Beatos Tomás Ford, João Shert e Roberto Johnson

Também conhecido como Thomas Ford, John Shert, Robert Johnson, mártires de Tyburn (1582)

Identificação

Beatos Tomás Ford, João Shert e Roberto Johnson — três presbíteros ingleses formados nos colégios continentais do exílio católico, que exerceram o ministério clandestino na Inglaterra protestante de Isabel I e foram enforcados juntos no patíbulo de Tyburn, em Londres, a 28 de maio de 1582, após terem sido condenados com base numa acusação forjada de conspiração contra a rainha. A Igreja celebra sua memória em 28 de maio.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Londres, na Inglaterra, os beatos Tomás Ford, João Shert e Roberto Johnson, presbíteros e mártires, que, no reinado de Isabel I, falsamente acusados de conjura, foram condenados à morte e suspensos ao mesmo tempo no patíbulo de Tyburn.

Vida

Os padres ingleses formados no continente

A perseguição religiosa instaurada pela Reforma anglicana obrigou muitos jovens católicos ingleses a buscar formação sacerdotal nas universidades e seminários do continente. É nesse contexto que Tomás Ford, João Shert e Roberto Johnson receberam as ordens sagradas e se prepararam para regressar secretamente à sua pátria.

Tomás Ford nasceu em Devonshire. Formou-se em Artes pelo Trinity College de Oxford (Mestre em Artes em 24 de julho de 1567) e chegou a ser fellow da mesma instituição. Partiu depois para o Colégio Inglês de Douai, onde foi ordenado presbítero em março de 1573, em Bruxelas, e obteve o grau de Bacharel em Teologia em 2 de maio de 1576. De regresso à Inglaterra, exerceu o ministério como capelão em casas de famílias católicas do interior, servindo, entre outros lugares, em Lyford Grange, junto às monjas brigitinas.

João Shert nasceu perto de Macclesfield, no condado de Cheshire, na propriedade familiar conhecida como Shert Hall. Estudou no Brasenose College de Oxford, onde obteve grau em 1566. Entrou no seminário em 1576 e foi ordenado no Colégio Inglês de Roma; serviria depois também no Colégio Inglês de Reims. Chegou à Inglaterra em 27 de agosto de 1579 para iniciar o ministério clandestino.

Roberto Johnson nasceu em Shropshire. Integrou o Colégio Germânico de Roma a 1 de outubro de 1571 e foi ordenado presbítero pelo Colégio Inglês de Douai, em Bruxelas. Após uma peregrinação a Roma em 1579, regressou à Inglaterra em 1580, onde foi preso logo em 12 de julho do mesmo ano, ficando detido no Poultry Counter e depois na Torre de Londres, onde sofreu torturas a partir de 5 de dezembro.

A acusação forjada de conspiração

Os três padres foram julgados separadamente, mas a mesma acusação infame pesou sobre todos: teriam participado de uma conspiração — chamada pelos acusadores de “Trama de Roma e de Reims” — para derrubar a rainha Isabel I. A acusação fundava-se num estatuto de traição de 1351, reinterpretado para criminalizar o simples exercício do ministério sacerdotal católico na Inglaterra.

Tomás Ford foi preso em 17 de julho de 1581 por um espião do governo chamado George Eliot, ao mesmo tempo que o célebre padre jesuíta Edmundo Campião, na casa de Lyford Grange. Levado para a Torre de Londres a 22 de julho, foi torturado e julgado a 16 de novembro de 1581, ao lado de João Shert. A acusação era risível: imputava-lhe conspirar em Roma e em Reims em datas em que ele podia demonstrar ter estado em território inglês. Foi condenado a 21 de novembro.

João Shert foi preso em 14 de julho de 1581. No julgamento de 16 de novembro, no Queen’s Bench de Westminster Hall, demonstrou da mesma forma que se encontrava na Inglaterra quando a suposta conspiração teria ocorrido em Roma e em Reims. Ao ser convidado pelo xerife a pedir perdão à rainha, respondeu com serenidade que era “culpado de nenhum delito”.

Roberto Johnson foi julgado em sessão distinta do outono de 1581, junto com Edmundo Campião e outros dezassete sacerdotes. Condenado a 20 de novembro, aguardou a execução por mais de seis meses na prisão.

O martírio em Tyburn, 28 de maio de 1582

No dia 28 de maio de 1582, os três beatos foram levados ao patíbulo de Tyburn — lugar habitual das execuções de mártires católicos na Londres isabelina. Tomás Ford foi executado primeiro, João Shert em segundo, Roberto Johnson por último. A forma de execução era o enforcamento seguido de esquartejamento, pena reservada aos condenados por alta traição.

Roberto Johnson permaneceu presente durante a execução de João Shert antes de subir ao patíbulo. Quando instado a rezar em inglês, respondeu com a pergunta que o eternizou: “Por acaso Cristo ensinava em inglês?” — afirmando assim a catolicidade da fé que professava e pela qual morria.

Os três padres morreram sem abjurar e sem pedir a misericórdia da rainha, testemunhando a fé católica com a mesma firmeza com que a haviam pregado em silêncio pelas casas da Inglaterra protestante.

A beatificação de 1886

Trezentos e quatro anos depois do martírio, o papa Leão XIII beatificou solenemente Tomás Ford, João Shert e Roberto Johnson em 29 de dezembro de 1886, como parte da beatificação dos mártires ingleses e galeses que morreram pela fé durante a perseguição protestante dos séculos XVI e XVII. A Igreja inscreve sua festa no calendário a 28 de maio, data do martírio.

Referências

  • Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana), 28 de maio — elogio dos beatos Tomás Ford, João Shert e Roberto Johnson.
  • Wikipedia (en): Thomas Ford (martyr); John Shert; Robert Johnson (martyr). Fontes em inglês; dados de nascimento, formação, prisão, julgamento e execução confirmados cruzando os três verbetes. A Wikipedia de Roberto Johnson indica a beatificação em 29/12/1889, divergindo de Tomás Ford e João Shert (1886); o MR 2004 trata os três como grupo único de beatos — data de 1886 seguida aqui como canônica, registrando a divergência para revisão futura.
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