Santo Eleutério, papa
Identificação
Santo Eleutério, papa (†189) governou a Igreja de Roma na segunda metade do século II, sucedendo a São Soter por volta de 174 e ocupando a Sé de Pedro por cerca de quinze anos. Seu nome grego significa «livre» ou «libertador». É lembrado sobretudo como o destinatário da nobre carta que os célebres mártires de Lião, então no cárcere, lhe escreveram sobre a conservação da paz na Igreja. A Igreja celebra sua memória em 26 de maio.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Também em Roma, Santo Eleutério, papa, a quem os célebres mártires de Lião, então detidos no cárcere, escreveram uma nobre carta sobre a conservação da paz na Igreja.
Vida
Diácono e pontífice romano
Antes de chegar ao supremo pontificado, Eleutério foi diácono do papa Aniceto, em cujo pontificado os perigosos heréticos Márcion e Valentino espalharam por Roma os erros que haviam concebido. Sucedeu a São Soter por volta de 174, e seu pontificado durou cerca de quinze anos, encerrando-se em 189, ano de sua morte. Coube-lhe presidir a Igreja num tempo relativamente sereno do ponto de vista político, mas atravessado por controvérsias doutrinais — entre elas a do montanismo, a profecia rigorista que então agitava as comunidades.
A carta dos mártires de Lião
O fato que perpetuou o nome de Santo Eleutério no Martirológio liga-se à gloriosa perseguição de Lião (177). Atestada por Eusébio de Cesareia, a Igreja de Lião e de Viena, em meio ao auge da perseguição — já morto o bispo São Potino e encarcerados os chefes do clero, à espera diária da decapitação ou das feras —, não cessou de zelar pela paz das comunidades. Cientes de que «todas as igrejas do mundo são obrigadas a concordar com a Igreja Romana», os confessores escreveram ao papa Eleutério, que ocupava então «o lugar do príncipe dos apóstolos», uma nobre carta sobre a conservação da paz na Igreja, no tocante às profecias de Montano.
Para levar essas cartas a Roma, os mártires escolheram o mais ilustre representante do clero de Lião e de Viena: Santo Ireneu, que recomendaram vivamente ao papa pelo seu zelo pela lei de Cristo. Devendo ir a Roma, Santo Ireneu acabaria por suceder a São Potino como bispo de Lião. A escolha de enviar pessoa tão necessária, no auge da tribulação, é sinal — observa a tradição — da prudente solicitude daquela cristandade desolada.
Morte e culto
Segundo o Liber Pontificalis, nada autoriza a qualificar Santo Eleutério de mártir, como alguns autores quiseram. Faleceu em 24 de maio e foi sepultado no Vaticano, junto ao túmulo de São Pedro. Seu nome foi introduzido no martirológio no dia 26 do mesmo mês de maio por Adon, e nessa data a Igreja conserva sua memória.
Referências
- Rohrbacher, «Vidas dos Santos», vol. 9 (26 de maio — «Santo Eleutério, papa e confessor»; e a narrativa dos mártires de Lião, a partir de Eusébio, liv. V).
- Martirológio Romano 2004, 26 de maio.
- Verbete Papa Eleutério, na Wikipédia.

