Santos Aretas e trezentos e quarenta companheiros
Aretas e companheiros
Identificação
Santos Aretas e trezentos e quarenta companheiros — mártires da cidade árabe cristã de Najran (também grafada Nagra/Nagran, no atual Iêmen), massacrados em 523 pelo rei judeu himiarita Dhu Nuwas (chamado “Dunaan” na narrativa de Rohrbacher). Santo Aretas, então com 95 anos, era o príncipe da cidade; morreu ao lado da esposa Ruma (Rehoumy), das filhas e de mais de 300 concidadãos cristãos, todos degolados por se recusarem a abjurar a fé em Cristo.
Martírio
No início do século VI havia grande número de cristãos entre os árabes do Iêmen (os homeritas, do grego, ou “himiaritas”). O reino caiu sob domínio de um usurpador judeu, Dunaan (Dhu Nuwas), que, ao assumir o trono após a morte do rei cristão Elisbaan (posto no poder pelo imperador etíope com apoio de Bizâncio), desencadeou perseguição sistemática contra os cristãos: mandou degolar 280 sacerdotes e exterminar os etíopes que guardavam as igrejas, transformando templos em sinagogas.
Ao norte do Iêmen erguia-se Najran, cidade cristã cujo príncipe, Santo Aretas, pagava tributo aos homeritas. Dunaan cercou a cidade com 120 mil homens e, após dias de cerco sem sucesso, jurou não fazer mal aos habitantes caso lhe abrissem as portas. Ao entrar, porém, traiu o juramento: saqueou as riquezas, incendiou a igreja com sacerdotes e povo refugiados em seu interior, e mandou desenterrar e queimar os ossos do sacerdote Paulo, já falecido havia dois anos, para negar aos fiéis até essa relíquia.
Os habitantes que se recusaram a renegar a fé católica — homens, mulheres e filhos — foram condenados à morte, muitos deles lançados em covas incendiadas (por isso os árabes apelidaram Dunaan de “senhor das covas”). O próprio Dunaan narrou o massacre numa carta dirigida ao príncipe árabe Almondar, preservada por Rohrbacher a partir de Assemani: nela conta como aprisionou e ameaçou os cristãos, exigiu o corpo do bispo Paulo para profaná-lo, e ordenou a degola geral após a recusa coletiva de apostatar.
A carta relata episódios de heroísmo particular: a esposa de Santo Aretas, Ruma, saiu às ruas de rosto descoberto — gesto extraordinário para a época — conclamando as mulheres da cidade a permanecerem firmes na fé, e entregou as próprias filhas ao martírio antes de ser executada com elas. Diante do rei, Santo Aretas — com 95 anos — declarou publicamente sua fidelidade a Cristo, exortou os parentes a perseverarem sob pena de deserdação, e orou em voz alta antes de estender a cabeça ao executor: “Jesus Cristo, meu Deus, assisti-nos, fortalecei-nos e recebei nossas almas.” Seus companheiros correram ao suplício com tal fervor que se atropelavam para ser banhados pelo sangue ainda jorrando de Santo Aretas.
Ao todo, trezentos e quarenta dos cidadãos mais destacados de Najran — incluindo Santo Aretas, sua esposa e suas filhas — foram degolados às margens de uma torrente, e seus corpos lançados às águas.
Elogio do Martirológio Romano (2004)
Em Nagran, na Arábia, a paixão dos santos Aretas, príncipe da cidade, e trezentos e quarenta companheiros, no tempo do imperador Justino e de Du Nuwas ou Dun’an, rei dos Homeritas.
Fontes
- Padre Rohrbacher, Vidas dos Santos (vol. 18, “24 de outubro — Santo Aretas”), narrativa detalhada baseada na carta de Dunaan preservada por Assemani (Bibliotheca Orientalis, t. I).
- Martirologio Romano 2004 (Editrice Vaticana), elogio citado acima.
- Índice pós-2004 do vault (linha 1134): “Aretas e 340 companheiros, Nagran, 24 Out., 4 (523)”.
- Sem fontes web (pré-1900, protocolo P4 — Rohrbacher exclusivo).
Backlinks
- Dia litúrgico: ../por-data/10-outubro/24
- Mártires em grupo: ../grupos/martires
- Arábia/Iêmen: ../por-pais/arabia
- Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004
