Beata Maria Ana Biernacka

Também conhecido como Marianna Biernacka, Marianna Czokało

Identificação

Beata Maria Ana Biernacka (c. 1888–1943) — camponesa polaca, mãe de família, mártir da Segunda Guerra Mundial. Leiga sem votos religiosos, sem cargo na Igreja, sem formação teológica formal: apenas uma mãe que, diante dos soldados alemães, se ofereceu voluntariamente para morrer no lugar de sua nora grávida. Fuzilada em 13 de julho de 1943 em Naumowicze, perto de Grodno. Beatificada por São João Paulo II em 13 de junho de 1999 em Varsóvia, entre os 108 Mártires Poloneses da Segunda Guerra Mundial.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Naumowicze, cidade próxima de Grodno, na Polônia, a Beata Maria Ana Biernacka, mãe de família e mártir, que, no regime de ocupação militar da sua pátria, durante a guerra, se ofereceu aos soldados para substituir sua nora que estava grávida e, imediatamente fuzilada, recebeu a palma gloriosa do martírio.

Vida

A camponesa polaca e a ocupação nazista

Marianna Czokało nasceu por volta de 1888 em Lipsk nad Biebrzą, pequena cidade no nordeste da Polônia (região de Podláquia, atual fronteira com a Bielorrússia). Casou-se com Ludwik Biernacki, tornando-se Marianna Biernacka, e estabeleceu-se como camponesa. Tiveram seis filhos; quatro morreram na infância. Dos dois sobreviventes, o filho Stanisław casou-se com Anna Szymczyk, e o casal tinha uma filha pequena, Genia, quando eclodiu a guerra.

A Polônia foi invadida pela Alemanha nazista em setembro de 1939 e pela União Soviética pelo leste simultaneamente, em cumprimento ao Pacto Molotov-Ribbentrop. A região de Grodno, onde vivia a família Biernacki, passou por duas ocupações: soviética (1939-1941) e depois alemã (1941-1944), esta última marcada por uma brutal política de repressão, execuções coletivas e deportações. As populações civis eram regularmente tomadas como reféns e fuziladas em represálias ou por simples suspeita de resistência.

O gesto de se oferecer no lugar da nora grávida

Em julho de 1943, soldados alemães prenderam Stanisław Biernacki e sua esposa Anna, que se encontrava grávida do segundo filho. A perspectiva era o fuzilamento de ambos. Marianna Biernacka, ao saber do que aguardava a nora, apresentou-se voluntariamente aos soldados, pedindo que aceitassem sua vida em substituição à de Anna. Segundo a tradição transmitida pela própria família, ela afirmou que desejava dar a vida pelo neto ainda não nascido.

Os soldados aceitaram a substituição. Anna foi libertada. Marianna ficou.

Em 13 de julho de 1943, Marianna Biernacka foi fuzilada junto com seu filho Stanisław e outros 48 habitantes de Lipsk, nos fortins de Naumowicze, perto de Grodno. Seu último pedido, segundo o testemunho registrado, foi o de segurar seu terço — pedido que lhe foi concedido.

Anna Biernacka sobreviveu à guerra, criou os filhos e viveu até os 98 anos de idade.

O martírio em 1943 e o reconhecimento da Igreja

O gesto de Marianna Biernacka guarda semelhança estrutural com o de São Maximiliano Maria Kolbe em Auschwitz (1941): uma vida oferecida voluntariamente para salvar outra, fora da lógica da prisão ou do campo de batalha, por puro amor ao próximo. No caso de Marianna, o sacrifício é ainda mais radical em sua despojamento: nenhum título, nenhum hábito, nenhuma instituição — apenas uma avó que se colocou diante dos fuzis para que a nora grávida e o neto por nascer vivessem.

A causa de beatificação foi instruída no âmbito do processo coletivo dos mártires poloneses da Segunda Guerra Mundial.

A beatificação dos 108 em 1999

Em 13 de junho de 1999 — coincidindo com a própria festa litúrgica do grupo —, São João Paulo II beatificou em Varsóvia 108 mártires poloneses da Segunda Guerra Mundial, mortos por nazistas entre 1939 e 1945. O grupo inclui:

  • 3 bispos
  • 79 sacerdotes
  • 7 irmãos religiosos
  • 8 religiosas
  • 11 leigos, entre os quais Beata Maria Ana Biernacka

A cerimônia realizou-se durante a visita apostólica de São João Paulo II à Polônia, em Varsóvia. Os 108 foram reconhecidos como mártires não apenas por terem morrido em ódio à fé, mas por terem vivido e morrido na radicalidade do Evangelho — no caso de Marianna, na literalidade de: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15,13).

A festa litúrgica dos 108 Mártires Poloneses é celebrada em 12 de junho.

Referências

  • Martirológio Romano (Editrice Vaticana, 2004), entrada de 13 de junho. Fonte primária. Língua: latim/italiano.
  • Wikipedia polonesa: Marianna Biernacka. Língua: polonês (pl). Consultada em 2026-05-28.
  • Wikipedia inglesa: Marianna Biernacka. Língua: inglês (en). Consultada em 2026-05-28.
  • Wikipedia inglesa: 108 Martyrs of World War II. Língua: inglês (en). Consultada em 2026-05-28.
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