São Maximiano de Bagai
Identificação
São Maximiano de Bagai — bispo católico de Bagai, na Numídia (atual Argélia), conhecido sobretudo através de Santo Agostinho (Contra Cresconium, livro III). Antigo bispo donatista convertido à comunhão católica, sofreu perseguição violenta dos donatistas por volta de 404, sendo atirado do alto de uma torre e dado como morto — sobrevivência que se tornou o núcleo do seu reconhecimento hagiográfico. Comemorado no Martirológio Romano 2004 em 3 de outubro (ordem 5 das 13 comemorações do dia, confirmado em entradas: de por-data/10-outubro/03.md), sem marcador de adição pós-2004 — entrada já presente na edição típica.
Nota sobre o pronome: o stub de bootstrap grafava “Santo Maximiano de Bagai”. Pela regra fonética do português (“São” diante de consoante), e conforme o próprio elogio do Martirológio Romano 2004 nesta ficha, o correto é São Maximiano — corrigido nesta revisão.
Vida
Segundo Santo Agostinho, São Maximiano fora bispo donatista de Bagai antes de se converter à Igreja católica, tornando-se bispo católico da mesma cidade. No concílio de Milevo, em 27 de agosto de 402, ofereceu sua renúncia à dignidade episcopal na esperança de acalmar os tumultos que a disputa entre católicos e donatistas gerava em Bagai — não querendo, já reconciliado com a Igreja, ser motivo de perturbação da paz. O concílio aceitou formalmente a renúncia, mas São Maximiano permaneceu de fato à frente da diocese até 404, tornando-se alvo constante da cólera dos hereges donatistas.
Um dia, estando na igreja junto ao altar, foi assaltado por fanáticos donatistas, que o espancaram tão violentamente que uma grande ferida o fez sangrar em abundância. Despojado à força das vestes, não pôde ser socorrido a tempo pelos católicos presentes — tal a fúria dos agressores. Levado ao alto de uma torre, foi dali precipitado, caindo sobre um monte de lixo; um transeunte, compadecido, recolheu-o e cuidou dele. Recuperado — por milagre, segundo a tradição —, São Maximiano foi a Roma, onde os ferimentos visíveis em todo o corpo teriam comovido profundamente o imperador Honório, que o recebeu.
Em 411, Bagai já tinha um novo bispo — donatista, de nome Donaciano —, o que sugere que São Maximiano havia deixado a sede, por renúncia definitiva ou por morte; a data e as circunstâncias exatas do seu falecimento não são conhecidas. Santo Agostinho, ao mencioná-lo mais tarde, diz apenas que “repousa no Senhor”. Foi com base nessa expressão que o cardeal Baronio, ao revisar o Martirológio Romano no século XVI, incluiu São Maximiano de Bagai no calendário dos santos.
Elogio do Martirológio
Comemoração de São Maximiano, bispo de Bagai, na Numídia, na atual Argélia, que, repetidamente torturado pelos hereges, foi depois precipitado do alto de uma torre e abandonado como morto; mas, recolhido por uns transeuntes, recuperou a saúde e não desistiu de lutar pela fé católica. — Martirológio Romano, 3 de outubro
Fontes
- Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — dia 10-03, ordem 5, elogio PT/IT/LA.
- Santo Agostinho, Contra Cresconium, livro III, cap. XLII-XLVII — fonte primária citada pelo próprio Rohrbacher, base de todo o relato histórico conhecido sobre São Maximiano.
- Padre Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 17, p. 294-295 (edição Editôra das Américas, 1959) — biografia consultada integralmente; narra concílio de Milevo (402), agressão na igreja, precipitação da torre, resgate, encontro com o imperador Honório em Roma, e a inclusão no martirológio por Baronio a partir da frase “repousa no Senhor” de Santo Agostinho. Nenhuma pesquisa web foi realizada — figura anterior a 1900 (regra do projeto).
- Gate de identidade satisfeito por 2 fontes independentes convergentes: MR2004 (bispo de Bagai, Numídia, torturado, precipitado de torre, sobreviveu) + Rohrbacher/Santo Agostinho (mesmo bispo, mesmo episódio, com detalhamento histórico adicional).
Backlinks
- Dia litúrgico: ../por-data/10-outubro/03
- Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004
