São Martinho de Tours
Também conhecido como Soldado partilhador da capa, Pai do monasticismo na Gália, San Martino estoniano
Identificação
São Martinho de Tours (c. 316-397) — bispo, fundador do monasticismo na Gália, ex-soldado romano. Universal pelo episódio em que partilhou a sua capa com um mendigo seminu em Amiens (depois reconheceu Cristo no mendigo do sonho seguinte). Discípulo de Santo Hilário de Poitiers. Pai do monasticismo francês. Padroeiro principal da França por 1500 anos (substituído oficialmente por Joana d’Arc em 1922). Sua festa em 11 de novembro coincidiu (séc. XX) com o Armistício da Primeira Guerra Mundial (11/11/1918), agregando dimensão pacífica.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Memória de São Martinho, bispo, que, soldado em Amiens nas Gálias, catecúmeno, dividiu o seu manto com um pobre meio nu, ao qual no sonho seguinte reconheceu a Cristo Senhor, e foi por isto batizado. Eleito mais tarde bispo de Tours, foi luminoso pastor do seu povo, fundou monasteiros, evangelizou a região rural, foi modelo de pastores e converteu os incrédulos.
Vida (segundo Sulpício Severo, Vita Sancti Martini, c. 397)
Pannonia e exército romano (316-356)
Martinus nasceu por volta de 316 em Sabária (Pannonia, atual Szombathely, Hungria), de família pagã de oficial militar romano. Cresceu em Pavia (Itália), onde o pai foi destacado.
Aos 10 anos, contra a vontade dos pais, assistiu às catequeses cristãs — sentiu chamado.
Aos 15 anos, conscrito no exército imperial (era serviço hereditário para filhos de militares). Servia como cavaleiro elite (scholaris) na Gália sob Constâncio II e Juliano (futuro Apóstata).
A capa de Amiens (~334)
Inverno de 334 (provavelmente), em Amiens (Gália), à porta da cidade, Martinho como soldado encontrou um mendigo seminu tremendo de frio. Os outros passavam indiferentes. Martinho não tinha dinheiro, mas tinha sua capa militar (chlamys).
Com sua espada cortou a capa em duas partes, e deu metade ao mendigo. Ao chegar a casa, sonhou: Cristo apareceu vestido com a metade da capa, dizendo aos anjos: “Foi Martinho, ainda catecúmeno, que me cobriu com este manto”.
Acordando, Martinho pediu o batismo imediatamente. Foi batizado pouco depois (335-336).
A outra metade da capa que Martinho conservou tornou-se relíquia da realeza francesa — guardada em capela (do latim capella, “pequena capa”), donde a palavra “capela” entrou no vocabulário cristão para designar pequenos oratórios sacros.
Saída do exército (356)
Aos 40 anos, antes de batalha, recusou continuar como soldado: “Eu sou soldado de Cristo. Não me é lícito combater”. Acusado de covardia, ofereceu-se para enfrentar o inimigo desarmado, em frente do exército. Os bárbaros pediram paz na manhã seguinte — Martinho foi liberado.
Discípulo de Hilário (356-371)
Voltou à Gália, foi discípulo de Santo Hilário de Poitiers (recém-doutor). Hilário queria ordenar-lo diácono, mas Martinho recusou por humildade — aceitou ser exorcista.
Fundou em 361 o primeiro mosteiro da Gália em Ligugé (perto de Poitiers) — primeiro mosteiro da Europa Ocidental propriamente dito.
Bispo de Tours (371-397)
371 — povo de Tours força-o a aceitar o episcopado por estratagema (atraíram-no à cidade fingindo doente para visitar). Aclamado bispo aclamativamente.
Como bispo: - Fundou o mosteiro de Marmoutier (no Loire, perto de Tours) em 372 — sua residência, com 80 monges. - Evangelizou as áreas rurais da Gália, ainda predominantemente pagãs (até então, o cristianismo era urbano e elitista). - Destruiu templos pagãos, plantou cruzes, batizou multidões. - Foi conhecido por milagres (curas, ressurreições, exorcismos). - Defendeu a tolerância contra a violência anti-herética: opôs-se publicamente à execução de Prisciliano em Trier (385) — primeiro caso de pena capital por heresia. Martinho recusou comungar com os bispos que apoiaram a execução.
Morte
Faleceu em Candes, vila perto de Tours, em 8 de novembro de 397. Sepultado em Tours em 11 de novembro de 397 — data que ficou como festa.
Vita Sancti Martini
Sulpício Severo (galo cristão, conhecido pessoalmente Martinho) escreveu a Vita Sancti Martini (c. 397) enquanto Martinho ainda vivia. Texto fundador da hagiografia ocidental medieval — estabeleceu modelos narrativos (milagres, conversões, virtudes). Best-seller medieval.
Patronato
França
Padroeiro principal da França desde os Merovíngios (séc. VI) até 1922 — quando Pio XI declarou Joana d’Arc copatroeira nacional. Martinho continua entre os mais venerados santos franceses.
Tropas e cavalaria
Padroeiro dos soldados desde a Idade Média (referência ao soldado convertido). Os reis francos levaram a capa de Martinho em batalhas (incluindo Carlos Martelo na batalha de Poitiers em 732, contra os mouros).
Alfaiates e mendigos
- Padroeiro dos alfaiates (cortou a capa em duas).
- Patrono dos pobres (deu sua capa).
Hungria
Patrono nacional da Hungria (terra de origem) — santo nacional húngaro.
Tradições populares
“Verão de São Martinho”
Período de tempo curto e quente entre o final de outubro e meados de novembro — calor inesperado que precede o inverno definitivo. Em diversos países (Itália, Espanha, Portugal, Brasil, Argentina) chamado “Verão de São Martinho” — ligado à festa do santo (11 nov).
Tradições gastronômicas
- Itália meridional: ganso assado e vinho novo em 11 nov.
- Portugal: castanhas, água-pé, vinho novo na Festa de São Martinho.
- Hungria: ganso de São Martinho.
Lanternas de São Martinho (Alemanha, Holanda, Áustria)
Procissão noturna das crianças com lanternas de papel, em homenagem a Martinho — referência ao mendigo iluminado pela caridade.
Iconografia
- Soldado romano a cavalo, dividindo a capa com mendigo (cena clássica medieval).
- Bispo com mitra e báculo (representação posterior).
- Capa cortada ao meio.
- Cristo aparecendo vestido com a metade da capa.
- Ganso aos pés (tradição: gansos o traíram quando ele queria escapar do episcopado).
Obras famosas: El Greco, Van Dyck, Della Robbia, Simone Martini.
Backlinks
- Dia litúrgico: por-data/11-novembro/11
- Século: por-seculo/seculo-iv
- País: por-pais/hungria · por-pais/frança
- Mestre: hilario de poitiers
- Padroeiros da França:
- Patrono dos soldados:
- Fundadores do monasticismo:
- Verão de São Martinho:
- Biógrafo: sulpicio severo (não santo)
- Capa relíquia: origem da palavra “capela”
- Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004

