Beato Mariano de Roccacasale
Também conhecido como Domingos Di Nicolantônio, Domenico Di Nicolantonio, Mariano da Roccacasale
Identificação
Beato Mariano de Roccacasale (Domenico Di Nicolantonio; 13 jan. 1778 – 31 maio 1866), frade leigo da Ordem dos Frades Menores, exerceu durante cerca de cinquenta anos o humilde ofício de porteiro no convento do Sacro Ritiro de Bellegra, nos arredores de Roma. Nessa condição, tornou-se porta viva da caridade franciscana: abriu as portas aos pobres, aos peregrinos e aos aflitos, a quem socorreu com pão, conselho e oração. São João Paulo II o beatificou em 3 de outubro de 1999, na Praça de São Pedro, em Roma.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Bellegra, localidade próxima de Roma, o Beato Mariano de Roccacasale (Domingos) Di Nicolantônio, religioso da Ordem dos Frades Menores, que, exercendo o ofício de porteiro, abriu as portas do convento aos pobres e aos peregrinos, a quem socorreu de todos os modos com imensa caridade.
Vida
O pastor dos Abruzos que se fez frade
Domenico Di Nicolantonio nasceu em 13 de janeiro de 1778 em Roccacasale, aldeia encravada nos Apeninos dos Abruzos, no sul da Itália, filho de família simples e humilde. Como muitos meninos daquela região montanhesa, passou os primeiros anos como pastor de ovelhas — trabalho que o formou no silêncio, na resistência às intempéries e numa disposição natural para a contemplação.
A vocação religiosa amadureceu sob o peso de acontecimentos trágicos. Entre 1799 e 1801, as tropas napoleônicas e muratinas percorreram os Abruzos com violência: Domenico assistiu aos massacres perpetrados nas cercanias de Sulmona e à devastação da própria Roccacasale. Diante do horror da guerra, cresceu nele o desejo de recolhimento e de uma vida entregue a Deus.
Encaminhou-se então ao convento de San Nicola de Arischia, próximo a L’Aquila, onde ingressou na Ordem dos Frades Menores e professou em 2 de setembro de 1802, adotando o nome religioso de frei Mariano. O período de formação coincidiu com os anos mais duros da supressão napoleônica das ordens religiosas; a comunidade sobreviveu com funções reduzidas, mas o jovem frade perseverou.
Os cinquenta anos de porteiro em Bellegra
Em 1816, concluídas as turbulências do período napoleônico e restaurada a vida conventual, frei Mariano transferiu-se para o Sacro Ritiro de Bellegra — convento franciscano situado nos Montes Lépinos, a sudeste de Roma, fundado no século XVII como lugar de oração intensa e penitência. Ali permaneceria até o último dia de sua vida: cinquenta anos no mesmo cargo, na mesma portaria, sob o mesmo hábito.
A portaria de um convento franciscano medieval não era apenas uma guarita. Era o limiar entre a clausura e o mundo, o ponto onde a caridade do convento se tornava visível. Frei Mariano fez desse posto o centro de uma missão: distribuía pão e alimento a quantos batessem à porta — mendigos, peregrinos que cruzavam os montes, doentes sem recursos, famílias em dificuldade. Não havia hora proibida. Não havia rosto indesejado.
A seu modo austero de franciscano dos Abruzos, frei Mariano encarnou o que São João Paulo II descreveria, na homilia de beatificação, como «uma vida pobre e humilde, vivida nas pegadas de São Francisco e de Santa Clara de Assis, constantemente dedicada ao próximo» — «uma vida que levou a toda parte a paz, dom de Deus».
A vida de oração e a morte serena
Fora das horas na portaria, frei Mariano vivia recolhido e em oração. Os relatos da época descrevem um frade de poucas palavras, de presença tranquila, que levava as necessidades dos pobres que recebia à adoração eucarística. Sua pobreza era absoluta: identificava-se com o Cristo pobre, sem posses, sem ambição, sem outra riqueza que a liberdade de servir.
Morreu no próprio convento de Bellegra em 31 de maio de 1866, com 88 anos de idade — a mesma data que o calendário franciscano adoptaria como sua memória litúrgica. Seu corpo foi sepultado no Sacro Ritiro.
A fama de santidade que o acompanhara em vida persistiu após a morte. A causa de beatificação foi introduzida em 12 de dezembro de 1895. Em 3 de maio de 1923, o papa Pio XI reconheceu suas virtudes heroicas, conferindo-lhe o título de Venerável. O milagre exigido para a beatificação — a cura de uma criança de 15 meses acometida de meningite-encefalite aguda, verificada em 1918 — foi autenticado em 1998. Em 3 de outubro de 1999, São João Paulo II proclamou-o Beato na Praça de São Pedro, em Roma.
Referências
- Martirológio Romano 2004, 31 de maio (Editrice Vaticana, ed. portuguesa).
- Verbete Mariano da Roccacasale, na Wikipédia italiana — fonte principal dos dados biográficos (it).
- São João Paulo II, Homilia de beatificação, 3 out. 1999, Praça de São Pedro — trecho sobre o Beato Mariano de Roccacasale (vatican.va).

