Santo Hilarião, abade
Também conhecido como Hilarión (grafia castelhana, incorreta em português)
Identificação
Santo Hilarião, abade, é venerado como fundador e patriarca da vida eremítica na Palestina, à semelhança de Santo Antão no Egito e São Pacômio na Tebaida. O Martirológio Romano o comemora em 21 de outubro. Correção de grafia: o nome-canônico do stub original, “Hilarión” (forma castelhana), foi corrigido para “Hilarião”, a forma fixada tanto pelo dia litúrgico do vault (por-data/10-outubro/21.md, ordem 3: “Santo Hilarião”) quanto pelo índice (martirologio_ind.txt, linha 4822: “Hilarião, Chipre, 21 Out., 3 (c. 371)”) e por Rohrbacher, que lhe dedica biografia extensa sob o título “Santo Hilarião — Patriarca dos Solitários da Palestina”. Note-se que o índice regista várias outras entradas homônimas (“Hilarião” de Ancara, de Cartago, de Constantinopla, do monte Olimpo) — a desta ficha é especificamente a de Chipre, 21 de outubro, ordem 3, morte c. 371.
Vida
Nascido perto de Gaza, na Palestina, filho de pais pagãos, Hilarião estudou letras e converteu-se ao cristianismo, recebendo o batismo ainda jovem. Tendo ouvido falar de Santo Antão, foi ao deserto egípcio procurá-lo; impressionado com seu exemplo, vestiu o hábito monástico e decidiu imitar sua vida. Dois meses depois, porém, considerou aquela solidão insuficientemente ermo, pois era continuamente visitada por multidões que buscavam Antão em busca de cura; Hilarião desejava uma solidão mais completa e, com a bênção do velho anacoreta, voltou à sua terra natal por volta do ano 307.
Ao regressar, encontrou os pais já falecidos; distribuiu parte dos bens aos irmãos e o resto aos pobres, sem reservar nada para si, e retirou-se para um deserto entre o mar e os pântanos, dito infestado de ladrões — respondeu que só temia a morte eterna. Tinha então cerca de quinze anos (o que situa seu nascimento por volta de 292) e compleição frágil; vestia-se apenas com um saco, uma túnica de pele doada por Santo Antão e uma pequena capa. Praticou jejuns extremos, chegando a passar dias sem comer quando sentia tentações; construiu com as próprias mãos uma cela minúscula, mais parecida com um túmulo do que morada humana, onde viveu até o fim da vida.
Tornou-se o patriarca da vida solitária na Palestina, atraindo grande número de discípulos e visitantes — bispos, sacerdotes, monges, senhoras, o povo da cidade e do campo — todos em busca de sua bênção ou cura, o que chegou a angustiá-lo por privá-lo da solidão que buscava. Mantinha correspondência de consolação com Santo Antão, seu mestre. Numa peregrinação a Elusa, na Idumeia, converteu multidões pagãs que veneravam Vênus. Ao saber, por revelação, da morte de Santo Antão (356), decidiu partir em peregrinação, cada vez mais perseguido pela própria fama: sob o imperador Juliano, o Apóstata, fugiu com seu discípulo Hesíquio para o Egito, depois para a Sicília, para Épiro (Dalmácia) e, por fim, para as imediações de Pafos, em Chipre, buscando sempre o anonimato — sem nunca o conseguir plenamente, pois os possessos e enfermos continuavam a procurá-lo onde quer que se hospedasse.
Passou os últimos anos da vida em Chipre, retirado ainda mais para o interior da ilha, num vale agreste a doze milhas do mar. Sentindo a morte próxima, escreveu de próprio punho um curto testamento a Hesíquio, então ausente, legando-lhe seus únicos bens: o Evangelho e as roupas — uma túnica de pele grosseira, um capuz e uma pequena capa. Morreu por volta de 371, com quase setenta anos de vida consagrada; foi sepultado, por sua vontade, no próprio jardim onde vivia. Hesíquio, avisado de sua morte, voltou a Chipre e, cerca de dez meses depois, furtou secretamente as relíquias do santo, transportando-as para Maiuma, na Palestina, onde foram recebidas com grande procissão de monges e povo. São Jerônimo, que viveu na mesma época, escreveu a Vita Hilarionis, principal fonte antiga sobre o santo.
Elogio do Martirológio
Na ilha de Chipre, Santo Hilarião, abade, que, seguindo os passos de Santo Antão, depois de passar algum tempo em vida solitária perto da cidade de Gaza, foi fundador e exemplo da vida eremítica nesta região. — Martirológio Romano, 21 de outubro
Fontes
- Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — dia 10-21, ordem 3, elogio PT/LA (elogio_it ausente na edição consultada; ano c. 371).
martirologio_ind.txt, linha 4822 — “Hilarião, Chipre, 21 Out., 3 (c. 371)” (distinta das demais entradas homônimas do índice, associadas a outros dias/santos).- Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 18, linhas 11811-11989 PG 367-373, “Santo Hilarião — Patriarca dos Solitários da Palestina” — biografia extensa baseada na Vita Hilarionis de São Jerônimo: infância e conversão perto de Gaza, discipulado sob Santo Antão, retorno à Palestina (c. 307), fundação da vida eremítica palestina, fama e multidões, peregrinação a Elusa, morte de Antão (356), fuga sob Juliano o Apóstata (Egito, Sicília, Dalmácia, Chipre), últimos anos e morte em Pafos (c. 371), testamento a Hesíquio, translação das relíquias a Maiuma.
Backlinks
- Dia litúrgico: ../por-data/10-outubro/21
- Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004
