São Calógero

Também conhecido como Calógero de Sciacca, Calogero, Calógero da Sicília, San Calogero

Identificação

São Calógero de Sciacca (séc. V, segundo a tradição) — eremita venerado no monte Gemmaro (também chamado monte Kronio), a cerca de sete quilômetros de Sciacca, na Sicília ocidental (província de Agrigento). O Martirológio Romano 2004 o comemora em 18 de junho e o situa no século V. A documentação histórica é escassa; a maior parte do que se sabe sobre sua vida provém de tradições orais e textos hagiográficos tardios. Segundo a tradição, São Calógero foi um monge de origem oriental que escolheu para sua vida contemplativa as grutas naturais do monte, onde permaneceu até a morte. A partir de então, o local tornou-se centro de peregrinação e de cura, associando a santidade do eremita às fontes termais sulfurosas que brotam da montanha desde a Pré-história.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

No monte Gemmariaro, perto de Sciacca, na Sicília ocidental, São Calógero, eremita.

Original italiano

Sul monte Gemmariaro presso Sciacca in Sicilia occidentale, san Calogero, eremita.

Vida

O eremita do monte Kronio

O monte que hoje leva o nome de São Calógero é um maciço calcário de 395 metros, situado cerca de sete quilômetros a noroeste de Sciacca, próximo ao mar. Os antigos o chamavam monte Kronio — nome ligado ao culto grego de Crono, divindade agrícola venerada pelos colonos helênicos que habitaram a Sicília a partir do séc. VIII a.C. No interior do monte encontram-se grutas naturais com emissões de vapor sulfuroso a temperaturas de aproximadamente 40 °C, exploradas desde a Pré-história para fins medicinais: escavações realizadas na gruta principal revelaram cerâmica da Idade do Cobre e traços de vinho com cerca de seis mil anos de antiguidade.

Segundo a tradição, São Calógero chegou à Sicília vindo do Oriente — algumas narrativas tardias mencionam Calcedônia ou o Egito como terra de origem, mas esses dados não têm respaldo em fontes documentais da época e devem ser entendidos como elementos lendários. O nome Calogero deriva do grego καλός γέρων (“belo ancião”) e era título honorífico aplicado a monges do rito grego, o que sugere ligação com o monaquismo oriental, possivelmente com correntes anacoretas que, nos séculos IV a VI, penetraram na Sicília a partir do Egito e da Palestina.

Instalado nas grutas do monte Kronio, São Calógero teria levado vida de oração, penitência e jejum, na tradição dos Padres do Deserto transplantada ao solo siciliano. A escolha do local foi providencial: as grutas termais, consideradas curativas pelos nativos desde tempos imemoráveis, tornaram-se espaço de evangelização e de caridade para os enfermos que ali acorriam. O Rohrbacher (vol. 11) registra que “sua santidade resplandeceu principalmente na libertação dos energúmenos” — ou seja, no exorcismo de possessos, ministério frequentemente associado, na hagiografia antiga, a monges de grande vida ascética.

As tradições sobre sua origem e época

A hagiografia de São Calógero apresenta divergências significativas quanto à cronologia. As correntes principais são:

  • Século V (posição do Martirológio Romano 2004): São Calógero teria vivido no período em que a Sicília estava sob o domínio romano tardio e experimentava o primeiro florescimento do monaquismo oriental na ilha.
  • Séculos IV–VI (tradições locais divergentes): algumas narrativas associam o eremita à época dos primeiros missionários gregos na Sicília; outras o ligam ao período bizantino, quando a ilha ficou sob o domínio de Constantinopla (535–827) e o monaquismo grego floresceu intensamente.

Em todo caso, todos esses dados biográficos devem ser lidos segundo a tradição, pois não existem fontes documentais contemporâneas ao santo que permitam fixar datas com segurança.

O culto siciliano e as termas de Sciacca

O culto a São Calógero enraizou-se de modo extraordinário na vida de Sciacca e de toda a Sicília ocidental. O monte passou a ser chamado popularmente de Monte San Calogero, nome que substituiu o antigo Kronio na memória popular, embora a toponímia científica conserve ambos. As grutas termais, reinterpretadas à luz cristã, tornaram-se lugar de graça e cura: peregrinos acorriam ao monte para banhar-se no vapor sulfuroso, invocando a intercessão do eremita para males como artrite, reumatismo e doenças de pele.

Em 1530 foi construída a Basílica-Santuário de São Calógero no cume do monte, que abriga uma estátua do santo esculpida por Antonello Gagini, um dos mais importantes escultores renascentistas da Sicília. Em 1979, o papa João Paulo II elevou o santuário à categoria de basílica menor, reconhecendo a importância do culto local. A festa de São Calógero em Sciacca, celebrada em junho, é uma das mais vivas manifestações de devoção popular da região de Agrigento: inclui procissão solene, pão bento distribuído aos fiéis e romarias ao monte.

O nome Calogero tornou-se, ao longo dos séculos, um dos mais difundidos na Sicília — particularmente na província de Agrigento, onde ainda hoje figura entre os nomes masculinos mais frequentes —, atestando a profundidade do culto ao eremita do monte Kronio.

Referências

  • Martirologio Romano (Editrice Vaticana, 2004), 18 giugno — fonte primária do elogio.
  • Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 11, 18 de junho — «Em Sciaca, na Sicília, São Calógero, eremita, cuja santidade resplandeceu principalmente na libertação dos energúmenos.»
  • Wikipedia inglesa: «Monte San Calogero (Sciacca)» — https://en.wikipedia.org/wiki/Monte_San_Calogero_(Sciacca) (consultada 2026-05-28; língua: inglês).
  • Wikipedia italiana: «Calogero» — confirmação de culto como monaco taumaturgo ed eremita in Sicilia (consultada 2026-05-28; língua: italiano).
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