sebastião NÃO fugiu — voltou ao palácio imperial e confrontou Diocleciano publicamente, repreendendo-o pela perseguição.

Diocleciano, atônito, ordenou espancamento até a morte com bastões. Corpo lançado na cloáca máxima de Roma (esgoto).

Santa Lucina, viúva cristã, recebeu em sonho instruções para recuperar o corpo. Encontrou-o, sepultou-o nas catacumbas da via Appia — onde hoje fica a Basílica de São Sebastião Fora dos Muros (uma das 7 igrejas peregrinas de Roma).

Devoção

Padroeiro contra a peste

A partir do séc. VII (peste de 680 em Roma), São Sebastião foi invocado contra a peste. Razão simbólica: as flechas eram metáforas da peste que descia subitamente do céu.

Procissão dos Lirios em Roma (680) atribuída a sua intercessão pelo fim da peste — canonização popular do patrocínio.

Renascimento (séc. XIV-XV): muitos santuários a São Sebastião foram erguidos em vilas e cidades europeias atingidas por surtos de Peste Negra. Pio IV (séc. XVI) confirmou oficialmente o patrocínio.

Padroeiro dos soldados

Padroeiro universal dos soldados, militares, policiais, atletas (devido ao seu corpo musculoso retratado nas pinturas).

Padroeiro do Rio de Janeiro

Brasil: a cidade do Rio de Janeiro foi fundada por Estácio de Sá em 1° de março de 1565 com o nome São Sebastião do Rio de Janeiro. 20 de janeiro é feriado civil em vários municípios fluminenses.

Catedral Metropolitana de São Sebastião no Rio, com 75 metros de altura — uma das maiores do mundo.

Procissão marítima anual no Rio.

Iconografia

  • Jovem nu (ou em vestes mínimas) atado a um tronco/coluna.
  • Flechas atravessando o corpo.
  • Expressão serena (não de dor — devocional).
  • Coroa do martírio.
  • Palma do martírio.

São Sebastião é um dos santos mais representados na arte ocidental. Uma das justificações artísticas do nu na pintura cristã — corpo ideal masculino na arte renascentista.

Obras famosas: - Andrea Mantegna: 3 versões (Viena, Veneza, Paris). - Antonello da Messina (1475-78). - Sandro Botticelli (1474). - Pietro Perugino, Tiziano, El Greco, Guido Reni (vários). - Sodoma, Albani.

Catacumbas de São Sebastião

A Basílica de São Sebastião Fora dos Muros em Roma (Via Appia Antiga, 136) é uma das 7 grandes igrejas de Roma (junto com São Pedro, São Paulo Fora dos Muros, São João de Latrão, Santa Maria Maior, Santa Cruz de Jerusalém, São Lourenço Fora dos Muros).

Foi lá que viveram clandestinos os corpos de Pedro e Paulo durante a perseguição de Valeriano (séc. III), antes de serem trasladados às respectivas basílicas. Devoção peregrina muito antiga.

Backlinks

  • Dia litúrgico: por-data/01-janeiro/20
  • Mesmo dia: São Fabiano papa (predecessor martirizado em 250)
  • Século: por-seculo/seculo-iii
  • País: por-pais/italia · por-pais/frança (tradição)
  • Mártires da perseguição de Diocleciano:
  • Padroeiros dos militares:
  • Padroeiro do Rio de Janeiro: por-pais/brasil
  • Padroeira contra a peste:
  • 7 basílicas peregrinas de Roma:
  • Catacumbas de São Sebastião:
  • Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004
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