Santo Atanásio Bazzekuketta
Também conhecido como Athanasius Bazzekuketa, Atanásio Bazzekuketa Kizza, Mártir de Uganda
Identificação
Santo Atanásio Bazzekuketta (c. 1866 – 27 de maio de 1886) foi um jovem pajem da casa real do reino de Buganda, no atual Uganda, recentemente recebido no catolicismo pelo batismo. Morto a golpes a caminho de Namugongo, por ordem do rei Mwanga II, tornou-se um dos 22 Mártires Católicos do Uganda — beatificados por Bento XV em 1920 e canonizados por São Paulo VI em 18 de outubro de 1964. A Igreja celebra sua memória em 27 de maio.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Nakibuwo, localidade do Uganda, Santo Atanásio Bazzekuketta, mártir, que era um jovem da casa real recentemente batizado e, ao ser conduzido ao lugar do suplício com os outros companheiros por ter abraçado a fé em Cristo, pediu aos algozes que o matassem imediatamente e, espancado até à morte, consumou o martírio.
Vida
A corte de Mwanga II e a perseguição aos cristãos de Buganda
O reino de Buganda, na África Oriental, conheceu a chegada de missionários católicos e anglicanos nas décadas de 1870 e 1880, numa época de intensa rivalidade religiosa e política na corte real. Quando o jovem Mwanga II subiu ao trono em 1884, herdou um reino onde católicos, anglicanos e muçulmanos disputavam influência. A adesão crescente dos pajens reais ao cristianismo — com sua recusa às práticas contrárias à moral que o soberano exigia — tornou-se, aos olhos do rei, uma ameaça direta à sua autoridade.
Entre janeiro de 1885 e janeiro de 1887, Mwanga ordenou a execução de cristãos da corte. O episódio central ocorreu em maio e junho de 1886: os pajens que se recusavam a apostatar foram presos, conduzidos a pé até Namugongo — viagem de vários dias — e lá queimados vivos. Vinte e dois católicos e vinte e três anglicanos morreram nessa perseguição, tornando-se mártires das respectivas igrejas.
Atanásio, pajem real recém-batizado
Santo Atanásio Bazzekuketta — cujo nome do clã, Kizza, indica sua origem baganda — era um jovem de cerca de vinte anos a serviço da casa real. Recém-recebido no catolicismo pelo batismo, pertencia ao círculo dos pajens que reconheciam em São Carlos Lwanga, chefe dos pajens reais, um guia na fé e um protetor contra os abusos do rei.
O Martirológio Romano o descreve simplesmente como «um jovem da casa real recentemente batizado» — neófito cuja fé, ainda nova, mostrou-se firme o suficiente para aceitar a morte em vez de renegá-la.
O martírio em Nakibuwo
Quando Mwanga ordenou a prisão dos pajens cristãos, em maio de 1886, Santo Atanásio foi conduzido com os demais companheiros rumo ao local de execução. A caminho de Namugongo, na localidade de Nakibuwo, foi separado do grupo e morto. Segundo o Martirológio Romano, diante dos algozes, pediu que o matassem imediatamente — gesto de quem não queria prolongar o sofrimento nem dar espaço à apostasia — e foi então espancado até à morte.
O Wikipedia em inglês (verbete Uganda Martyrs) registra que Atanásio Bazzekuketta tinha cerca de vinte anos e foi morto por lança, enquanto o Martirológio Romano 2004 — fonte canônica da ficha — descreve a morte por espancamento: ambas as informações dizem respeito ao mesmo mártir; a forma exata pode variar conforme a fonte consultada, sendo o elogio do Martirológio o texto litúrgico oficial.
A canonização dos Mártires do Uganda em 1964
Os 22 mártires católicos de Buganda foram beatificados pelo papa Bento XV em 6 de junho de 1920. Quarenta e quatro anos depois, em 18 de outubro de 1964, durante o Concílio Vaticano II, o papa São Paulo VI os canonizou em cerimônia solene na Basílica de São Pedro, em Roma — a primeira canonização de mártires africanos subsaarianos da era moderna. A festa do grupo é celebrada em 3 de junho, data do martírio de São Carlos Lwanga e de seus companheiros queimados em Namugongo. Santo Atanásio Bazzekuketta, morto dias antes em Nakibuwo, tem sua própria comemoração em 27 de maio.
O grupo canonizado é conhecido coletivamente como os Mártires do Uganda e representa uma das mais expressivas testemunhas da fé africana no século XIX: jovens convertidos que, formados na fé recente, preferiram a morte à infidelidade a Cristo.
Referências
- Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana), 27 de maio — elogio de Santo Atanásio Bazzekuketta (fonte primária; texto verbatim acima).
- Martirológio Romano 2004, 3 de junho — elogio coletivo dos Mártires do Uganda.
- Wikipedia em inglês, verbete Uganda Martyrs — dados biográficos (data, idade, forma de morte); fonte em inglês, consultada em 2026-05-27.
- Wikipedia em inglês, verbete Charles Lwanga — contexto da corte de Mwanga II e do grupo de pajens; fonte em inglês, consultada em 2026-05-27.

