Santas Bárbara Kim e Bárbara Yi
Também conhecido como Barbara Kim, Barbara Yi, Kim Balbara, Yi Balbara
Identificação
Santas Bárbara Kim e Bárbara Yi — Bárbara Kim, viúva, e Bárbara Yi, virgem de quinze anos de idade — foram mártires da Igreja Católica na Coreia, mortas durante a perseguição de Gihae (1839), sob a dinastia Joseon. Presas ao mesmo tempo em Seul, morreram de peste no cárcere sem chegar ao cadafalso: o sofrimento da prisão e da doença foi o modo pelo qual entregaram a vida a Cristo. A Igreja celebra sua memória em 27 de maio.
Fazem parte do grupo dos 103 Mártires da Coreia, beatificados em 1925 pelo Papa Pio XI e solenemente canonizados em 6 de maio de 1984 pelo Papa São João Paulo II, em Yeouido, Seul.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Seul, na Coreia, as santas mártires Bárbara Kim, viúva, e Bárbara Yi, virgem de quinze anos de idade, que foram presas ao mesmo tempo e morreram de peste no cárcere.
Vida
A Igreja na Coreia e as perseguições do século XIX
O catolicismo chegou à Coreia de modo singular: não por missionários estrangeiros, mas pelos próprios coreanos. Em 1784, o diplomata Yi Seung-hun foi batizado em Pequim e regressou à pátria com textos e sacramentos, dando início a uma comunidade que cresceu inteiramente por iniciativa leiga. Por décadas, a Igreja coreana sobreviveu sem sacerdotes — mantida viva por catequistas, famílias crentes e redes de solidariedade escondidas nas aldeias.
A dinastia Joseon, fundada sobre o pensamento neo-confuciano, encarava o catolicismo como ameaça dupla: doutrina estrangeira incompatível com a hierarquia tradicional e possível veículo de influência ocidental. As perseguições sistemáticas começaram ainda no final do séc. XVIII e se repetiram ao longo do XIX. A de 1839 — conhecida pela era do calendário lunar como Gihae — foi uma das mais devastadoras do período. Autoridades prenderam, torturaram e executaram centenas de fiéis; estima-se que entre oito e dez mil cristãos coreanos tenham sido mortos em todas as perseguições do século, entre leigos, catequistas e os primeiros sacerdotes europeus das Missões Estrangeiras de Paris.
Os mártires canonizados em 1984 representam apenas uma fração dos que morreram: são 103 — sacerdotes europeus, o primeiro sacerdote coreano (São André Kim Taegon), leigos de todas as condições, mulheres, jovens e idosos. A maioria era gente simples: convertidos de família, catequistas rurais, viúvas que acolhiam os fiéis em suas casas, adolescentes que recusaram apostatar.
A prisão das duas Bárbaras e a morte de peste no cárcere
Santa Bárbara Kim nasceu em 1805 em Si-heung, na província de Gyeonggi, a sudoeste de Seul. Era viúva quando foi presa, em 1839, durante a vaga repressiva da perseguição de Gihae. Santa Bárbara Yi nasceu em 1825 em Jeongpa, arredores de Seul; era virgem e contava apenas quinze anos de idade quando foi detida.
As duas foram presas ao mesmo tempo — o Martirológio Romano anota esse pormenor como dado de identidade do seu testemunho conjunto. Não há registro de que tenham sido submetidas às torturas habituais que precediam as execuções públicas: o cárcere coreano, superlotado e insalubre durante as vagas de perseguição, era em si uma sentença. A peste — doença que dizimava as prisões seulenses naquele ano — alcançou-as antes do algoz. Bárbara Kim e Bárbara Yi morreram no cárcere no dia 27 de maio de 1839, juntas até o fim.
Morrer de doença no cárcere por causa da fé é, na tradição da Igreja, morte martirial plena: o cativeiro foi imposto pela confissão do nome de Cristo, e a vida foi consumida por esse mesmo cativeiro. A Igreja reconheceu esse testemunho desde o processo instaurado no séc. XIX.
A canonização dos Mártires da Coreia em 1984
O processo de reconhecimento dos mártires coreanos percorreu mais de um século. Em 9 de maio de 1925, o Papa Pio XI assinou o decreto de martírio e em 5 de julho de 1925 procedeu à beatificação dos 79 primeiros mártires coreanos — entre os quais Santa Bárbara Kim e Santa Bárbara Yi. A canonização dos 103, reunindo as duas turmas, foi reservada para um momento histórico: a visita apostólica de São João Paulo II à Coreia do Sul.
Em 6 de maio de 1984, na esplanada de Yeouido, em Seul, perante uma multidão imensa, São João Paulo II celebrou a Missa de canonização dos 103 Mártires da Coreia. Foi uma das primeiras canonizações celebradas fora de Roma — sinal do alcance universal da Igreja e do peso singular daqueles mártires para o catolicismo asiático. O Papa sublinhou que a maior parte dos 103 era formada por leigos: pais de família, mulheres, jovens, catequistas sem ordenação — testemunho de que a santidade não é prerrogativa do estado clerical ou religioso, mas vocação de todo batizado.
Santas Bárbara Kim e Bárbara Yi — a viúva de Gyeonggi e a adolescente de Jeongpa — estão entre os nomes gravados nessa memória comum. O calendário litúrgico celebra todos os 103 em 20 de setembro (memória do grupo inteiro); a morte particular das duas Bárbaras é lembrada em 27 de maio, data em que o Martirológio Romano as nomeia com precisão de estado: viúva e virgem, presas juntas, mortas de peste.
Referências
- Martirológio Romano 2004, 27 de maio (Editrice Vaticana) — fonte primária do elogio e dos dados canônicos.
- Verbete Korean Martyrs, Wikipedia (en).
- Verbete Andrew Kim Taegon, Wikipedia (en) — contexto histórico das perseguições e da canonização de 1984.
- CatholicSaints.info — Saint Barbara Kim — dados biográficos individuais (nascimento, morte, beatificação).
- CatholicSaints.info — Saint Barbara Yi — dados biográficos individuais.
