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Santos Basílio e Emélia

Também conhecido como Basílio, o Ancião, Basílio, o Velho, Emília, pais de São Basílio Magno

Identificação

Santos Basílio e Emélia foram esposos cristãos da Capadócia que, no século IV, formaram uma das mais ilustres famílias de santos de toda a história da Igreja. Pai e mãe de São Basílio Magno, São Gregório de Nissa, São Pedro de Sebaste e Santa Macrina, a Jovem, Basílio e Emélia viveram em meio à perseguição de Galério Maximiano, suportaram o exílio nas solidões do Ponto e morreram em paz, legando aos filhos, como maior herança, o exemplo das suas virtudes. A Igreja celebra sua memória em 30 de maio.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Cesareia da Capadócia, hoje Kayseri, na Turquia, os santos Basílio e Emélia ou Emília, que foram os pais dos santos bispos Basílio Magno, Gregório de Nissa e Pedro de Sebaste e de Santa Macrina, virgem. Estes santos esposos, no tempo do imperador Galério Maximiano, foram desterrados e habitaram nas solidões do Ponto e, terminada a perseguição, morreram em paz, deixando aos filhos a herança das suas virtudes.

Vida

A família capadócia e Santa Macrina, a Velha

A história de Santos Basílio e Emélia não se compreende sem a geração que os precedeu. Os avós paternos de São Basílio Magno — Santa Macrina, a Velha, e seu marido — eram cristãos de Neocesareia no Ponto, e Santa Macrina havia sido discípula direta de São Gregório, o Taumaturgo, bispo daquela cidade. Na perseguição de Galério Maximiano, o casal foi exilado durante sete anos nas florestas do Ponto, exposto às intempéries e à fome, eles que haviam sido criados no conforto. Rohrbacher narra que, pedindo a Deus socorro como na travessia do deserto, foram miraculosamente providos: uma manada de cervos apareceu e deles se serviram segundo a necessidade. Tal foi a escola de fé em que cresceu o pai de São Basílio Magno.

O pai do santo bispo, que a tradição designa como Basílio, o Velho ou Basílio, o Ancião, nasceu e viveu habitualmente no Ponto. Segundo Rohrbacher, era ornamento da província tanto pela piedade quanto pela eloquência, e ao que parece ensinava publicamente retórica e filosofia. Era homem de fé robusta e letras cultivadas — dois traços que marcaria em profundidade nos filhos.

O casamento de Santos Basílio e Emélia

Santa Emélia pertencia a uma família já marcada pelo martírio: o pai dela havia sofrido o martírio na mesma perseguição de Galério Maximiano. Formada, portanto, na memória viva dos mártires, Emélia casou-se com Basílio, o Velho, e do seu matrimônio nasceram dez filhos, dos quais a Igreja honra quatro como santos: Santa Macrina, a Jovem (primogênita), São Basílio Magno (segundo filho, o futuro bispo de Cesareia e Doutor da Igreja), São Gregório de Nissa e São Pedro de Sebaste (o caçula).

Rohrbacher descreve Basílio, o Velho, como o primeiro mestre dos próprios filhos nas letras sagradas e profanas, função que exerceu até a morte, ocorrida pouco após o nascimento do último filho, São Pedro de Sebaste. Santa Emélia, por sua vez, formou Santa Macrina, a Jovem, inspirando-se na Sagrada Escritura — a Sabedoria de Salomão para governar a filha, o Saltério como preceptor da criança.

A perseguição de Galério e o desterro no Ponto

Santos Basílio e Emélia viveram sob a sombra da perseguição de Galério Maximiano. O Martirológio Romano afirma que «foram desterrados e habitaram nas solidões do Ponto» — eco direto da prova que já havia recaído sobre os avós paternos. Nessa fuga e exílio, os dois esposos sustentaram a fé da família sem ceder à apostasia. Terminada a perseguição, puderam regressar e morrer em paz — cumprimento da promessa feita a todo aquele que persevera.

Os filhos santos que geraram

A grandeza singular de Santos Basílio e Emélia reside em terem sido raiz de uma família de santos. De um único matrimônio nasceram quatro figuras que a Igreja universalmente venera:

  • São Basílio Magno — bispo de Cesareia, Doutor da Igreja, coluna da ortodoxia contra o arianismo e fundador do monaquismo cenobítico no Oriente.
  • São Gregório de Nissa — bispo, teólogo místico, um dos grandes Padres Capadócios.
  • São Pedro de Sebaste — bispo, filho mais moço, presente ao leito de morte de Santa Emélia.
  • Santa Macrina, a Jovem — virgem, primogênita, que renunciou ao mundo após a morte do noivo e se tornou a educadora dos irmãos; fundou com a mãe um mosteiro no Ponto.

A esta constelação soma-se, na geração anterior, Santa Macrina, a Velha — avó paterna, discípula de São Gregório, o Taumaturgo, e primeira formadora de São Basílio Magno na infância.

Morte em paz

Segundo Rohrbacher, Santa Emélia morreu em idade avançada, no mosteiro que ela própria havia fundado com Santa Macrina, a Jovem, na margem oposta ao retiro de São Basílio Magno no Ponto. Ao morrer, tinha dois filhos ao lado — Santa Macrina, a Jovem, e São Pedro de Sebaste. Tomando-os pelas mãos, disse: «Senhor, ofereço-vos, segundo vossa lei, as primícias e o dízimo das minhas entranhas.» Foi sepultada com o esposo na igreja dos Quarenta Mártires, a um quarto de légua do mosteiro. Santa Macrina, a Jovem, que sobreviveu até 379, foi enterrada junto do pai e da mãe.

O Martirológio resume toda essa existência na fórmula precisa: morreram «em paz, deixando aos filhos a herança das suas virtudes» — o único legado que a perseguição não pôde confiscar.

Referências

  • Rohrbacher, «Vidas dos Santos», vol. 10 (junho — «São Basílio, bispo de Cesareia na Capadócia, Doutor da Igreja»), pp. 327–332 da ed. consultada: passagens sobre a família, Santa Macrina, a Velha, Basílio o Velho e Santa Emélia.
  • Rohrbacher, «Vidas dos Santos», vol. 13 (julho — «Santa Macrina, a Jovem, virgem»), pp. 177–179: dados sobre Emélia, o nascimento e a morte.
  • Martirológio Romano 2004, 30 de maio (Editrice Vaticana).
  • Verbete Emélia de Cesareia, na Wikipédia (português).
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