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São Máximo Confessor

Também conhecido como São Máximo, o Confessor, Máximo, o Filósofo

Identificação

São Máximo Confessor (†662) foi monge e um dos maiores teólogos e filósofos do período patrístico bizantino, abade de Crisópolis, perto de Constantinopla. Defendeu com extremo rigor intelectual a doutrina da dupla vontade de Cristo (diotelismo) contra a heresia do monotelismo, sustentada pelo próprio imperador Constante II. Por essa fidelidade à fé católica, foi julgado, teve a mão direita cortada e a língua arrancada, e morreu desterrado na região da Lazika, no Cáucaso — dali o título de “Confessor”. O Martirológio Romano o comemora em 13 de agosto, seu dies natalis.

Vida

Segundo Rohrbacher, São Máximo dedicou grande parte de sua obra a refutar o monotelismo, tratando a fundo a questão das duas naturezas, das duas vontades e das duas operações em Cristo, em cartas a Marino, padre de Chipre, e a Estêvão, bispo de Dora. Em julho de 645, em Cartago, debateu publicamente o ex-patriarca Pirro, de Constantinopla, que chegou a abjurar o erro (depois recaiu).

Perseguido como o Papa São Martinho, foi preso por ordem do imperador Constante II. Em 14 de setembro de 656 foi levado a julgamento em Constantinopla e, junto de dois discípulos — ambos chamados Anastácio, o Monge e Anastásio Apocrisário —, anatematizado por um concílio reunido com o senado. Por sentença, teve a língua cortada até a raiz e a mão direita decepada, para que não pudesse mais falar nem escrever em defesa da fé, antes de ser desterrado com os companheiros para o território dos Lazes, no Cáucaso, aonde chegou em 8 de junho de 662. Incapaz de cavalgar, foi levado numa padiola de vime até a fortaleza de Skemáris, onde predisse o dia da própria morte: sábado, 13 de agosto de 662.

Sua doutrina foi vindicada quase vinte anos depois, no III Concílio de Constantinopla (680–681, VI Ecumênico), que definiu dogma de fé a dupla vontade — humana e divina — de Cristo, condenando o monotelismo e reabilitando, com o Papa São Martinho, a memória de São Máximo Confessor.

Elogio do Martirológio

Em Skemáris, na região de Lazika, situada na cordilheira do Cáucaso, o passamento de São Máximo Confessor, abade de Crisópolis, perto de Constantinopla, insigne pela sua doutrina e zelo pela verdade católica, que, por ter enfrentado corajosamente a heresia dos monotelistas, foi condenado pelo imperador herético Constante à mutilação da sua mão direita e, juntamente com dois dos seus discípulos, Anastásio o Monge e Anastásio Apocrisário, depois de suportar um atroz cativeiro e muitas sevícias, foi desterrado para o território da Lazika, onde entregou o espírito a Deus. — Martirológio Romano, 13 de agosto

Fontes

  • Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — entrada de 13 de agosto, ordem 5 (elogio PT; ano 662).
  • Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 14 PG 395–PG 405 (Acta SS., 13 Aug.) — biografia: opúsculos contra o monotelismo, cartas a Marino/João/Estêvão de Dora, debate público com o ex-patriarca Pirro em Cartago (jul. 645), prisão e julgamento de 14-09-656, mutilação da mão e da língua, exílio para o país dos Lazes, chegada a 08-06-662, transferência à fortaleza de Skemáris, morte predita e ocorrida em 13-08-662.
  • Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 18, PG 21–PG 23 — referência complementar a São Máximo como “filósofo e mártir” no contexto da autoridade de São Dionísio Areopagita contra o monotelismo.
  • Wikipedia (en), verbete “Maximus the Confessor” — confirmação da vindicação póstuma da doutrina diotelita no III Concílio de Constantinopla (680–681, VI Concílio Ecumênico).
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