São Bruno
Também conhecido como São Bruno de Colônia, São Bruno, o Cartuxo, São Bruno de Reims
Identificação
São Bruno (c. 1030–1101) — presbítero alemão, mestre de teologia em Reims, fundador da Ordem dos Cartuxos (1084) na Grande Chartreuse, nos Alpes franceses. Conselheiro do Papa Urbano II (seu antigo aluno), recusou o arcebispado de Reggio Calabria e passou os últimos anos como eremita na Calábria, onde morreu. Nunca formalmente canonizado — culto confirmado por Leão X em 1514.
Elogio do Martirológio
São Bruno, presbítero, que, oriundo de Colônia, na Lotaríngia, em território da atual Alemanha, ensinou ciências eclesiásticas na França; mas, aspirando à vida solitária, instalou-se com alguns discípulos no isolado vale de Cartuxa, nos Alpes, onde deu origem a uma Ordem que concilia a solidão eremítica com a forma de vida cenobítica. Chamado a Roma pelo papa Urbano II, para o ajudar nos difíceis problemas da Igreja, conseguiu contudo passar os últimos anos da sua vida num ermo próximo do mosteiro de La Torre, na Calábria.
Vida
Origens e magistério em Reims
Nasceu em Colônia, onde foi educado, e completou os estudos na França. Seu aproveitamento lhe valeu a cátedra da escola catedral de Reims, sob o arcebispo Manassés, que o fez seu camareiro. São Bruno, porém, não fechou os olhos aos abusos e à simonia do prelado — foi um dos principais acusadores de Manassés perante Roma, o que lhe custou o favor do arcebispo. Retirou-se então para Colônia, onde foi cônego de São Cuniberto.
A vocação eremítica
Já em Reims, São Bruno havia feito voto, junto com alguns amigos — entre eles Radulfo Le Verd, mais tarde arcebispo de Reims —, de abraçar a vida monástica assim que possível. Associou-se a seis companheiros: Landuíno (que lhe sucederia no governo da Grande Chartreuse), os dois cônegos chamados Estêvão, Hugo (o único sacerdote do grupo além de Bruno) e dois leigos, André e Garin. Consultaram um eremita de grande reputação e dirigiram-se a Santo Hugo, bispo de Grenoble.
Fundação da Grande Chartreuse (1084)
Santo Hugo, que na véspera sonhara com sete estrelas indicando o caminho para uma habitação que Deus construía num deserto de sua diocese, reconheceu nos sete peregrinos o cumprimento do sonho. Cedeu-lhes as montanhas isoladas da Cartuxa (Chartreuse), perto de Grenoble. Ali São Bruno e seus companheiros ergueram uma capela dedicada à Virgem e construíram celas ao redor — por volta do dia de São João de 1084, data que se considera o início da Ordem. O modo de vida, descrito por Guiberto de Nogent (contemporâneo): cada religioso em sua cela, orando, trabalhando e comendo sozinho; silêncio quase absoluto; roupa de cilício; vinho aguado; carne nunca, exceto doentes; missa comunitária só aos domingos e dias santos; biblioteca rica apesar da pobreza material. Santo Hugo visitava com frequência a Cartuxa e chegou a servir os monges como criado, em atos de humildade — a ponto de São Bruno, por vezes, mandá-lo de volta à diocese: “Retornai às vossas ovelhas, elas precisam de vós.”
Chamado a Roma pelo Beato Urbano II
Em 1090, o Papa Beato Urbano II — que fora discípulo de São Bruno em Reims — chamou-o a Roma para aconselhá-lo no governo da Igreja. São Bruno obedeceu, entregando a fundação a Seguin, abade de la Chaise-Dieu, e nomeando Landuíno prior da Cartuxa durante sua ausência. (Os monges, sem o pai fundador, quase se dispersaram, mas Landuíno os exortou a perseverar e a comunidade foi restaurada em 1090.) Em Roma, o Beato Urbano II ofereceu a São Bruno o arcebispado de Reggio Calabria; São Bruno recusou com humildade, e o papa consentiu que se retirasse para um lugar solitário na Calábria.
Os últimos anos na Calábria
Com o apoio de Rogério, conde da Calábria e Sicília, São Bruno fundou um novo eremitério em terras doadas na diocese de Squillace, o mosteiro de La Torre (Santa Maria del Bosco), cuja igreja foi consagrada em 1094. De lá escreveu cartas — uma delas a Radulfo Le Verd, descrevendo com lirismo a beleza da solidão calabresa; outra aos irmãos da Cartuxa de Grenoble, exortando-os à perseverança.
Morte
Morreu santamente em La Torre, na Calábria, em 6 de outubro de 1101, um domingo. Pouco antes de morrer, reuniu os irmãos e fez uma profissão de fé pública insistindo na presença real de Cristo na Eucaristia, rejeitando expressamente a heresia eucarística de Berengário de Tours (seu antigo mestre). Cartas circulares anunciando sua morte percorreram mosteiros da Itália e da França, respondidas com elogios que o comparam, em erudição e virtude, a Virgílio e Platão.
Culto
São Bruno nunca foi formalmente canonizado — traço da humildade cartuxa, que até hoje evita processos de canonização para seus membros. O Papa Leão X, em 1514, confirmou e estendeu seu culto à Igreja universal. É celebrado no dia de sua morte, 6 de outubro, como memória facultativa.
Fontes
- Martirologio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — elogio latino/italiano/português (vault, entrada 2 do dia 10-06).
- Rohrbacher, Vidas dos Santos (vol. 17, “São Bruno, Fundador da Ordem dos Cartuxos”, pp. 359-372) — única fonte usada para a biografia (santo pré-1900, sem consulta web por regra do processo).
Backlinks
- Dia litúrgico: ../por-data/10-outubro/06
- Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004

