São João Maria Vianney

Também conhecido como Cura d'Ars, Padre Santo de Ars, Padroeiro dos Párocos

Identificação

São João Maria Vianney (1786-1859) — popularmente o Cura d’Ars (“Pároco de Ars”). Sacerdote francês de saber acadêmico modesto, pároco rural por 41 anos numa pequena vila de 240 habitantes que se transformou no maior centro de confissão da Europa do séc. XIX. Confessava 16-19 horas por dia durante décadas. Padroeiro universal dos párocos (declarado por Pio XI em 1929). Modelo do sacerdote rural simples levado à santidade extrema. Místico, taumaturgo, leitor de almas, com luta documentada contra o demônio (le grappin, “o garfo”).

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Memória de São João Maria Vianney, sacerdote, que, na pobre aldeia de Ars na França, durante mais de quarenta anos como pároco se consagrou ao seu rebanho com a palavra, a oração e as mortificações, e por sua admirável caridade pastoral atraiu a Cristo um sem-número de penitentes e doentes em busca de cura.

Vida

Origens

Jean-Marie Baptiste Vianney nasceu em 8 de maio de 1786 em Dardilly (perto de Lyon), de família camponesa pobre piedosa. 4º de 6 filhos.

Cresceu durante a Revolução Francesa (1789-1799) — Igreja perseguida. Sacerdotes refratários celebravam missas clandestinas em casas de camponeses. Aos 7 anos, fez primeira comunhão clandestina.

Vocação difícil

Aos 18 anos (1804), expressou desejo de ser sacerdote. Pai recusou (queria que ajudasse na lavoura). Mãe Marie o apoiou.

1806: começou estudos no presbítero Charles Balley em Écully. Encontrou enorme dificuldade com o latim — frágil intelectualmente, jamais brilhante academicamente.

1809: conscritado pelo exército napoleônico. Desertou (caso comum na época para evitar a guerra). Escondeu-se nas montanhas. Anistia em 1810.

1813: ingressou no seminário de Verrières, depois Lyon. Quase reprovado vários exames por insuficiência de latim. Aceito em consideração à sua piedade extraordinária.

13 de agosto de 1815: ordenado sacerdote em Grenoble, com 29 anos, graças à intercessão do Padre Balley que garantia sua vocação.

Coadjutor em Écully (1815-1818)

3 anos como coadjutor de Balley. Aprendeu o ministério paroquial.

Cura de Ars (1818-1859) — 41 anos

11 de fevereiro de 1818: enviado a Ars-sur-Formans (Ain, diocese de Belley) — vila pobre de 240 habitantes, fé tibia, missa pouco frequentada, taberna sempre cheia.

Vianney transformou Ars durante 41 anos:

Pobreza e mortificações

  • Comia batatas frias uma vez ao dia (à noite).
  • Dormia 2-3 horas em chão duro.
  • Cilícios e flagelações.
  • Toda a renda paroquial doada aos pobres ou para reformar a igreja.

Pregação simples

Os primeiros anos: homilias tão simples que os paroquianos riam. Mas firmeza moral sobre os vícios da vila (taverna, blasfêmia, trabalho aos domingos).

Confessionário (1827 em diante)

Após poucos anos, começou a chegar gente de fora ao confessionário de Vianney — rumor de “santidade prática”.

Década de 1830: filas começaram a aumentar.

Década de 1840-50: Ars tornou-se centro de peregrinação espiritual da Europa. Vianney confessava 16-18 horas por dia, em pé sem comer: - 20 000 peregrinos por ano (cifra de 1855). - Penitentes vinham de toda França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha. - Vianney lia almas: identificava pecados não confessados, dava conselhos surpreendentes, identificava vocações.

Leitor de almas

Episódios documentados: - Mulher que perdera o marido num naufrágio: Vianney lhe disse, sem que ela falasse: “Tua dor é justa, mas teu marido já foi salvo. Pensou em invocar Maria no momento da morte. Está em vias de salvação”. - Perdoou pecados não confessados que penitentes haviam guardado por anos. - Recusou absolvição em casos onde pecadores não tinham contrição real.

Luta com o demônio

Documentada por testemunhas múltiplas: Vianney sofreu ataques físicos do demônio (chamado por ele “o garfo”) durante 35 anos: - Barulhos noturnos, gritos, batidas no quarto. - Cama incendiada uma vez (1858). - Em uma ocasião, carregada como pluma em outro quarto.

Vianney comentava: “Quando o garfo me atormenta muito, é porque grandes pecadores virão se confessar ao dia seguinte”regra empírica.

Tentativas de fuga

3 vezes Vianney tentou fugir de Ars para entrar como simples monge num convento (procurava o anonimato). Sempre foi forçado a voltar — pelo bispo, pelo povo, pela própria consciência.

Morte

Faleceu em Ars em 4 de agosto de 1859, com 73 anos, exausto pela penitência e pelo confessionário. 300 sacerdotes participaram do funeral.

Canonização

  • Beatificado em 8 de janeiro de 1905 por Pio X.
  • Canonizado em 31 de maio de 1925 por Pio XI.
  • Padroeiro universal dos Párocos declarado por Pio XI em 23 de abril de 1929.

Magistério recente

Os papas modernos invocam constantemente Vianney como modelo do sacerdote:

  • João XXIII: encíclica Sacerdotii Nostri Primordia (1959, no centenário da morte de Vianney) — primeira encíclica papal sobre santidade sacerdotal.
  • João Paulo II: visita a Ars em 1986; cita Vianney em todas as cartas aos sacerdotes pela Quinta-feira Santa.
  • Bento XVI: declarou Ano Sacerdotal (junho 2009 - junho 2010) no 150º aniversário da morte de Vianney.
  • Francisco: cita-o frequentemente.

Iconografia

  • Sotaina preta.
  • Estola roxa (cor de penitência).
  • Crucifixo nas mãos.
  • Confessionário ao fundo.
  • Rosto magro, idoso.
  • Postura humilde.

Backlinks

  • Dia litúrgico: por-data/08-agosto/04
  • Século: por-seculo/seculo-xix
  • País: por-pais/frança
  • Sacerdotes santos:
  • Padroeiros dos párocos:
  • Confessores célebres:
  • Mestre: Padre Charles Balley (não santo)
  • Santuário de Ars:
  • Ano Sacerdotal de Bento XVI 2009-2010
  • Místicos modernos:
  • Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004
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