Santo Eugénio I
Também conhecido como Eugénio I, papa
Identificação
Santo Eugénio I († 657), romano natural do Aventino, foi papa num dos momentos mais tensos da fé católica em face do poder imperial bizantino. Sucedeu a São Martinho I, papa e mártir, que o imperador Constante II havia deposto e exilado por causa da defesa da fé contra o monotelismo. Homem manso e afável, Santo Eugénio I governou a Igreja de Roma com firmeza doutrinal sem ceder à heresia, e morreu em paz a 2 de junho de 657. A Igreja celebra a sua memória nessa data.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Roma, junto de São Pedro, Santo Eugénio I, papa, que sucedeu a São Martinho, mártir.
Vida
O contexto: a controvérsia monotelita
No século VII, a unidade da Igreja foi ameaçada pelo monotelismo, doutrina errônea que reconhecia em Cristo uma só vontade — negando, na prática, a integridade da sua natureza humana. A heresia tinha apoio imperial em Constantinopla, e o papa São Martinho I a condenou solenemente no concílio romano de Latrão, em 649. Por essa fidelidade à fé, São Martinho I foi preso por ordem do imperador Constante II, levado para o Oriente e morto no exílio de Cherson, na Crimeia, recebendo da Igreja o título de mártir.
A sucessão a São Martinho I
Ainda com São Martinho I retido no desterro, o clero e o povo de Roma elegeram papa o romano Eugénio, do bairro do Aventino, a 10 de agosto de 654. Doce e afável desde a infância, assumiu o pontificado num clima de perseguição, herdando do antecessor a mesma causa: a defesa da reta fé contra a vontade única em Cristo.
O pontificado: firmeza sem cisão
Pensa-se que Santo Eugénio I tenha procurado restabelecer relações corteses com o imperador Constante II. Mas o patriarca de Constantinopla, Pedro, sucessor de Pirro, mantinha a política ambígua dos antecessores em matéria de fé. Quando chegaram a Roma os termos vindos do Oriente, o clero romano, reunido na igreja de Santa Maria, impediu que o papa começasse a Missa enquanto ele não prometesse formalmente reprovar a atitude do patriarca — sinal vivo de como o próprio povo de Roma zelava pela ortodoxia. Repelido Pedro, o imperador preparava para Santo Eugénio I o mesmo destino de exílio que dera a São Martinho I; o golpe não veio porque o poder imperial foi abalado por uma grave derrota naval diante do avanço do Islão. Tendo realizado muitas ordenações, Santo Eugénio I faleceu a 2 de junho de 657 e foi sepultado na Basílica de São Pedro, em Roma — como recorda o Martirológio Romano, que o nomeia «junto de São Pedro».
Referências
- Rohrbacher, «Vidas dos Santos», vol. 9 (2 de junho — «Santo Eugénio I, papa e confessor»).
- Martirológio Romano 2004, 2 de junho.
- Verbete Papa Eugénio I, na Wikipédia.

