São Gonzaga Gonza

Também conhecido como Gonza Nghonzabato, Mártir de Uganda

Identificação

São Gonzaga Gonza (nome luganda completo: Gonza Nghonzabato, séc. XIX – 27 de maio de 1886), jovem fâmulo da corte real do reino de Buganda (atual Uganda), foi morto a lança em Lubaawo durante a marcha rumo à fogueira de Namugongo, tornando-se um dos Vinte e Dois Mártires do Uganda. Tinha cerca de 24 anos ao morrer pela fé em Cristo. A Igreja celebra sua memória no dia 27 de maio, data de seu martírio. Canonizado por São Paulo VI em 18 de outubro de 1964, foi o primeiro grupo de mártires africanos elevado à glória dos altares na era contemporânea.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Lubawo, também no Uganda, São Gonzaga Gonza, mártir, que era um dos fâmulos reais e, quando ia preso com cadeias para a fogueira, foi trespassado pelas lanças dos algozes.

Vida

A corte de Mwanga II e a perseguição

O reino de Buganda — hoje o coração do Uganda — era governado, desde 1884, pelo kabaka (rei) Mwanga II. A chegada dos missionários católicos e protestantes nas décadas de 1870 e 1880 havia produzido um fenômeno sem precedentes na região: centenas de jovens da corte real, os bakungu e os pajens (bakopi), converteram-se ao Evangelho com fervor, aprendendo a ler, a orar e a resistir — em consciência — a práticas que contrariavam a fé recém-abraçada.

Mwanga II enxergava essa transformação como uma ameaça dupla: à sua autoridade pessoal — pois os jovens cristãos se recusavam a obedecer-lhe em matérias contrárias à moral — e ao seu poder político, num contexto de disputa territorial entre potências europeias. A primeira grande execução aconteceu em 15 de novembro de 1885, quando São José Mukasa Balikuddembe, chefe dos pajens, foi decapitado e seu corpo queimado por ter censurado o rei pelo assassinato do missionário anglicano James Hannington.

O ponto de ruptura definitivo veio no 25 de maio de 1886: reunidos os servos da corte no palácio de Munyonyo, Mwanga II interrogou os pajens sobre sua fidelidade à fé cristã. São Carlos Lwanga, chefe dos fâmulos reais, conduziu a resposta: os jovens declararam que eram cristãos e que permaneceriam cristãos. O rei, em fúria, condenou-os todos à morte na fogueira de Namugongo, a cerca de doze quilômetros da capital Kampala.

Gonzaga Gonza, fâmulo real

São Gonzaga Gonza servia como fâmulo — pajem e doméstico — do kabaka Mwanga II. Convertido ao catolicismo, integrava o grupo de jovens da corte que havia recebido instrução religiosa dos missionários, em particular dos Padres Brancos (Missionários de Nossa Senhora da África), que evangelizavam Buganda desde 1879.

Como tantos de seus companheiros, São Gonzaga Gonza uniu sua fé à lealdade ao senhor que os formara — mas recusou a única obediência que contrariava a Deus. Quando a condenação veio, aceitou as correntes com serenidade, companheiro na prisão de outros dezessete pajens encadeados. A marcha de Munyonyo a Namugongo começou logo após a sentença.

O martírio a lança em Lubaawo

São Gonzaga Gonza não chegaria a Namugongo. Durante a marcha sob custódia armada, três dos condenados foram mortos pelos algozes antes de alcançar o lugar da execução: São Ponsiano Ngondwe (26 de maio), São Atanásio Bazzekuketta e São Gonzaga Gonza — ambos a 27 de maio de 1886, em Lubaawo, no caminho entre Munyonyo e Namugongo.

O Martirológio Romano conserva a memória da morte de São Gonzaga Gonza com precisão: ia “preso com cadeias”, como prisioneiro encaminhado à fogueira, quando foi “trespassado pelas lanças dos algozes”. A forma do martírio — distinta da fogueira que consumiu seus companheiros em 3 de junho — não diminuiu em nada o testemunho: São Gonzaga Gonza morreu pelas mesmas razões que todos os demais, pela mesma fé, na mesma recusa.

Os outros dezenove mártires condenados foram queimados vivos em Namugongo entre 26 de maio e 3 de junho de 1886; a fogueira maior, em que pereceram São Carlos Lwanga e treze companheiros, deu-se em 3 de junho de 1886.

A canonização de 1964

O processo de beatificação dos Mártires do Uganda culminou sob São Pio X, que os beatificou em 1920. A canonização solene veio em 18 de outubro de 1964, quando São Paulo VI elevou os Vinte e Dois Mártires Católicos do Uganda à glória dos santos, numa celebração realizada na Basílica de São Pedro, em Roma — a primeira canonização de africanos modernos e um dos atos mais emblemáticos do pontificado de São Paulo VI no contexto do Concílio Vaticano II. Na ocasião, o Papa reconheceu também os mártires anglicanos que morreram pelas mesmas razões, em sinal de respeito ecumênico. São Gonzaga Gonza foi canonizado entre os Vinte e Dois, na festa que a Igreja celebra a 3 de junho — embora sua memória própria recaia sobre 27 de maio, dia de seu martírio.

Referências

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