Santa Maria Goretti

Também conhecido como Mártir da Pureza, Anjinha de Corinaldo

Identificação

Santa Maria Goretti (1890-1902) — menina italiana camponesa de 11 anos, esfaqueada por Alessandro Serenelli (20 anos) ao se recusar a ser violentada por ele em 5 de julho de 1902 na vila Le Ferriere (Nettuno, Lazio). Faleceu 24 horas depois, perdoando o agressor antes de morrer. Mártir da pureza e padroeira da juventude, sobretudo das vítimas de violência sexual. Canonizada em 1950 por Pio XII — celebração com a presença viva da mãe Assunta Goretti e do próprio Alessandro Serenelli (já convertido) na Praça de São Pedro.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Nettuno, no Lácio, na Itália, Santa Maria Goretti, virgem e mártir, que, ainda criança, para defender a sua castidade, sofreu o martírio aos onze anos por mão de um agressor.

Vida

Nascida em 16 de outubro de 1890 em Corinaldo (Marche), terceira de sete filhos de Luigi Goretti e Assunta Carlini, camponeses pobres. Em 1899 a família mudou-se para a região pantanosa do Agro Pontino, em busca de trabalho — instalou-se na fazenda Le Ferriere, perto de Nettuno (Lazio).

6 de maio de 1900 — Luigi morreu de malária. Assunta passou a sustentar 6 filhos sozinha. Maria Goretti, com 9 anos, assumiu cuidados domésticos, irmãos pequenos e da casa enquanto a mãe trabalhava no campo.

A família Goretti partilhava a casa com a família Serenelli (Giovanni Serenelli e o filho Alessandro, então 18 anos). Maria não sabia ler nem escrever, mas era cuidadosa em frequentar a missa dominical e fizera a Primeira Comunhão em 29 de maio de 1902.

Alessandro Serenelli começou a fazer propostas indecorosas a Maria (que tinha 11 anos completos) em 1902. Ela recusou-as duas vezes, ameaçada de morte por ele, sem revelar a ninguém (típico de vítimas).

5 de julho de 1902 — Alessandro voltou ao meio-dia ao casarão deserto, encontrando Maria sozinha cuidando da irmã pequena. Ele a arrastou para o quarto, exigiu o ato sexual. Maria respondeu:

“No, no, no, no! Dio non vuole, è peccato! Andresti all’inferno!” (“Não, não, não, não! Deus não quer, é pecado! Tu irias para o inferno!”)

Em fúria, Alessandro a esfaqueou 14 vezes com punhal afiado e fugiu. Maria foi encontrada agonizante. Levada ao Hospital de Nettuno, sobreviveu 24 horas.

No leito, antes de morrer, perdoou explicitamente Alessandro:

“Sì, per amore di Gesù lo perdono… e voglio che venga in paradiso con me.” (“Sim, por amor de Jesus eu o perdoo… e quero que ele venha ao paraíso comigo.”)

Faleceu em 6 de julho de 1902, ao meio-dia, com 11 anos e 9 meses.

Conversão de Alessandro Serenelli

Alessandro foi condenado a 30 anos de prisão. Inicialmente impenitente. Em 1910, na prisão de Noto (Sicília), recebeu uma visão de Maria Goretti num sonho — ela lhe oferecia 14 lírios brancos, um por cada facada. Convertido, escreveu carta penitente, restituiu propriedades, peticionou pelo perdão da família.

Solto em 1929, peregrinou primeiro à Igreja Matriz de Corinaldo. Na noite de Natal de 1937, dirigiu-se à casa de Assunta Goretti, ajoelhou-se diante dela: “Posso entrar?”. Assunta o recebeu com perdão. Comungaram juntos na missa do galo de 1937.

Alessandro tornou-se terciário capuchinho (irmão leigo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos). Trabalhou no convento de Macerata como porteiro até a morte em 1970, com 88 anos.

Canonização

  • Beatificada em 27 de abril de 1947 por Pio XII (com Assunta presente).
  • Canonizada em 24 de junho de 1950 por Pio XII durante o Ano Santo de 1950 — primeira canonização de uma mãe na presença viva da mãe e do próprio assassino convertido. Ouvintes na Praça de São Pedro: cerca de 500 000 pessoas.

Mensagem

A canonização de Maria Goretti é célebre por dois eixos:

  1. Defesa da castidade — heroísmo da pureza juvenil em circunstâncias trágicas.
  2. Poder do perdão cristão — capacidade de transformar o agressor em irmão na fé. “Quero que venha ao paraíso comigo” tornou-se citação universal.

Backlinks

  • Dia litúrgico: por-data/07-julho/06
  • Século: por-seculo/seculo-xx
  • País: por-pais/italia
  • Mártires da pureza:
  • Vítimas de violência convertidas em mártires:
  • Padroeiras da juventude:
  • Modelos de perdão:
  • Canonizações Pio XII:
  • Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004
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