São Godofredo de Amiens
Identificação
São Godofredo de Amiens (c. 1066–1115) foi abade do mosteiro de Nogent-sous-Coucy e, depois, bispo de Amiens, na França. Consagrou-se, desde criança, à vida monástica, distinguiu-se como um dos maiores bispos de seu tempo pela reforma dos costumes do clero e do povo e pela conciliação de conflitos entre os senhores e os habitantes da cidade episcopal. O Martirológio Romano comemora, em 8 de novembro, o seu sepultamento em Soissons.
Vida
Filho de Frodon — que mais tarde abraçou a vida monástica no próprio convento de Nogent —, São Godofredo foi, desde o nascimento, confiado às orações da comunidade do monte São Quentin, onde ingressou aos cinco anos de idade. Ali revelou precoce amor à pobreza e ao recolhimento, tornando-se procurador da comunidade e pondo em ordem, com prudência incomum para a idade, os negócios do convento, então endividado.
Em 1095, São Godofredo foi feito abade de Nogent-sous-Coucy, mosteiro recém-fundado que encontrou com poucos e indisciplinados religiosos. Sob seu governo, a casa floresceu e recebeu numerosas vocações; dedicou-se também à direção espiritual de leigos, sem descuidar da vida regular dos monges.
Em 1103, foi eleito bispo de Amiens — eleição que só aceitou sob forte insistência. Entrou descalço na cidade e, já como bispo, manteve hábitos de austeridade extrema: lavava os pés de doze pobres todos os dias e servia-lhes à mesa. Combateu com vigor os abusos do clero e as usurpações dos poderosos, restabelecendo a reforma no mosteiro de São Valeri, e recusou-se a aceitar ofertas de príncipes cujo modo de vida julgava mundano.
Em 1112, de acordo com os habitantes de Amiens, São Godofredo instituiu gratuitamente uma comuna urbana — governada por vinte e quatro almotacéis sob um administrador —, uma das primeiras experiências de autogoverno municipal da França medieval. A medida gerou guerra entre a comuna e o conde Engebrando de Boves (pai de Tomás de Marle), que a atacou com violência; o rei Luís VI, o Gordo, e o próprio bispo intervieram para obter o reconhecimento real dos estatutos municipais.
Desolado com os conflitos e mortes causados por essa guerra, São Godofredo decidiu abandonar o episcopado e retirou-se para a Grande Cartuxa de Grenoble, recebido pelo prior Guigues. De lá, enviou ao legado pontifício Cônon carta renunciando à sé de Amiens. Reunidos em concílio — primeiro em Beauvais, depois em Soissons, na Epifania de 1115 —, os bispos, comovidos com a humildade da renúncia, recusaram aceitá-la e ordenaram, por autoridade real e conciliar, o retorno do santo bispo à sua diocese. São Godofredo obedeceu, foi recebido em Amiens com grande alegria popular, mas, pouco depois, ao viajar para consultar o arcebispo em Reims, faleceu no caminho, em 8 de novembro de 1115.
Elogio do Martirológio
Em Soissons, na França, o sepultamento de São Godofredo, bispo de Amiens, que, educado desde os cinco anos na vida monástica, sofreu muito na conciliação dos conflitos entre os senhores e o povo da cidade, assim como na reforma dos costumes do clero e do povo. — Martirológio Romano, 8 de novembro
Fontes
- Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — dia 11-08, ordem 5, elogio PT/IT/LA (ano 1115).
- Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 19 PG 250–255, “São Godofredo, Bispo de Amiens” — biografia detalhada: entrada no monte São Quentin aos cinco anos, abade de Nogent-sous-Coucy (1095), eleição episcopal (1103), fundação da comuna de Amiens (1112), guerra com o conde de Boves, retiro à Grande Cartuxa de Grenoble, renúncia recusada pelos concílios de Beauvais e Soissons (Epifania de 1115), retorno a Amiens e morte a caminho de Reims em 8 de novembro de 1115.
- Confirmação de identidade: nome, data (11-08) e ano de falecimento (1115) coincidem entre
entradasdo dia litúrgico do vault e o relato de Rohrbacher — pré-1900, sem consulta a fontes web.
Backlinks
- Dia litúrgico: ../por-data/11-novembro/08
- Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004
