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Santa Ubaldesca de Pisa

Também conhecido como Ubaldina, Ubaldesca Taccini

Identificação

Santa Ubaldesca de Pisa (c. 1136 – c. 1206), nascida em Calcinaia, na Toscana, filha de família de camponeses, entrou ainda adolescente para o convento de San Giovannino em Pisa, vinculado à Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém. Ali permaneceu por mais de meio século, exercendo as obras de misericórdia entre enfermos e necessitados até a morte. O Martirológio Romano 2004 a insere com o nome de Ubaldina — variante hagiográfica recorrente na tradição toscana —, mas a forma Ubaldesca (do latim Ubaldesca) é o nome canônico adotado pelo culto local em Pisa e em Calcinaia, bem como pela historiografia católica moderna.

A Igreja celebra sua memória em 28 de maio.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Pisa, na Etrúria, hoje na Toscana, região da Itália, Santa Ubaldina, virgem, que, desde os dezasseis anos de idade até à morte, durante cinquenta e cinco anos praticou infatigavelmente num hospício as obras de misericórdia.

Vida

Vocação aos dezasseis anos

Santa Ubaldesca nasceu por volta de 1136 em Calcinaia, pequena localidade na margem sul do Arno, a poucos quilómetros de Pisa, de família de camponeses. Nada se sabe com certeza de seu nome de família; a tradição posterior registou-a como Ubaldesca Taccini, mas a certeza documental é limitada.

Com cerca de dezasseis anos, ela abandonou o ambiente rural e familiar e dirigiu-se a Pisa, onde ingressou no convento de San Giovannino — casa religiosa feminina vinculada à Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém, a mesma que mantinha o Grande Hospital de Jerusalém e que em Pisa sustentava um hospício para pobres e doentes. Não se trata de uma vocação monástica de clausura contemplativa, mas de uma vida consagrada que se exercia inteiramente na caridade ativa: receber, alimentar, cuidar e enterrar.

Vida no hospício e obras de misericórdia

O Martirológio Romano é preciso: cinquenta e cinco anos de serviço ininterrupto. Se o ingresso ocorreu por volta de 1152 (aos dezasseis), e se a morte ocorreu por volta de 1205-1206, a conta corresponde. Santa Ubaldesca dedicou toda a vida adulta ao cuidado de enfermos, pobres e peregrinos que passavam pelos portos e pelas rotas toscanas.

As fontes medievais e a tradição piana atribuem-lhe severas práticas ascéticas — jejuns prolongados, privações voluntárias — que contrastavam com a solicitude exuberante com que tratava os que sofriam. A santidade que a tradição lhe reconhece não se exprimiu por escritos, pregações ou fundações, mas pela perseverança silenciosa no serviço concreto dos que não tinham ninguém.

O único milagre narrado pelas fontes com algum detalhe é a transformação da água de um poço em vinho: segundo a tradição, Santa Ubaldesca, estando a servir os pobres no hospício junto à Igreja do Santo Sepulcro em Pisa, encontrou-se sem vinho e fez uma oração diante do poço; a água tornou-se vinho, e os presentes ficaram maravilhados. O episódio, de clara ressonância evangélica (João 2,1-11), é o sinal que a devoção popular escolheu para exprimir a sua confiança na intercessão da santa.

Morte e culto

Santa Ubaldesca morreu em Pisa, provavelmente em 28 de maio de 1206 — data que a Igreja fixou como sua festa. A Wikipedia IT regista o ano de 1205, mas a tradição hagiográfica mais corrente, que conjuga os cinquenta e cinco anos de serviço a partir de c. 1151-1152, aponta para 1206; a incerteza de um ano é própria da cronologia medieval e não compromete a fiabilidade do conjunto.

O culto local cresceu rapidamente em Pisa e no contado pisano. O papa Sisto V (1585-1590) concedeu indulgência plenária para os fiéis que visitassem a igreja maltesa em Pisa no dia da sua festa — confirmação de um culto já estabelecido. A canonização formal não está documentada; a veneração como santa é antiquíssima e foi confirmada pelo calendário litúrgico.

Em 24 de maio de 1924, por ordem do cardeal Pietro Maffi, arcebispo de Pisa, as relíquias de Santa Ubaldesca foram transladadas solenemente para a pieve de Calcinaia, sua terra natal, onde são veneradas até hoje pela comunidade local e pela Ordem de Malta.

Nota sobre o nome: Ubaldesca e Ubaldina

O Martirológio Romano 2004 (edição portuguesa) grafa Ubaldina — forma hipocorística ou de transmissão local que ocorre em algumas fontes toscanas medievais. A forma Ubaldesca (latim Ubaldesca) é, contudo, a predominante na historiografia, na devoção pisana e no registro eclesiástico moderno. A obra de referência do século XX sobre a santa — Gabriele Zaccagnini, Ubaldesca, una santa laica nella Pisa dei secoli XII-XIII (Pisa, 1995) — adota Ubaldesca Taccini como nome canônico. Esta ficha segue o mesmo critério.

Referências

  • Martirológio Romano 2004, 28 de maio (Editrice Vaticana) — elogio como «Ubaldina».
  • Wikipedia (versão italiana): artigo «Ubaldesca Taccini» — dados biográficos fundamentais (nascimento c. 1136, Calcinaia; morte 28 maio 1205, Pisa; Hospitalários de São João; San Giovannino; translação 1924). Consultado em 2026-05-27. Língua: italiano.
  • Zaccagnini, Gabriele, Ubaldesca, una santa laica nella Pisa dei secoli XII-XIII, Pisa, 1995 — estudo monográfico citado pela Wikipedia IT; não consultado diretamente.
  • Rohrbacher, Vidas dos Santos (22 vols., ed. PT): sem entrada específica para Santa Ubaldesca de Pisa. A obra menciona outros santos pisanos (São Raniero, Bem-aventurado Agnelo de Pisa, São Torcato de Pisa), mas omite Ubaldesca; a omissão é compatível com uma canonização informal e culto essencialmente local.
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