São Carlos Lwanga
Também conhecido como chefe dos pajens reais de Buganda
Identificação
São Carlos Lwanga (c. 1860-3 de junho de 1886) — chefe dos pajens reais de Buganda, líder dos jovens convertidos católicos na corte do rei Mwanga II. Queimado vivo em Namugongo (perto de Kampala) com 12 companheiros católicos (e mais 13 anglicanos) por se recusarem a abandonar a fé cristã. Cabeça do grupo dos 22 Mártires de Uganda canonizados por São Paulo VI em 18 de outubro de 1964 — primeiros santos da África subsaariana negra da era contemporânea.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Memória dos santos Carlos Lwanga e doze companheiros, mártires, que, de idade compreendida entre os catorze e os trinta anos, no reino de Buganda, na atual Uganda, foram condenados à morte por ódio ao nome cristão pelo rei Mwanga: queimados vivos em Namugongo a 3 de junho de 1886, tornaram-se primícias dos cristãos da África Negra.
Vida
Carlos Lwanga nasceu por volta de 1860 em Buladdo (Reino de Buganda), de família tribal pagã. Jovem nobre, foi para a corte real do kabaka Mutesa I (pai de Mwanga). Aprendeu a fé cristã com os primeiros catequistas e missionários católicos dos Padres Brancos (chegaram a Buganda em 1879).
Aceitou o catecumenato em segredo, sob a direção do São José Mukasa Balikuddembe (mordomo-mor da corte) e instrução dos missionários. Foi batizado em segredo ao final de 1885, após a morte de São José Mukasa (decapitado em 15 de novembro de 1885 por desafiar o rei).
Sucedeu São José Mukasa como chefe dos pajens reais após a sua morte. Carlos era responsável por preservar os jovens cristãos da corte das pretensões imorais do rei Mwanga (que tinha o costume pederástico de exigir favores sexuais dos pajens — fonte das tensões finais).
25 de maio de 1886 — Mwanga descobriu que muitos pajens eram cristãos. Em interrogatório direto, Carlos Lwanga e seus 12 companheiros mais jovens (entre eles Kizito de 14 anos) confessaram a fé.
Carlos batizou em segredo nessa noite 5 catecúmenos que ainda não eram cristãos formais (entre os quais Kizito, o mais jovem dos mártires).
Marcha para Namugongo (cerca de 60 km a pé, 27 maio - 3 de junho), atados em correntes, debaixo de chuva e fome. Vários morreram no caminho.
3 de junho de 1886, Namugongo — pira gigante. Carlos foi o primeiro a ser queimado. Segundo testemunhas: ele mesmo arrumou as próprias lenhas, ajoelhou-se em direção a Meca/Kampala (?), oração tranquila, confessou: “Senhor Deus, salva-me!” e “Deus, eu te abraço!”. Morreu em paz, queimando vivo.
A pira teve 22 católicos + 23 anglicanos = mais de 45 jovens. Os ouvintes dos missionários, longe de se desencorajarem, multiplicaram-se por dezenas: a Igreja explodiu na África ugandense após o martírio.
Canonização
- Beatificado em 6 de junho de 1920 por Bento XV.
- Canonizado em 18 de outubro de 1964 por São Paulo VI durante o Concílio Vaticano II — primeiros santos negros africanos canonizados na era moderna.
- Inscrito no Calendário Romano Geral em 1969 — memória obrigatória universal em 3 de junho.
Significado eclesial
- Primeiros mártires da África subsaariana canonizados.
- Modelo de santidade jovem leiga em contexto missionário.
- Patronos dos jovens da África, da Ação Católica africana, dos escoteiros católicos.
São Paulo VI, ao canonizar, declarou: “Os Mártires de Uganda devem juntar-se à coorte dos Mártires Africanos que abre uma era nova, novíssima.” Foi profecia da explosão católica africana atual.
Visitas papais a Namugongo
- 31 de julho de 1969 — São Paulo VI (primeira visita papal à África subsaariana).
- 1993 — São João Paulo II.
- 2009 — Bento XVI.
- 27-29 de novembro de 2015 — Francisco.
Backlinks
- Dia litúrgico: por-data/06-junho/03
- Século: por-seculo/seculo-xix
- País: por-pais/uganda
- Mártires de Uganda:
- Catequistas mártires:
- Jovens santos:
- Mestre/companheiro: jose mukasa balikuddembe
- Discípulo (que ele batizou): kizito
- Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004

