Artigo no blog do HubLer o artigo sobre Santo Eliseu no blog do HubSanto Eliseu: o profeta que já anunciava Cristo

Santo Eliseu

Também conhecido como Eliseu profeta, Eliseu

Identificação

Santo Eliseu (séc. IX–VIII a.C.), filho de Safat de Abel-Meolá, foi o discípulo eleito e sucessor imediato do profeta Santo Elias no ministério profético do Reino de Israel. Serviu a Deus durante o reinado de Jorão, Jeú, Joacaz e Joás, reis de Israel, tornando-se uma das figuras mais prodigiosas do Antigo Testamento. Embora não tenha deixado oráculos escritos, realizou um número extraordinário de milagres — mais do que qualquer outro profeta narrado na Escritura — muitos deles em favor de estrangeiros, que o Martirológio Romano interpreta como anúncio profético da salvação universal. A Igreja celebra sua memória em 14 de junho.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Samaria ou Sebaste, na Palestina, hoje Sivas, na Turquia, a comemoração de Santo Eliseu, discípulo de Elias, que foi profeta em Israel no tempo do rei Jorão até aos dias de Joás. Embora não tenha deixado oráculos escritos, pelos milagres que fez em favor dos estrangeiros anunciou a salvação que havia de vir para todos os homens.

Vida

A vocação: o manto de Santo Elias

A eleição de Eliseu está narrada em 1 Reis 19,16–21. No monte Horeb, depois da visão do Senhor na «branda viração», Deus ordenou a Santo Elias que ungisse Eliseu, filho de Safat de Abel-Meolá, como «profeta em seu lugar». Santo Elias o encontrou lavrando com doze juntas de bois; sem palavras, lançou a sua capa sobre ele — gesto que, segundo a tradição bíblica, significa investidura profética. Eliseu pediu apenas licença para despedir-se dos pais, imolou os próprios bois, cozinhou a carne para o povo e partiu para servir ao mestre.

O momento decisivo da transmissão da missão está em 2 Reis 2,1–15. Sentindo a proximidade do arrebatamento, Santo Elias percorreu com Eliseu o caminho de Galgala a Betel, de Betel a Jericó, de Jericó ao Jordão. Em cada etapa tentou deixar o discípulo para trás; em cada etapa Eliseu recusou com a mesma resposta: «Viva o Senhor e viva a tua alma, que não te deixarei». Na margem leste do Jordão, Santo Elias dobrou a capa e feriu as águas, que se dividiram para os dois lados, e ambos atravessaram a pé enxuto. Então Santo Elias perguntou ao discípulo o que desejava antes de ser arrebatado. Eliseu pediu «uma porção dobrada» do espírito do mestre. A resposta foi: «Dificultosa coisa pediste; todavia, se tu me vires quando me arrebatarem de ti, isso é o sinal de que terás o que pediste». Em seguida, um carro de fogo e cavalos de fogo os separaram, e Santo Elias «subiu ao céu no meio de um remoinho». Eliseu o viu e clamou: «Meu pai, meu pai! Carro de Israel e seu condutor!» — as mesmas palavras que o rei Joás dirigiria a Eliseu na hora da sua morte. Recolhendo a capa caída de Santo Elias, Eliseu tornou ao Jordão, feriu as águas e atravessou: os filhos dos profetas, que o observavam da margem oposta, disseram então: «O espírito de Elias repousou sobre Eliseu».

O profeta dos milagres em Israel

O ministério de Santo Eliseu é narrado extensamente em 2 Reis 2–13. O Rohrbacher resume o seu caráter: «caridoso para com os pequenos, os humildes, terrível para com os orgulhosos, os poderosos, os ímpios». Os milagres multiplicam-se ao longo de toda a sua vida ativa.

A multiplicação do azeite da viúva (2 Rs 4,1–7): Uma mulher cujo marido, profeta servo de Santo Eliseu, havia morrido, corria o risco de ver os dois filhos levados como escravos pelo credor. Possuía apenas uma vasilha de azeite. Santo Eliseu mandou-a pedir vasilhas emprestadas às vizinhas, entrar em casa e encher todas com o azeite que tinha. O azeite não cessou enquanto havia vasilhas; cessou apenas quando não restou nenhuma. Com o produto da venda do azeite, a mulher pagou o credor e viveu com os filhos do que sobrou.

A ressurreição do filho da sunamita (2 Rs 4,8–37): Uma mulher rica de Sunam acolhia sempre Santo Eliseu quando ele passava por sua cidade, chegando a preparar-lhe um quarto permanente na casa. Em gratidão, o profeta anunciou-lhe que, no prazo de um ano, ela — que era estéril e cujo marido era velho — teria um filho. Cumpriu-se a promessa. Anos depois, o menino caiu doente nos campos e morreu. A sunamita viajou ao monte Carmelo para encontrar Santo Eliseu. O profeta, percebendo que algo de grave havia ocorrido, foi à casa, fechou a porta, orou ao Senhor, deitou-se sobre o menino, pôs a boca sobre a boca e os olhos sobre os olhos do menino, até que a carne do menino aqueceu e o menino espirrou sete vezes e abriu os olhos.

A cura de Naamã, o sírio (2 Rs 5,1–19): Naamã era o general do exército da Síria, homem de grande prestígio, mas leproso. Uma jovem israelita, cativa em sua casa, disse à ama que o profeta de Samaria poderia curá-lo. Naamã chegou à porta de Santo Eliseu carregado de presentes e acompanhado de grande séquito. O profeta nem saiu a recebê-lo: mandou um mensageiro dizer que se lavasse sete vezes no Jordão. Naamã irritou-se com a simplicidade da instrução; mas seus servos o convenceram a obedecer. Ele se lavou sete vezes e «a sua carne tornou-se como a carne de um menino muito tenro, ficando limpo». Naamã voltou confessando: «Verdadeiramente conheço que não há outro Deus em toda a terra senão o de Israel». Santo Eliseu recusou qualquer presente. O Martirológio Romano vê neste episódio — um estrangeiro curado e convertido — um dos sinais do universalismo salvífico que o profeta prefigurava.

Entre os demais prodígios narrados na Escritura: a purificação das águas de Jericó (2 Rs 2,19–22); a multiplicação de pães de cevada para cem pessoas, sobrando ainda (2 Rs 4,42–44); o ferro do machado que flutuou no Jordão (2 Rs 6,1–7); a cegueira lançada sobre o exército sírio que cercava Dotan, e a libertação misericordiosa dos inimigos assim capturados, sem derramamento de sangue (2 Rs 6,8–23); a profecia do fim do cerco de Samaria e da abundância repentina, quando a cidade estava faminta (2 Rs 6,24–7,20); e a missão a Damasco para anunciar a Hazael que seria rei da Síria (2 Rs 8,7–15).

O ministério profético perante os reis

Santo Eliseu atuou ao longo dos reinados de Jorão, Jeú, Joacaz e Joás. Junto a Jorão, o profeta intercedeu pela aliança de Israel, Judá e Edom contra Moab, predizendo a vitória (2 Rs 3). Revelou constantemente ao rei de Israel os planos militares do rei da Síria (2 Rs 6,12). Quando Jorão, durante o cerco de Samaria, quis matá-lo, Santo Eliseu profetizou a cessação imediata da fome — e assim aconteceu (2 Rs 7,1–20). Enviou um discípulo para ungir Jeú como rei de Israel (2 Rs 9,1–3), cumprindo a ordem original dada a Santo Elias no Horeb.

Nos últimos dias da sua vida, ainda doente, recebeu a visita de Joás, rei de Israel, que chorou diante dele repetindo as mesmas palavras com que ele próprio havia chorado ao ser separado de Santo Elias: «Meu pai, meu pai! Tu és o carro de Israel e o seu condutor». Santo Eliseu mandou o rei atirar uma flecha pela janela que olhava para o oriente, proclamando-a «flecha da salvação do Senhor contra a Síria», e depois ferir o solo com as flechas — pois o rei feriu apenas três vezes, o profeta anunciou que derrotaria a Síria apenas três vezes, não até a destruição total (2 Rs 13,14–19).

A morte, o sepulcro e a tradição carmelitana

«Morreu Eliseu e sepultaram-no» (2 Rs 13,20). O Rohrbacher acrescenta que «Santo Eliseu morreu bastante entrado em anos» e que o seu túmulo ainda era visível nos tempos de São Jerônimo. Juliano, o Apóstata, profanou-o, mas alguns ossos foram salvos e ofertados a Santo Atanásio de Alexandria. O livro do Eclesiástico (Sir 48,13–15) recorda as maravilhas do profeta mesmo depois da morte: «Em sua vida fez prodígios, e na morte operou maravilhas» — referência ao episódio, narrado em 2 Rs 13,20–21, em que um morto lançado apressadamente no sepulcro de Santo Eliseu, ao tocar os seus ossos, ressuscitou e ficou em pé.

A tradição carmelitana vê em Santo Elias e em Santo Eliseu os pais espirituais da Ordem do Carmo, pois os primeiros eremitas do monte Carmelo identificavam-se com os «filhos dos profetas» que viviam em torno de Santo Elias e de Santo Eliseu (cf. 1 Rs 18; 2 Rs 2; 4; 6). Esta leitura, desenvolvida desde o século XII, faz de Santo Eliseu um patrono espiritual da espiritualidade carmelitana, embora não seja patrono canonicamente definido. Trata-se de tradição legítima da Ordem, não de dado hagiográfico verificado nas fontes normativas universais.

Referências

  • Sagrada Escritura: 1 Reis 19,16–21; 2 Reis 2–13; Eclesiástico (Sirácida) 48,12–16.
  • Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 10 (14 de junho — «Santo Eliseu, Profeta, Antigo Testamento», pp. 351–373 da edição consultada).
  • Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana), 14 de junho, entrada 1.
  • Verbete Eliseu, na Wikipédia.
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