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Santa Fé de Agen

Também conhecido como Santa Fé, Sainte Foy, Santa Fé de Conques

Identificação

Santa Fé de Agen (séc. III-IV) — virgem e mártir de Agen, na Aquitânia (França). Uma das mártires mais veneradas da Idade Média: suas relíquias, furtadas para Conques no século IX, transformaram esta pequena abadia num dos grandes santuários de peregrinação da rota para Santiago de Compostela, com a célebre estátua-relicário dourada conhecida como a “Majestade de Santa Fé”. A devoção deu nome a inúmeras cidades no mundo de língua espanhola e portuguesa — inclusive Santa Fé de Bogotá.

Elogio do Martirológio

Em Agen, na Aquitânia, atualmente na França, Santa Fé, mártir.

Vida

Martírio em Agen

Segundo a tradição recolhida por Rohrbacher, Fé nasceu de pais nobres em Agen. Presa como cristã durante passagem do prefeito Daciano pela cidade, foi pressionada a apostatar sacrificando à deusa Diana. Recusou, afirmando que só ao Deus vivo e verdadeiro prestava culto. Foi estendida sobre um leito (grelha) de ferro, sob o qual o prefeito mandou acender fogo. Muitos pagãos presentes, indignados com a crueldade, converteram-se e receberam com ela a coroa do martírio. Entre os cristãos presentes, São Caprásio — que mais tarde seria também venerado como santo — orou por ela durante o suplício; a tradição narra que uma pomba desceu do céu trazendo uma coroa que pousou sobre a cabeça da mártir, e que o fogo não lhe causava dano. São Caprásio declarou-se então cristão diante de Daciano; ambos, Fé e São Caprásio, foram finalmente decapitados juntos.

Sepultamento e culto inicial

Os corpos foram sepultados no local do martírio, permanecendo em relativo esquecimento até que, no século V, o bispo São Dulcício ergueu ali uma basílica em honra da mártir.

O furto das relíquias para Conques (séc. IX)

Na época em que a posse de relíquias de santos era disputada entre mosteiros para atrair peregrinos e doações, um monge de Conques, Arinisdo, instalou-se em Agen como servidor humilde e discreto da basílica de Santa Fé, ganhando a confiança dos capelães a ponto de se tornar guardião das relíquias. No dia da Epifania, aproveitando que todos assistiam às cerimônias da festa, quebrou um lado do túmulo, recolheu os ossos da santa num saco e fugiu. Os cavaleiros enviados no encalço não conseguiram alcançá-lo. Diz a tradição que, ao passar por Figeac, tocou os ossos aos olhos de um cego e devolveu-lhe a visão. Depositou por fim as relíquias em Conques.

Conques e a “Majestade de Santa Fé”

A partir de Conques, a devoção a Santa Fé espalhou-se por toda a França e chegou à Espanha, levada pelos cavaleiros que combatiam os mouros — numerosas povoações espanholas conservam o nome de Santa Fé até hoje. A imagem que a representa em Conques é uma estátua-relicário de ouro, ricamente adornada com pedras preciosas, conhecida como a “Majestade de Santa Fé” — um dos objetos de ourivesaria mais preciosos sobreviventes da Idade Média europeia, ainda hoje venerado no Tesouro da abadia de Conques, ponto de parada dos peregrinos do Caminho de Santiago de Compostela.

Devoção nas Américas

Conquistadores e navegantes levaram a devoção de Santa Fé para o Novo Mundo: há cidades e vilas com esse nome no Brasil, México, Estados Unidos, Argentina, Chile e outros países americanos. Desde longa data, a capital da Colômbia é conhecida como Santa Fé de Bogotá.

Fontes

  • Martirologio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — elogio latino/italiano/português (vault).
  • Rohrbacher, Vidas dos Santos (vol. 17, “Santa Fé”, pp. 372-376) — única fonte usada para a biografia (santa pré-1900, sem consulta web por regra do processo).

Backlinks

  • Dia litúrgico: ../por-data/10-outubro/06
  • Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004

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