Santa Dimpna

Também conhecido como Dympna, Dymphna, Dimphna, Dinfna de Gheel

Identificação

Santa Dimpna (em latim Dympna; em inglês Dymphna) é venerada como virgem e mártir em Gheel (hoje Geel), na região do Brabante, perto de Antuérpia, na atual Bélgica. Segundo uma tradição muito antiga, teria sido uma princesa irlandesa do século VII, morta pelo próprio pai por causa da sua fé e da sua pureza. É invocada como padroeira dos doentes mentais e nervosos, e Gheel tornou-se, em torno do seu santuário, um dos mais antigos centros de cuidado aos enfermos da mente. A Igreja celebra sua memória em 30 de maio.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Ghéel, no Brabante, território da Austrásia, atualmente na Bélgica, Santa Dimpna, virgem e mártir.

Vida

A história de Santa Dimpna é conhecida apenas pela tradição. A vida mais antiga que dela se conserva, a Vitae Dymphnae et S. Gereberni presbiteri, foi escrita no século XIII por Pedro, cônego de Cambrai (Petrus Cameracensis), a pedido do bispo Guido I de Cambrai, e o próprio autor declara tê-la composto a partir de uma tradição oral muito antiga. Por isso os elementos narrativos a seguir devem ser lidos como tradição hagiográfica, não como crônica documentada.

A princesa irlandesa (segundo a tradição)

Conta a tradição que Dimpna era filha de um rei pagão da Irlanda, chamado Damon, e de uma mãe cristã. Batizada e instruída na fé pela mãe, teria consagrado a Deus a própria virgindade ainda jovem. Morta a esposa, o rei, abalado pela perda, mergulhou em profunda perturbação. Procurando uma mulher que se parecesse com a falecida, fixou os olhos na própria filha — e, segundo a tradição, quis tomá-la por esposa.

A fuga e o martírio em Gheel (segundo a tradição)

Horrorizada, Dimpna fugiu, acompanhada do sacerdote Gereberno (Gerebernus), seu confessor, e de mais dois companheiros da corte. Atravessaram o mar e chegaram ao continente, fixando-se em Gheel, no Brabante. O pai, porém, seguiu-lhe o rastro até ali. Tendo mandado matar o padre Gereberno, voltou-se contra a filha e, como ela recusasse firmemente ceder, decapitou-a com a própria espada. A tradição situa o martírio por volta de meados do século VII, sendo Dimpna ainda uma jovem.

O santuário e o cuidado aos doentes mentais

No século XIII foram encontradas em Gheel as relíquias atribuídas a Dimpna e a Gereberno, e a sua veneração difundiu-se rapidamente. Em torno do túmulo da santa ergueu-se uma igreja — ampliada e consagrada em 1532 — e Gheel desenvolveu, ao longo de séculos, uma forma singular de acolhimento familiar dos doentes mentais, recebidos nas casas da cidade e tratados com caridade sob o patrocínio de Santa Dimpna. Por essa razão a santa é, até hoje, invocada como padroeira dos que sofrem de doenças mentais e nervosas e dos profissionais que deles cuidam.

Referências

  • Martirológio Romano 2004, 30 de maio.
  • Verbete Dimpna, na Wikipédia em português (que cita a Vitae Dymphnae et S. Gereberni presbiteri, de Pedro de Cambrai, séc. XIII, como fonte tradicional).
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