São Justino Mártir
Também conhecido como Justino Filósofo, Filósofo e mártir, Iustinus de Flavia Neapolis
Identificação
São Justino Mártir (c. 100-165) — filósofo convertido ao cristianismo, primeiro grande apologista cristão que tentou demonstrar a racionalidade da fé diante dos pagãos cultos. Padre da Igreja. Mestre leigo (não-clérigo). Mártir em Roma sob Marco Aurélio.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Memória de São Justino, mártir, que, exímio filósofo, percorrendo todas as escolas filosóficas, encontrou afinal a verdadeira filosofia na doutrina cristã. Eminente mestre, defendeu vigorosamente a fé com seus escritos e em Roma alcançou a coroa do martírio sob o imperador Marco Aurélio.
Vida
Nascido por volta de 100 d.C. em Flávia Neápolis (atual Nablus na Samaria, Cisjordânia), de família grega pagã. Estudou as principais escolas filosóficas da época: estoicismo, peripatetismo, pitagorismo, platonismo — sem encontrar resposta plena à inquietude.
Conversão: na praia (provavelmente em Éfeso), encontrou um velho cristão (anônimo, identificado tradicionalmente com São Policarpo de Esmirna ou um dos últimos discípulos dos apóstolos) que o levou aos profetas hebreus e ao Cristo. Justino escreveu (Diálogo com Trifão 8): “De repente uma chama foi acesa em minha alma; o amor pelos profetas e por aqueles homens que são amigos de Cristo me possuiu; e refletindo sobre todas as suas palavras, achei que esta é a única filosofia segura e proveitosa. Por isso, sou filósofo (cristão).”
Continuou a usar a toga do filósofo após a conversão — sinal visível de que o cristianismo é a vera philosophia. Mudou-se para Roma e abriu uma escola filosófica cristã em casa particular, ensinando publicamente.
Foi denunciado pelo filósofo cínico Crescente (que ele havia desafiado em debate público sobre o cristianismo). Preso com 6 discípulos (entre eles Querion, Caritón, Vitor, Liberio, Hierax, Páio). Interrogado pelo prefeito Rusticus:
Rusticus: “Pensas que, depois de ser açoitado e decapitado, subirás ao céu?” Justino: “Eu o espero, se as minhas expectativas se realizarem; mas tenho a certeza de que aos que vivem assim aguarda a divina graça.”
Decapitados em Roma, c. 165 d.C., sob Marco Aurélio (filósofo-imperador, paradoxalmente).
Obras
Sobreviveram apenas três obras: - Primeira Apologia (155): dirigida ao próprio imperador Antonino Pio. Contém a primeira descrição detalhada da Liturgia Cristã (capítulos 65-67) — leitura das Escrituras, homilia, oferta do pão e vinho, comunhão. Texto fundamental para a história da Eucaristia. - Segunda Apologia: complemento da primeira. - Diálogo com Trifão (judeu): defende o cristianismo diante do judaísmo, mostrando o cumprimento das profecias.
Outras obras (perdidas): tratado Contra Todas as Heresias, contra Marcion, Sobre a Ressurreição.
Importância
- Primeira teologia da história: Justino lança a doutrina do Logos spermatikós (Verbo seminal) — toda verdade encontrada nos filósofos pagãos é fragmento do Logos divino que se revelou plenamente em Cristo.
- Primeiro a usar “filosofia cristã”: o cristianismo é a vera philosophia, não destrói a razão pagã, completa-a.
- Fonte mais antiga sobre a Liturgia Eucarística.
Patronato
- Padroeiro dos filósofos cristãos.
- Padroeiro dos apologistas e evangelizadores intelectuais.
- Devoção forte na arquidiocese de Nablus (Israel-Palestina).
Backlinks
- Dia litúrgico: por-data/06-junho/01
- Século: por-seculo/seculo-ii
- País: por-pais/israel-palestina · por-pais/italia
- Padres da Igreja:
- Apologistas:
- Mártires da perseguição romana:
- Leigos santos:
- Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004

