Beatas Madalena Fontaine e companheiras
Também conhecido como Mártires de Cambrai, Beatas de Cambrai, Filhas da Caridade de Cambrai
Identificação
Beatas Madalena Fontaine e companheiras — grupo de quatro Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo que sofreram o martírio durante a Revolução Francesa. São elas: Beata Madalena Fontaine, superiora da comunidade de Arras, Beata Francisca Lanel, Beata Teresa Fantou e Beata Joana Gérard. Foram guilhotinadas em Cambrai, no norte da França, em 26 de junho de 1794, acusadas de atividade contra-revolucionária por recusarem o Juramento Constitucional. A Igreja celebra sua memória em 26 de junho.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Cambrai, na França, as beatas Madalena Fontaine, Francisca Lanel, Teresa Fantou e Joana Gérard, virgens e mártires, que eram Filhas da Caridade, quando, em ódio à Igreja, durante a Revolução Francesa, foram condenadas à morte e conduzidas ao suplício coroadas por zombaria com o Rosário.
Vida
As Filhas da Caridade de Arras e a Revolução
A congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, fundada no século XVII por São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac, dedicava-se ao serviço dos pobres e dos doentes. A casa de Arras, no norte da França, era uma dessas comunidades apostólicas onde as irmãs viviam e trabalhavam em meio ao povo.
Com o advento da Revolução Francesa e a promulgação da Constituição Civil do Clero (1790), o novo regime passou a exigir dos religiosos e sacerdotes o juramento de fidelidade à constituição — um ato incompatível, segundo a consciência católica, com a fidelidade à Igreja de Roma. A recusa do juramento tornou-se, para muitos religiosos, declaração pública de martírio.
As quatro irmãs permaneceram unidas em torno de Beata Madalena Fontaine, a superiora. Madalena entrara na congregação em 1748 e fora nomeada superiora da casa de Arras em 1767; Francisca Lanel chegara ao noviciado em 1764; Teresa Fantou ingressara em 1771; Joana Gérard era a mais jovem do grupo.
Em 1792, no auge das perseguições religiosas do Terror, as quatro foram presas pelas autoridades revolucionárias. Durante os dois anos seguintes permaneceram detidas.
A prisão, o julgamento e a guilhotina em 1794
Em junho de 1794, as irmãs foram levadas a Cambrai, onde se realizou o processo sumário. Acusadas de atividade contra-revolucionária pela simples fidelidade à Igreja, foram sentenciadas à morte. Segundo o relato do Martirológio Romano, foram conduzidas ao suplício coroadas por zombaria com o Rosário — gesto de escárnio que elas próprias transformaram em testemunho de fé.
Em 26 de junho de 1794, as quatro Filhas da Caridade foram guilhotinadas em Cambrai. Morreram professando a fé católica, na sequência de tantos outros mártires da Revolução Francesa — entre eles o Beato Raimundo Petiniaud de Jourgnac, também lembrado pelo Martirológio nesse mesmo dia 26 de junho.
A tradição hagiográfica associa à Beata Madalena Fontaine, superiora e a primeira a subir ao cadafalso, uma última fala profética anunciando o iminente fim do Terror. Essa tradição, transmitida pelas comunidades das Filhas da Caridade, não pôde ser verificada em fonte primária direta; registra-se como memória da congregação.
A beatificação de 1920
Em 6 de julho de 1919, o Papa Bento XV publicou o decreto reconhecendo o martírio das quatro Filhas da Caridade. A beatificação formal ocorreu em 13 de junho de 1920, também pelo Papa Bento XV — o mesmo pontífice que, naquele período, reconheceu o martírio de numerosos religiosos franceses assassinados durante a Revolução.
A memória litúrgica das Beatas Madalena Fontaine e companheiras é celebrada em 26 de junho, data de seu martírio.
Referências
- Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana), 26 de junho, entrada n.º 11 (com marcador
*). - Catholicsaints.info, verbetes individuais: «Blessed Marie-Madeleine Fontaine», «Blessed Marie-Françoise Lanel», «Blessed Thérèse-Madeleine Fantou», «Blessed Jeanne Gérard» — fonte em inglês; dados biográficos verificados.
- Martyrs of Cambrai — catholicsaints.info/martyrs-of-cambrai (EN).

