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São Metódio I de Constantinopla

Também conhecido como Metódio de Constantinopla, São Metódio I, Methodius I of Constantinople

Identificação

São Metódio I de Constantinopla (Siracusa, séc. VIII — Constantinopla, 14 de junho de 847) — monge siciliano, defensor do culto das sagradas imagens, Patriarca de Constantinopla de 843 a 847. Foi o grande articulador da restauração definitiva das imagens sagradas no Império Bizantino, evento celebrado como o Triunfo da Ortodoxia (11 de março de 843), em parceria com a imperatriz Santa Teodora. Padeceu prisão e exílio pela fé durante a segunda fase da perseguição iconoclasta. Celebrado no Martirológio Romano em 14 de junho.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia, São Metódio, bispo, que, sendo monge, se dirigiu a Roma para defender o culto das sagradas imagens junto do papa Pascoal I e, ordenado bispo, celebrou solenemente o triunfo da verdadeira fé.

Vida

O monge siciliano e a viagem a Roma junto ao papa Pascoal I

São Metódio nasceu em Siracusa, na Sicília, no final do século VIII, de família abastada. Ainda jovem abandonou a riqueza e a vida secular para abraçar a vida monástica num mosteiro da Bitínia, região da Ásia Menor. Ali formou-se na tradição teológica e espiritual grega, destacando-se pelo talento literário e pela firmeza doutrinária.

A grande controvérsia de seu tempo era a iconoclastia — a heresia que proibia o culto das imagens sagradas e destruía ícones, mosaicos e pinturas nas igrejas do Império Bizantino. O movimento iconoclasta, apoiado por vários imperadores, dilacerava a Igreja desde 726. Em 815, depois da deposição do Patriarca Nicéforo I pelo imperador Leão V, o Armênio, que reinstaurou a perseguição iconoclasta, São Metódio foi enviado a Roma — possivelmente como emissário do Patriarca deposto — para defender junto ao papa Pascoal I (817–824) o culto das sagradas imagens e comunicar a situação dos católicos no Oriente. A acolhida romana fortaleceu sua missão: o papado era um dos pilares da resistência à iconoclastia.

O sofrimento na perseguição iconoclasta

De regresso a Constantinopla por volta de 821, São Metódio foi preso pelo imperador Miguel II, o Gago (820–829) em razão de sua adesão ao culto dos ícones. Sobreviveu a anos de cárcere e maus-tratos — fontes hagiográficas referem que foi mantido numa masmorra, juntamente com dois ladrões, numa humilhação deliberada. Libertado em 829, com a subida de Teófilo ao trono, São Metódio chegou a frequentar a corte imperial — apesar de o novo imperador também ser iconoclasta ferrenho. Contou, nesse período, com a discreta proteção da imperatriz Teodora, esposa de Teófilo, que venerava secretamente as imagens e esperava dias melhores para a Igreja.

O longo sofrimento de São Metódio não o dobrou. Pelo contrário, tornou-o uma figura de grande autoridade moral quando, com a morte de Teófilo em 842, a situação política se transformou radicalmente.

O patriarcado e o Triunfo da Ortodoxia de 843

Morto Teófilo, sua viúva Santa Teodora assumiu a regência do filho menor, Miguel III. A imperatriz, ela própria devotada às imagens, decidiu encerrar definitivamente a segunda fase da iconoclastia. Em 4 de março de 843 — domingo da primeira semana da Quaresma — São Metódio foi eleito e entronizado Patriarca de Constantinopla.

Em 11 de março de 843, primeiro domingo da Quaresma, realizou-se a grande procissão triunfal entre a Igreja de Santa Maria de Blaquerna e a Basílica de Santa Sofia: as imagens foram solenemente restauradas nos templos, os bispos e monges exilados ou depostos foram reabilitados, e a heresia iconoclasta foi formalmente condenada. Este evento entrou para a história como o Triunfo da Ortodoxia — expressão com a qual o Martirológio Romano sintetiza a obra de São Metódio ao dizer que ele “celebrou solenemente o triunfo da verdadeira fé”.

A data de 11 de março de 843 ficou gravada no calendário litúrgico da Igreja Ortodoxa como o Domingo da Ortodoxia, comemorado anualmente até hoje na primeira semana da Quaresma oriental, com a procissão dos ícones e o anátema solene contra as heresias. São Metódio é, por isso, uma figura central tanto para a Igreja Católica quanto para a Igreja Ortodoxa grega — embora o cisma de 1054 viesse apenas dois séculos depois.

Como patriarca, São Metódio também se dedicou a obras literárias e pastorais: compôs hinos, homilias e textos hagiográficos, deixando um corpus que foi parcialmente editado na Patrologia Graeca de Migne (PG C). Governou o patriarcado por pouco mais de quatro anos — de março de 843 a junho de 847.

Morte e culto

São Metódio faleceu em 14 de junho de 847, em Constantinopla, provavelmente de causas naturais, consumido pelos padecimentos dos anos de cativeiro. O Martirológio Romano de 2004 inscreve sua memória nessa data. O culto ao Patriarca Metódio I nunca foi interrompido, tanto no Ocidente quanto no Oriente cristão, onde é venerado como confessor — título atribuído àqueles que sofreram pelas verdades da fé sem derraman o sangue do martírio.

Referências

  • Martirológio Romano (2004). Editrice Vaticana, Roma. Edição italiana: 14 giugno, n. 6.
  • Rohrbacher, R. P. Vidas dos Santos. Editora das Américas, São Paulo. Vol. 18, p. 9 (referência a São Metódio, Patriarca de Constantinopla, nascido pelos fins do séc. VIII, falecido em 847); vol. 3, p. 193 (Santa Teodora e a restauração das imagens sob o patriarca de Constantinopla).
  • Wikipedia. “Metódio I de Constantinopla”. https://pt.wikipedia.org/wiki/Metódio_I_de_Constantinopla — língua: português. Consultado em 2026-05-28.
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