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Beatos Guilherme Scott e Ricardo Newport

Também conhecido como Maurus Scott, Maurus, Richard Smith, Andrew Smith

Identificação

Beatos Guilherme Scott e Ricardo Newport foram dois presbíteros católicos ingleses martirizados em Tyburn, Londres, em 30 de maio de 1612, durante o reinado de Jaime I, condenados unicamente por exercerem o sacerdócio em solo inglês.

Guilherme Scott — nome religioso Maurus Scott — era monge da Ordem de São Bento; Ricardo Newport — cujo sobrenome de missão era também registrado como Smith — era sacerdote diocesano secular. Ambos foram beatificados pelo papa Pio XI em 15 de dezembro de 1929, entre os Cento e Sete Mártires da Inglaterra e do País de Gales.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Também em Londres, trinta anos mais tarde, os beatos Guilherme Scott, da Ordem de São Bento, e Ricardo Newport, presbíteros e mártires, que, no reinado de Jaime I, por causa do sacerdócio, o primeiro morreu estrangulado com uma corda, e o segundo esquartejado à espada enquanto estava ainda vivo.

Vida

O contexto da perseguição sob Jaime I

Quando Isabel I morreu em 1603, muitos católicos ingleses esperavam algum alívio sob o novo rei Jaime I, filho de Maria Rainha dos Escoceses. A esperança durou pouco: as leis penal-religiosas isabelinas foram mantidas e enrijecidas após a Conspiração da Pólvora (1605), e o sacerdócio católico continuou a ser crime punível com morte. Sacerdotes que cruzavam o Canal e aportavam em Inglaterra eram considerados traidores por simples fato de serem ordenados — sem necessidade de provar qualquer ato político.

Nesse clima de perseguição, dezenas de presbíteros, muitos dos quais formados nos colégios ingleses do continente, regressavam clandestinamente ao país para administrar os sacramentos a uma fé que sobrevivia nas casas de famílias recusantes. Guilherme Scott e Ricardo Newport fizeram parte dessa geração de missionários que trocaram a segurança do exílio pela possibilidade do martírio.

Beato Guilherme Scott — monge beneditino

Guilherme Scott nasceu por volta de 1579 em Chigwell, Essex. Formou-se em direito civil na Universidade de Cambridge (Trinity College e Trinity Hall), obtendo o grau de LL.B. em 1600, e prosseguiu sua formação jurídica no Inner Temple de Londres. Era, portanto, um letrado de formação protestante antes de converter-se ao catolicismo — conversão que ele mesmo descreveu como resultado de dois anos de “luta intelectual e espiritual” após entrar em contato com argumentos teológicos católicos por volta de 1603-1604.

A influência decisiva em sua conversão foi o monge beneditino João Roberts (também mártir, beatificado em 1929 e canonizado em 1970), que o recebeu na Igreja. Guilherme seguiu os passos do seu mestre: ingressou na vida monástica no Mosteiro de San Facundo em Sahagún, Espanha, onde tomou o nome religioso de Maurus — em honra a São Mauro, discípulo de São Bento. Ordenado sacerdote em 1610, foi enviado ao Mosteiro de São Gregório em Douai para preparar-se para a missão na Inglaterra, chegando ao país em dezembro de 1610.

Logo após a chegada, assistiu à execução do seu mentor João Roberts em Tyburn e, com risco da própria vida, ajudou a recolher as relíquias do mártir. O gesto custou-lhe um ano de prisão. Banido e posteriormente de volta à Inglaterra, foi preso novamente na Semana da Páscoa de 1612 quando tentava desembarcar no Tâmisa. Julgado no Old Bailey em 28 de maio de 1612, foi condenado por exercer o sacerdócio. Confessou a ordenação apenas depois de o júri já ter proferido o veredicto de culpado. Executado em Tyburn em 30 de maio de 1612, suas relíquias são veneradas na Abadia de Downside.

Beato Ricardo Newport — sacerdote secular

Ricardo Newport — cujo nome alternativo de missão era Smith — era sacerdote do clero secular. Nascido em solo inglês, recebeu sua formação nos colégios católicos do continente e retornou à Inglaterra para o exercício clandestino do ministério. Foi preso, julgado e condenado pelo mesmo crime do seu companheiro: ser sacerdote. Executado também em Tyburn em 30 de maio de 1612 — no mesmo dia que o Beato Guilherme Scott —, morreu segundo a forma mais brutal da pena de traição: esquartejado à espada enquanto ainda estava vivo, segundo o relato do Martirológio Romano.

O martírio em Tyburn e a beatificação de 1929

Tyburn — o patíbulo situado onde hoje é o Marble Arch, no extremo nordeste de Hyde Park — era o lugar de execução ordinária dos mártires católicos ingleses. Ali foram executados dezenas de sacerdotes e leigos durante os reinados de Henrique VIII, Isabel I e Jaime I. O Beato Guilherme Scott foi “estrangulado com uma corda” (a forca) e o Beato Ricardo Newport foi esquartejado.

A memória de ambos foi preservada nos colégios ingleses do continente e nas comunidades recusantes. Em 15 de dezembro de 1929, o papa Pio XI beatificou os dois mártires entre os Cento e Sete Mártires da Inglaterra e do País de Gales — grupo que incluía sacerdotes seculares, religiosos de diversas ordens e alguns leigos, todos executados por motivos religiosos entre os séculos XVI e XVII. A cerimônia de beatificação foi notória pela presença do escritor G.K. Chesterton, ele próprio convertido ao catolicismo.

Referências

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